Despejo de ocupantes de casarão na Lapa é suspenso pela Justiça

Casarão, apelidado de Luana Muniz, em homenagem à sua ocupante original, abriga 11 trans e travestis na Lapa que estão sendo despejadas depois de mais de 40 anos ocupando o imóvel. Elas alegam que tinham permissão de ocupá-lo. Especialistas garantem que eventuais permissões concedidas não geram efeitos eternamente

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Com uma bonita fachada colorida, hoje em desalinho,o casarão é uma referência no meio LGBT.

Uma briga de 44 anos envolvendo ocupantes transexuais e travestis que vivem no imóvel que foi apelidado de Casarão Luana Muniz ganhou mais um capítulo. É que na noite de terça-feira, a advogada e e ativista pelos direitos de travestis e transexuais, Maria Eduarda Aguiar, que representa as atuais ocupantes, conseguiu a suspensão da ordem de despejo através de uma liminar judicial. A parte de cima do casarão da Avenida Mem de Sá, número 100 foi ocupado nos anos 70 pela ativista Luana Muniz, cognominada de “Rainha da Lapa” por uma legião de fãs que idolatravam a atuação da atriz que é famosa pelo bordão “Travesti não é Bagunça“.

A data limite para saída das 11 mulheres que ocupam o imóvel a contragosto do homem que alega ser seu proprietário estava prevista para o dia 12, quarta-feira. Ele luta pela reintegração de posse da propriedade desde 1979, quando a travesti Luana Muniz morta em 2017 abriu um espaço para abrigar integrantes da causa LGBTQIA+ e projetos sociais, que hoje beneficiariam, segundo os responsáveis, 197 pessoas trans e travestis. Parte das 11 beneficiadas com a moradia são da época da Luana. Atualmente, o espaço é administrado pela filha de Luana, Darla Muniz, que lá também vive. A herdeira ainda administra a Associação Luana Muniz.

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As festas e eventos do Casarão são famosos. Na foto, Luana Muniz.

De acordo com a advogada, Luana Muniz não seria invasora e sim teria ocupado o imóvel com permissão de um locatário que vivia no andar superior. Após a morte do vizinho, os irmãos dele moveram uma ação de reintegração de posse visando expulsar os ocupantes do local. O casarão fica na Mem de Sá e é referência no acolhimento da comunidade gay, portadores de HIV, prostitutas e moradores de rua. Luana morreu com 56 anos em decorrência de problemas pulmonares, mas inspirou até o humor na televisão com seu jeito de impor respeito. Um advogado especialista em Direito Imobiliário disse ao DIÁRIO que ainda que a história seja real, “um suposto comodato não tem o condão de se eternizar e nem de transferir a propriedade“.

Além de ser utilizado como moradia, o imóvel também é utilizado para sediar eventos e festas diversos da comunidade LGBT, conforme posts do Instagram da Associação. (abaixo).

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Ainda no ativismo, Luana (foto acima) foi uma das fundadoras do projeto Damas da Prefeitura, para capacitação de travestis e trans para o mercado de trabalho, e presidiu a Associação dos Profissionais do Sexo do Gênero Travesti, Transexuais e Transformistas do Rio de Janeiro.

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VIAAmanda Raiter
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Formada em Comunicação Social desde 2004, com bacharelado em jornalismo, tem extensão de Jornalismo e Políticas Públicas pela UFRJ. É apaixonada por política e economia, coleciona experiências que vão desde jornais populares às editorias de mercado. Além de gastar sola de sapato também com muita carioquice.
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