Desvio de água de nascentes para mansões na Niemeyer pode colaborar para deslizamentos de terra

Uma enorme estrutura capta, acumula e distribui água para as casas e, segundo um laudo da Prefeitura, os canos ajudam na saturação do solo, o que facilita enxurradas em épocas de chuvas

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Foto: Deslizamento em 2019. Reprodução TV Globo

Em uma área de proteção ambiental, na Avenida Niemeyer, em São Conrado, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, chamada de Costão da Niemeyer, uma enorme estrutura capta, acumula e distribui água limpa, oriunda de minas e nascentes, para mansões na região. Todo esse sistema ilegal, que tem 1km e 400 metros de distância, começa a cerca de 150 metros de altura do nível do mar, 50 metros acima do condomínio número 550 e vai (pelo alto do morro, como mostram as imagens abaixo) até o 722 da Avenida, pouco antes do mercado Supermarket. Um laudo recente da Prefeitura aponta que os vários canos e mangueiras usados para a distribuição de água ilegal contribuem para a “saturação do solo, problema podendo ser agravado durante o período de chuvas mais intensas”. 

O laudo da Secretaria de Ordem Pública e Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, produzido no final de setembro deste ano, destaca: “No momento da vistoria, acompanhados pelo solicitante, acessamos área de mata, onde observamos a execução de rede de captação, acumulação e distribuição de água limpa, proveniente de minas e/ou nascentes, instalado ao longo dos muros de divisa/contenção sito na área dos fundos dos imóveis à montante do Condomínio”.

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Trecho inicial do laudo ao qual o DIÁRIO DO RIO teve acesso

As tubulações de PVC e borracha apresentam danos, como quebras e rompimentos, em diversos trechos, com vazamentos de águas, provocando assim a saturação do solo, nesses pontos. Cabe ressaltar a execução de aberturas de clareiras e cortes na vegetação, em diversos trechos, ao longo da rede. Observamos ainda pontos de escorregamento de solo, ocorrências antigas, que atingiram a Avenida Niemeyer, que se situa a jusante do Costão da Niemeyer. Foi verificado risco potencial de ocorrer novos escorregamentos de solo, devido a saturação do solo, problema podendo ser agravado durante o período de chuvas mais intensas“, diz o laudo. 

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As imagens mostram a precariedade dos canos responsáveis por esse transporte de água. Quebrados, remendados de forma rudimentar, com restos enterrados, a estrutura tende a ter vazamentos constantes. Não se sabe como a manutenção feita. A situação deixa moradores da região receosos.

Nas imagens abaixo, vemos os recipientes que armazenam a água, que depois é transportada pelos canos. A nascente represada em cisterna comporta mais de 5 mil litros de água. Do represamento se originam diversos tubos, um alimentando 4 caixas de cerca de 500 litros. A partir daí, vão para as mansões da região.

A bomba (primeira foto acima) está em uma altura de 150 metros no mapa, na mata, no morro, e lança a água para uma altura 50m, próximo ao Hotel Nacional, para fazer a curva e seguir até o número 722 da Avenida Niemeyer. Tudo em área de proteção ambiental, onde é proibido desmatar.

De acordo com uma moradora que não quis se identificar, “chama atenção nunca nenhum perito ter encontrado ou notado tais estruturas de canos e mangueiras, ainda remanescentes, mesmo elas passando exatamente em cima das crateras frontais entre o condomínio e o Hotel Nacional, onde ocorreram deslizamentos recentes”.

O mesmo laudo da Prefeitura é finalizado informando que “PROVIDÊNCIAS: À Coordenadoria de Áreas Verdes / MA/SUBMA/CAV para ciência e providências cabíveis quanto as intervenções na área de mata e ao uso e captação de água, na área dos fundos à montante do Condomínio. À Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro – GEO-RIO para providências cabíveis quanto à estabilidade do talude, na área dos fundos à montante do Condomínio”.

A região trata-se de uma Área de Proteção Ecológica Ambiental (APEA) com Mata Atlântica Nativa. Além de ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN (tombamento das florestas de proteção).

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Placa da Prefeitura no local

Por meio de nota oficial, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente respondeu: ”A Coordenadoria de Áreas Verdes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente não recebeu qualquer pedido referente à área. Cabe ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) fiscalizar captações de água. A pasta esclarece que fez ações de recuperação ambiental no Costão da Niemeyer, mas que o território não é uma unidade de conservação municipal.”

Histórico de deslizamentos de terra

No período de fortes chuvas, como começo e final de ano, é comum acompanharmos notícias de deslizamento de terra na mata que fica em volta da Avenida Niemeyer. No último dia 30/12/2020, a história se repetiu. As cenas da enxurrada de terra e água foram vistas novamente. No ano anterior, em 2019, a via ficou fechada por meses após uma série de deslizamentos em fevereiro e abril.

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1 COMENTÁRIO

  1. A prefeitura vai desmontar e a ninguém será atribuída a ilegalidade. E se foro ditocujo vi dizer q não sabia. Em suma. Terra sem lei. Que cidade horrível. As praças o subúrbio são cercadas por quiosques de milicianos e o 1746 ignora. Fecham as solicitações com respostas mentirosas de que foram ao local e nada constatado. Ou dizem q a area é insegura. aPm não resolve a guarda não resolve e a gente está entregue.

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