Dr. Marcos Paulo: União para retirar o Rio do Mapa da Fome

Com o lançamento do Mapa da Fome, o Rio de Janeiro se torna a primeira cidade brasileira a mapear a insegurança alimentar e a fome em nível municipal

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(Foto: Raquel Júnia)

Hoje, a fome é o prato principal na mesa de 7,9% das pessoas na capital fluminense. Em números absolutos, são 489 mil pessoas com os pratos vazios. Cerca de dois milhões de cariocas convivem com algum grau de insegurança alimentar (seja leve, moderada ou grave), segundo os dados do I Inquérito sobre a Insegurança Alimentar no Município do Rio de Janeiro – o Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro. Esse Mapa é uma iniciativa da Frente Parlamentar contra a Fome e a Miséria no Município do Rio de Janeiro da Câmara Municipal, da qual sou presidente desde 2021, em parceria com o Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC/UFRJ).

É importante lembrar que mais do que números, estamos falando de pessoas sem ter acesso à alimentação aqui na nossa cidade, uma triste realidade que precisa ser mudada. A partir de agora, com esse estudo pioneiro, tanto nós autoridades responsáveis por combater a fome, tanto como a sociedade, temos detalhadamente a localização e o rosto dos cariocas que passam fome e o que está faltando em termos de políticas públicas para retirar de vez a nossa cidade do Mapa da Fome. A gente sabe que superar um quadro desses não é simples, mas  tem um caminho a ser trilhado. No longo prazo é preciso garantir o tripé de educação, emprego e renda para que os cariocas tenham condições de garantir segurança alimentar para seus filhos e netos e para que estes tenham melhores condições para crescer nessa cidade. 

Para que pessoas como a Dona Tânia da Silva, de 58 anos, moradora da Vila Cruzeiro, que tive o prazer de conhecer através da minha luta pela proteção animal, não precisem mais encarar um ônibus lotado para chegar cedo no Ceasa e assim garantir legumes e verduras que seriam descartados, jogados no lixo e que, na sua casa, acabam sendo o principal alimento e virando refeições para seus três filhos, vizinhos e até mesmo para os animais. 

É dever do poder público  garantir que esses alimentos estejam presentes no dia a dia,  durante  todo o mês na casa do cidadão como a Dona Tânia, sem ela precisar ter toda essa jornada na busca para garantir os alimentos para seus familiares. Para isso, eu como presidente da Frente Parlamentar contra a Fome e a Miséria no Município do Rio de Janeiro da Câmara Municipal defendo que é preciso urgentemente agir mais no curto prazo. 

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O Mapa da Fome constatou que as instalações dos aparelhos de segurança alimentar são insuficientes e mal distribuídas geograficamente. São cerca de 20 cozinhas comunitárias, sendo apenas oito localizadas na Zona Norte e nenhuma na região do Centro/ Zona Portuária, que são as duas áreas mais atingidas pela fome no município. E, os únicos três restaurantes populares municipais (em Bonsucesso, Bangu e Campo Grande) que ainda restam dos oito que já chegamos a ter na cidade, atenderam a apenas 6,9% da população carioca. 

Tenho conversado e me reunido com os responsáveis por esses programas da Prefeitura e recebi como retorno que mais cozinhas comunitárias e restaurantes populares serão abertos e estarão localizados onde exatamente os dados apontam que precisam estar. Tive a oportunidade de acompanhar o lançamento do primeiro Plano de Segurança Alimentar e Nutricional do Rio de Janeiro, elaborado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e pela sociedade civil, que será o principal instrumento de planejamento, gestão e execução de políticas públicas municipais de segurança alimentar nos próximos anos. 

Com o lançamento do Mapa da Fome, o Rio de Janeiro se torna a primeira cidade brasileira a mapear a insegurança alimentar e a fome em nível municipal. E acredito que com todos esses passos que já começam a ser dados, também podemos ser a primeira capital a sair de vez dele. 

A Frente Parlamentar contra a Fome da Câmara RJ, da qual me orgulho de atuar como presidente, seguirá fiscalizando e lutando por ações efetivas de combate à fome e a insegurança alimentar na cidade do Rio de Janeiro. 

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