Ediel Ribeiro: Jeremias, o bar

'Boêmio e amante do jazz, subi até a rua Avanhandava, 37, na Bela Vista, São Paulo, para conhecer o ‘Jeremias’, beber e ouvir um som'

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Com as obras no meu estúdio, remexendo velhas caixas de livros, dei de cara com “Confesso que Bebi – Jaguar de Bar em Bar”, o célebre livro, pré-abstinência, do velho editor do ‘Pasquim’.

Nele, Jaguar lista os botecos onde ele já bebeu e que não existem mais. São mais de cem. Bem mais modesto, em quantidade e qualidade, lembrei de alguns bares que frequentei e que também fecharam as portas.

Um deles, o ‘Jeremias, O Bar’, boteco de São Paulo cujo o nome homenageia o antológico personagem criado pelo cartunista Ziraldo – Jeremias, o Bom.

Boêmio e amante do jazz, subi até a rua Avanhandava, 37, na Bela Vista, São Paulo, para conhecer o ‘Jeremias’, beber e ouvir um som. 

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Depois de um tempo fechado, o ‘Jeremias’ foi reinaugurado no dia 20 de janeiro de 2007. O bar é um agradável espaço para encontros entre amigos e conversas regadas pelo humor, boa música, drinks, petiscos e pratos variados.

Nas paredes, uma galeria com desenhos de Ziraldo e de outros renomados cartunistas brasileiros decoram o ambiente. O balcão, com assinaturas de vários cartunistas gravadas em placas douradas dão o tom cultural e artístico ao lugar. 

Quando convidaram Ziraldo para decorar o bar temático, ele sugeriu que vários ilustradores fossem convidados a desenharem. O cartunista Gualberto Costa, o Gual e sua mulher, Daniela Baptista – ele informa, eu não sabia – selecionaram os artistas e as obras. 

Depois da minha primeira visita, fiz um desenho do Ziraldo para o bar. Não deu tempo, quando voltei lá, em 2013, após participar do Salão de Humor de Piracicaba, o bar já tinha fechado e o desenho foi parar na parede do ‘Sindicato do Chopp’, outro boteco, no Leme, no Rio de Janeiro.

Uma pequena biblioteca com  livros sobre cartum, quadrinhos e artes gráficas enviados por cartunistas de todo o país ficam expostos em uma estante e os exemplares podem ser adquiridos no local. O boteco ainda promove lançamentos de jornais, revistas e livros, com noites de autógrafos.

Num canto do bar, equipado com piano, contrabaixo e bateria, um pequeno palco  cria o clima envolvente, de onde saem os melhores acordes do Jazz e da MPB, todas as noites, a partir das 19h.

Bastante diversificado, o cardápio oferece diversos pratos, petiscos e o melhor chopp do bairro.

‘Jeremias, O Bar’, surgiu da ideia conjunta do proprietário Walter Mancini e seu amigo Ziraldo – cartunistas são chegados a criarem botecos temáticos – que sentiam a necessidade de um bar com esse perfil na cidade.

Por lá já passaram grandes nomes do cartum e do quadrinho nacional como Ziraldo, Ciça, Allan Sieber, Adão Iturrusgarai, Fernando Gonsales, Luiz Gê, Laerte, Angeli, Chico, Paulo Caruso, Alcy, Edra, Bira, Fausto, Jal, Guazzelli, e tantos outros. 

‘Jeremias, o Bar’, parece um bar com história, mas, na verdade, é uma  história com um bar,  define Ziraldo.

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Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"
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