Ediel Ribeiro: O caso Bob Jeff

A prisão pela polícia federal do bolsonarista Roberto Jefferson (PTB) exigiu algumas decisões difíceis do Palácio do Planalto, mas nenhuma foi mais angustiosa do que a que teve de ser tomada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL)

A prisão pela polícia federal do bolsonarista Roberto Jefferson (PTB) exigiu algumas decisões difíceis do Palácio do Planalto, mas nenhuma foi mais angustiosa do que a que teve de ser tomada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Embora o presidente possa ouvir a opinião dos seus assessores, dos pastores, do padre Kelmon, da Damares e até do Queiroz, desta vez Bolsonaro teve que decidir sozinho o que fazer sobre o caso ‘Bob Jeff’.

Não estava presente quando o presidente foi avisado sobre os tiros que Bob Jeff deu na polícia federal, mas posso imaginar que deve ter sido mais ou menos assim:

O secretário de comunicação invadiu o escritório do presidente aos berros e disse:

– Presidente, presidente!! A polícia prendeu seu amigo Roberto Jefferson!!

– Outra vez?!! Xandão está extrapolando. O meu amigo Bob está

doente. Aposto que tiraram ele da cama. Provavelmente entubado. Não podem fazer isso com um idoso indefeso de 69 anos.

– Presidente…

– Chama o ministro da Justiça, Anderson Torres, manda ele ao Rio de Janeiro para negociar com a PF. Não vou abandonar um aliado, ainda mais doente. Graças a ele, que me “emprestou” o padre Kelmon, nós conseguimos vencer o “Nove Dedos”, no debate da ‘Record’.

– Mas, presidente, seu aliado deu 50 tiros de fuzil e jogou 3 granadas na polícia federal, ferindo um delegado e uma agente. Apesar de estar em prisão domiciliar, o ex-deputado mantinha um arsenal com diversas armas em sua residência, inclusive algumas de uso restrito das forças armadas.

– No tocante a isso daê, eu faço como Pilates: lavo as minhas mãos.

– É Pilatos, presidente. Pôncio Pilatos, o juiz que não interveio contra os fariseus na condenação de Jesus.

– Ou isso – disse.

– Semana passada, ele teve a prisão domiciliar revogada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ofender a ministra Cármen Lúcia – disse o secretário.

– No tocante às ofensas contra a ministra Cármen Lúcia, do STF, quando ele chamou ela de “prostituta arrombada”, em um vídeo, eu pensei até em defendê-lo, mas atirar em policiais já é demais.

– O que o senhor vai fazer para descolar a sua imagem da do seu

aliado?

– Solta uma nota para a imprensa dizendo que eu não conheço o

ex-deputado. Que nunca o vi mais magro, taokey?

– Mas, presidente, vocês são amigos desde 2003. Naquele ano, o senhor se filiou ao PTB, partido do deputado. O parlamentar inclusive empregou seu filho, Flávio Bolsonaro, então com apenas 18 anos, no gabinete dele, em Brasília, com salário de quase 10 mil reais, mesmo seu filho morando e fazendo faculdade no Rio de Janeiro.

– Isso daê já é outra ‘cuestão’, taokey?

– Vai ser difícil convencer o eleitor que o senhor não tem ligação com o ex-deputado. Isso pode acabar respingando na sua candidatura…

– O eleitor tem memória curta. Diz aê no meu twitter, que não tem

nenhuma foto dele comigo. Nada. Zero.

– Isso não vai colar. Vão chamar o senhor de mentiroso, presidente. Só hoje, já postaram nas redes sociais mais de 20 fotos suas com ele.

– Fake news! Montagem, isso daê…

– Pense bem, presidente, o ex-presidente Lula já tem uma grande

vantagem sobre o senhor, se o senhor fraquejar pode perder a eleição.

– Taokey… Vamos gravar um vídeo dizendo que ele é amigo do Lula e que tem que ser tratado como bandido. E mais, manda o Anderson Torres voltar. Manda o padre Kelmon negociar com a PF.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"
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4 COMENTÁRIOS

  1. Eis uma bela oportunidade perdida. Se soubesse aproveitar o momento, além de 100 anos de sigilo ele teria 100 anos de perdão . . . vai precisar . . .

  2. Perseguição é fóda, ofensas, xingamento ainda q cruel não dá direito de cadeia fechada. Se o juiz vingador não tivesse abalado o emocional do réu nada disso estaria acontecendo. O fígado do juiz tá doendo desde o 1? episódio, o Jefferson não aguentou e exarcebou, era tudo q o juiz queria, mas, a vida da volta, e a vêz dele chegará, porque, com ferro fére com ferro será ferido.

  3. o tchuchuca foi o primeiro a fingir que nada tinha a ver com o assunto, mesmo depois de passar 4 anos falando em armar, metralhar, fuzilar, perseguir, exterminar etc etc etc . . .

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