Ediel Ribeiro: o livro verde e amarelo de Jair Bolsonaro – Parte II

Depois de “O Livro Vermelho”, de Mao Tsé-tung e “O Livro Verde”, de Muammar Kadafi, vem aí “O Livro Verde e Amarelo”, de Jair Bolsonaro

Não foram poucos os mandatários, do Planalto à Casa Branca, que já escreveram suas memórias.

Depois que soube que seu ídolo, o ex-presidente norte-americano Donald Trump escreveu o livro “Todo Mundo Odeia um Vencedor – Aprenda a Chegar ao Topo e Permanecer Lá”, Bolsonaro resolveu colocar no papel a história de sua odisseia improvável, desde quando era um jovem, tosco, rude e insubordinado militar até se tornar líder de uma das maiores democracias do mundo.

Com notórias dificuldades com a escrita, o capitão fez de seu livro um compilado de frases ditas durante a campanha e, principalmente, nos quase quatro anos em que bateu ponto como Presidente da República.

Algumas delas:

“Fui ser deputado federal para não andar de ônibus, fusca, van e morar bem.”

“Sou preconceituoso com muito orgulho.”

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.”

“O filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um couro e muda o comportamento dele.”

“O que nós queremos é que o Joãozinho seja Joãozinho a vida toda. A Mariazinha seja Maria a vida toda, que constitua família, que seu caráter não seja deturpado em sala de aula.”

“Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem para procriar serve mais.”

“Não te estupro porque você não merece.”

“Sou capitão do exército. Minha missão é matar.”

“O erro da ditadura foi torturar e não matar.”

“Pinochet deveria ter matado mais gente.”

“No período da ditadura, deveriam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.”

“Desaparecidos no Araguaia? Quem procura osso é cachorro.”

“Tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto dei uma fraquejada e veio uma mulher.”

“A Patrícia Campos Mello, jornalista, queria dar um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim.”

“Os gays não são semideuses. A maioria é fruto do uso de drogas.”

“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff.”

“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre.”

“Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro do auxílio-moradia eu usava para comer gente.”

“Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de Estado laico, não. O Estado é cristão e a minoria que for contra que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias.”

“Com toda certeza, o índio mudou. Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós.”

“Está cheio de pau de arara aqui e não sabem onde fica a cidade de padre Cícero.”

“Pau de arara funciona. Sou favorável à tortura. E o povo também é.”

“Não empregaria homens e mulheres com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente.”

“Os índios não falam a nossa língua, não têm dinheiro, não têm cultura. São povos nativos. Como eles conseguem ter 13% do território nacional?”

“Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente como a americana, que exterminou todos os índios.

“Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou quilombola.”

“Se eleito vou dar uma foiçada na Funai, mas uma foiçada no pescoço. Não tem outro jeito. Não serve mais.”

“Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas com um físico esquelético, como a gente vê em alguns outros países pelo mundo.”

“A Greta Thunberg já disse que os índios morreram por estar a defender a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa daí!”

“Apenas a diplomacia não dá! Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora.”

“Não sou coveiro.”

“E daí?”

“País de maricas.”

“Toma quem quiser, quem não quiser não toma. Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína.”

“Chega de frescura, mimimi. Vai ficar chorando até quando?”

“Quando pega Covid-19 num bundão como vocês, a chance de sobreviver é bem menor do que a minha.”

Ediel Ribeiro é jornalista e escritor.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"
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1 COMENTÁRIO

  1. Não, Ediel Ribeiro, não é cartunista, poeta e escritor carioca! Até porque poetas e escritores cariocas têm boa disposição e bom humor. Não têm tempo para o ressentimento e ódio.
    Ediel Ribeiro é um militante poliítico travestido de….

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