Ediel Ribeiro: Serafin

A decoração é típica dos botecos de grife. Azulejos até o teto, quadros com fotos antigas, recortes de jornais emoldurados e, logo na entrada, duas grandes geladeiras antigas"

Eu já conhecia o ‘Bar do Serafim’, boteco despojado, especializado na culinária portuguesa, com proposta de bar chique instalado, desde 1944, na Rua Alice, 24, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Então, quis conhecer o ‘Serafim’, de Moema, São Paulo. Mais jovem (fundado em 2008) que o xará carioca, o boteco paulista tem cara de carioca. É um lugar tranquilo para namorar, beber algo ou jogar conversa fora com os amigos. Um bar sem muitas frescuras, mas com um ambiente bonito e clima descontraído.

A decoração é típica dos botecos de grife. Azulejos até o teto, quadros com fotos antigas, recortes de jornais emoldurados e, logo na entrada, duas grandes geladeiras antigas. As TV´s, cada dia maiores, espalhadas pelo salão – uma praga presente na maioria dos bares paulistanos – quebra um pouco o clima de boteco raiz, mas dá para aguentar, desde que o som esteja baixo.

Saímos, eu e a Sheila, do Teatro Santander, onde fomos assistir o musical ‘Chicago’, com a intenção de conhecer o ‘Bar do Cofre’, instalado no subsolo do Farol Santander, conhecido antigamente como Banespão, no centro da capital paulista.

Já conhecíamos – da viagem que fizemos à capital gaúcha – o ‘Café do Cofre’, do Farol Santander, no centro histórico de Porto Alegre.

O prédio antigo (de 1927), que já abrigou quatro bancos, entre eles o Banco Sul Brasileiro – administrado pelo grupo Santander – hoje transformado em espaço de arte e cultura abriga um café dentro do cofre do banco, o restaurante ‘Moeda’ e a loja ‘Koralle’ (com livros culturais e material para desenho e pintura).

Mas, a noite no coração da cidade, com a cracolândia se espalhando pelo centro, não estava muito segura. Preferimos ficar mesmo no ‘Serafim’, na mesma quadra do ‘Estanplaza’, nosso hotel em Moema.

Os carros chefes do ‘Serafim’ são os filés aperitivos servidos em chapa de ferro, a picanha no rechaud, os escondidinhos, as parmegianas e a carne seca desfiada com aipim.

O bar tem algumas opções de caipirinhas diferentes, que levam essências e que deixam as combinações de frutas bem saborosas, como a Amarelinha, que leva manga, maracujá e essência de melão, com um toque de limão.

Servem também o Mojitão, um copo enorme que equivale a 5 copos do mojito tradicional da casa, feito com H2O no lugar da água com gás. Se estiver com muitos amigos vale a pena, pois a versão gigante da bebida tem o valor de apenas 2,5 copos do mojitinho.

Um sucesso absoluto na casa nada tem a ver com bebidas, é a sobremesa ‘Pecado Serafim’, um pedaço bem servido de bolo de chocolate com avelãs, recheado e coberto com uma calda quente, servido com sorvete!

Valeu a pena.

Jornalista, cartunista, poeta e escritor carioca. É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG) e Diário do Rio (RJ) Autor do livro “Parem as Máquinas! - histórias de cartunistas e seus botecos”. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) dos romances "Sonhos são Azuis" e “Entre Sonhos e Girassóis”. É também autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty", publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ), desde 2003, e criador e editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!"
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