Em transação bilionária e agressiva, Grupo Safra compra banco Alfa

A compra do Alfa é uma clara manifestação dos movimentos de expansão do Safra, que já havia reforçado os times de private banking e de gestão de fortunas

A negociação envolve dois grupos familiares tradicionais no mercado financeiro brasileiro: os Safra e os Faria / Divulgação

Envolvendo uma transação de R$ 1,03 bilhão, o banco Safra adquiriu o controle do conglomerado financeiro Alfa, dono do grupo Alfa. O montante foi pago à Administradora Fortaleza, empresa da família detentora das ações. A negociação compreendeu dois grupos familiares tradicionais no mercado financeiro brasileiro: os Safra e os Faria.

De origem mineira, o Alfa foi fundado pelo empresário Aloysio Faria, que faleceu em 2020, quando as suas cinco herdeiras decidiram vender o conglomerado, tendo Rothschild e Mattos Filho como assessores financeiro e legal da Administradora Fortaleza. Por parte do comprador, a assessoria financeira foi do J.Safra Investment Banking e do Pinheiro Neto Advogados. BTG Pactual, Bradesco, BR Partners, Inter e Daycoval, também teriam demonstrado interesse pelo Alfa, segundo o Valor.

A aquisição do conglomerado Alfa é uma clara manifestação dos movimentos de expansão do Safra, que já havia reforçado os times de private banking e de gestão de fortunas (áreas de atuação do Alfa), além do banco de investimento, através da contratação de José Olympio Pereira há um mês. A ampliação das áreas de atuação do Safra ocorre de forma simultânea no atacado e agora orquestrada com o Mergers & Acquisitions (M&A).

David Safra enfatizou, em comunicado ao mercado, que “a transação é um marco na história do banco no Brasil. Serão beneficiados clientes, funcionários e acionistas do Conglomerado Financeiro Alfa e do Banco Safra. Compartilhamos valores, visão de longo prazo e paixão por trabalhar, isso nos dá enorme confiança na sintonia e sucesso dessa operação”.

O conglomerado Alfa, que inclui ainda uma administradora de consórcios e uma seguradora, teve origem no Banco da Lavoura de Minas Gerais, criado em 1925. Na década de 1970, a instituição foi rebatizada de Banco Real, sendo vendida ao ABN Amro, em 1998, quando Aloysio Faria criou o Alfa, voltado para serviços corporate, private banking e wealth management no Brasil.

A venda do Alfa ao Safra representou um desfecho satisfatório para as herdeiras de Aloysio Faria, que desejavam manter a composição familiar e perfil conservador do banco, qualidades também encontradas no grupo Safra.

Administrado por executivos de longa carreira na instituição, o Alfa contou com o expediente quase diária de Aloysio Faria, na sede do banco, até os seus 99 anos de vida. O banqueiro tinha um estilo peculiar de dirigir a empresa. Ele o fazia através de bilhetes, que espalhava pela mesa, contratos e cadernos. Até mesmo em repostas de M&A, Faria os usava. Em certa ocasião, o banqueiro usou post-it para dar o retorno sobre a oferta: NÃO. Apesar do clima familiar da empresa, suas filhas não participavam da administração.

A rede de materiais de construção C&C, a marca de sorvetes La Basque, a produtora de óleos de palma Agropalma, e a Águas da Prata são fruto da diversificação patrimonial produzida por Aloysio Faria. Tal portfólio não foi negociado com o Safra, que soma R$ 270 bilhões em ativos e R$ 300 bilhões em recursos administrados.

Silvio de Carvalho, presidente do banco comprador, afirmou ao Valor que a compra do Alfa representa uma nova etapa na trajetória do Safra. Constatação validada por Fábio Amorosino, CEO do Conglomerado Financeiro Alfa, que afirmou: “É uma transação histórica no mercado financeiro brasileiro. Temos a convicção de que a operação entre os dois bancos seculares, fruto de trajetórias empreendedoras de sucesso e baseados em valores comuns, potencializará a qualidade, perenidade e excelência que sempre oferecemos aos nossos clientes e colaboradores.”

As informações são do site Valor.

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