Fotomontagem de como ficará o novo campus do Impa | Foto: Divulgação

Enrico Costa
Graduando em Economia pela UFF, com foco em Economia Urbana. Programador, carioca exilado Niterói, e membro do Instituto Mercado Popular.

Ao escolhermos uma opção em nossas vidas, nem sempre temos total noção de que a opção não-escolhida também terá um caminho próprio. Ao escolher namorar com uma pessoa, por exemplo, é escolhido não fazer tudo que estar solteiro poderia nos proporcionar: estarmos mais livres em nossas viagens e planos de vida, e também não ter o lado negativo dessa opção: não ter alguém pra ficarmos próximos em momentos de carência ou dificuldade. Além disso, estamos escolhendo como a vida da outra pessoa seguirá. E caso prefira estar sozinho, ou com outra pessoa, a vida do outro irá continuar, só que em outro lugar, por outro caminho, com outras pessoas.

O IMPA – Instituto de Matemática Pura e Aplicada, localizado no Jardim Botânico, bairro de pouco adensamento urbano, está querendo expandir suas bases para um terreno doado nunca utilizado, ao lado do Instituto, para a construção de auditórios, salas, e principalmente, 200 dormitórios estudantis, com refeitório e estacionamento. Isso quer dizer que duas centenas de alunos não precisarão pegar ônibus, ou ir de carro, até o Horto do Jardim Botânico, um bairro recheado de mansões, de difícil acesso, e segregado do Rio que conhecemos. É um dos bairros com menor densidade populacional da cidade, e muitos moradores querem que continue assim. Por isso, petições estão sendo criadas para evitar a construção no terreno – alegações como danos à natureza e aumento de trânsito em uma rua quieta e tranquila. 

O que esses cidadãos não percebem é que, o quanto mais eles incentivam que o Instituto não se expanda, mais incentivos fornecem para que ele queira abandonar o local, o que não favorece os moradores – beneficiados pelos preços dos aluguéis aos estudantes no entorno – nem a cidade, na geração de diplomas de altíssima qualidade pela mão-de-obra local e empresas que contam com esses diplomas para se estabelecerem na cidade, o que alimenta a economia da metrópole e aumenta a renda de todos os cariocas. Ao embarreirar a construção no Jardim Botânico, os moradores do bairro apenas estarão provocando o IMPA a construir em outro lugar. Na cidade, ou em outra localidade – como nas cidades serranas, a exemplo de Petrópolis, ou em outro estado.

O Rio de Janeiro é bagunçado, decadente, e criminoso. Motivos para ir embora não faltam. Se o IMPA ainda quer ficar conosco, é porque temos uma mão-de-obra qualificada a produzir uma Medalha Fields, de vez em quando – um “prêmio Nobel” da Matemática, em que Artur Avila, com doutorado pelo Instituto, ganhou em 2014. E a proximidade com a natureza pode evitar que seus estudantes enlouqueçam entre pesquisas de mestrado e doutorado. Mas, se continuarmos olhando para o nosso próprio umbigo invés de pensarmos num plano de desenvolvimento e recuperação de nossa cidade, estaremos forçando diversas instituições, como o IMPA, a continuar sua caminhada em outro lugar, por outro caminho. Sem a gente, sem o Rio.

2 COMENTÁRIOS

  1. Faz o seguinte: tira o IMPA e ponha uma favela das mais precárias no lugar do IMPA sem a expansão – assim o morador lá fica feliz que assim a expansão não ocorreu!

    Que ideia!! Que gente chata pra encrencar com o IMPA!! Encrenque com a desordem urbana e não com algo que traga orgulho pra cidade. Esses moradores que reclamam aí por suas vezes não devem fazer nada especial por nossa cidade… entre elas e o IMPA, o IMPA deve prevalecer.

  2. Exato!!!
    Uma escola de excelência, não querem…
    Não vi esse mesmo povo ser mais enfático contra a ocupação irregular que ocorre espantosamente DENTRO do JB….um absurdo!!!Uma favela em expansão, com muita gente espertalhona envolvida,só enfeiando a paisagem!!!Aí ninguém abre o bico!

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