Escolas municipais do Rio poderão ter jogos eletrônicos na grade extracurricular

Projeto de lei, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), visa ajudar na inclusão do público feminino da cidade no mundos dos e-sports

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Debate público sobre inclusão das mulheres no âmbito dos jogos eletrônicos, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Foto: Renan Olaz/CMRJ

O Rio de Janeiro poderá ter, em breve, jogos eletrônicos incluídos na grade extracurricular da Rede Pública Municipal de Ensino. É isso o que propõe o projeto de lei 2.232/2023, de autoria do parlamentar Vitor Hugo (MDB), que deve ser votado pela Câmara de Vereadores no segundo semestre deste ano.

Na última segunda-feira (03/06), a Frente Parlamentar em Defesa do Respeito às Mulheres do Universo dos Games, da Câmara Municipal do Rio, se reuniu para discutir obstáculos enfrentados por jogadoras em âmbito virtual.

O debate público, realizado no plenário do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, região central da capital fluminense, contou com representantes dos poderes Legislativo e Executivo, além de membros da sociedade civil.

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Para Vitor Hugo, seu projeto de lei ajudará na inclusão do público feminino carioca no mundo dos jogos eletrônicos desde a infância, propiciando ainda mais debates sobre os direitos das meninas.

”Nossa bandeira é discutir o preconceito que as mulheres sofrem neste ambiente. A Frente Parlamentar funciona como uma ferramenta de suporte para mulheres que sofrem com esse tipo de violência”, disse.

Corroborando com Vitor Hugo, Chandy Fonseca, coordenador de games da Secretaria Municipal da Casa Civil, pediu punição às pessoas que cometem preconceitos e destacou a importância da atuação do Rio nesse assunto.

”Nós precisamos punir de fato os que cometem misoginia e outros tipos de preconceito nesse tipo de ambiente. Isso servirá como exemplo e trará solução. Temos a oportunidade de fazer algo para inspirar outros poderes a tomarem medidas concretas”, ressaltou.

Já a gamer Marie Freire, representante da Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esportes Eletrônicos (Ferjee), contou que, para uma mulher ingressar em plataformas de e-sports, é preciso coragem. Segundo ela, os preconceitos e a misoginia fazem muitas mulheres desistirem.

”Desde quando escolhemos nosso nickname, já temos medo de ataques. Jogamos sempre duvidando da habilidade. Não há estímulo para mulheres neste ambiente”, comentou.

Freire ressaltou que a Ferjee vem desenvolvendo trabalhos de letramento digital ”desde a base” e que ”a realidade só vai ser mudada se o problema for tratado na raiz”. Além disso, a jogadora afirmou que, atualmente, a federação tem promovido competições inclusivas mistas.

Vice-presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames), Carolina Caravana, por sua vez, classificou como fundamentais as políticas de inclusão digital voltadas para mulheres. Ela diz que não se trata apenas do acesso à internet, mas também que é urgente informar e falar sobre violências vividas no mundo digital.

”Quem não tem acesso à informação é, de fato, mais vulnerável. Quando falamos de respeito com o sexo feminino, estamos discutindo algo fundamental para o desenvolvimento da indústria gamer. Isso precisa ser o nosso foco”, disse.

Por fim, Amanda Abreu, ex-atleta de esportes eletrônicos, explicou que o mundo gamer é uma das maiores indústrias e que mulheres precisam ser incentivadas a construir carreiras. Ela também relembrou as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira.

”Eu, enquanto jogadora, precisei esconder meu gênero, porque nunca consegui ter paz para jogar. Os crimes na internet nunca são vistos como importantes, como sérios. Tudo parece sempre ser pequeno demais, e esses crimes nunca são investigados”, concluiu.

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