CCBB recebe espetáculo sobre clássico ‘Dom Casmurro’ voltado à perspectiva feminina

Em cartaz até 07/05, peça ''Eu Capitu'' reflete sobre machismo e as dores femininas a partir da famosíssima obra de Machado de Assis

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Foto: Divulgação

O espetáculo ‘Eu Capitu’, que estreou na quarta-feira (12/04), permanecerá em cartaz até 7 de maio no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio. Com texto inédito de Carla Faour, direção de Miwa Yanagizawa e atuação de Flávia Pyramo e Marina Provenzzano, a obra, inspirada em um dos mais conhecidos romances da literatura brasileira, ‘Dom Casmurro’, revisita o clássico e o retrata a partir do olhar feminino.

No palco, as atrizes encenam uma história que se passa no Brasil de hoje, quando Ana, adolescente presa em um ambiente de tensão doméstica, presencia o fim de um relacionamento abusivo de sua mãe, Leninha, que começa a experimentar novas experiências com o término. A menina, cuja leitura obrigatória de ‘Dom Casmurro’ para o colégio segue incompreendida, costuma se isolar em um mundo imaginário para fugir de seus problemas. É neste refúgio que encontra uma mulher misteriosa e, aos poucos, descobrimos se tratar da própria Capitu.

“Logo de início, entendi que não queria uma peça realista. Se o assunto era muito duro e pesado, eu queria falar de uma forma doce e lúdica, com a criação de um universo simbólico e metafórico. No texto, o universo todo está na perspectiva desta menina, que sai da infância e entra na adolescência, um momento de extrema vulnerabilidade, e tenta entender as opções da mãe, o que é ser mulher e também o próprio livro de Machado de Assis”, resume a autora, que chama a atenção pelo fato de a peça dar voz a mulheres em um mundo que tem a narrativa masculina, seja na política, nas artes, na história ou nas famílias.

“Nos interessa instigar o olhar da plateia, convidá-la a imaginar outras possibilidades narrativas, tomar consciência das coisas se valendo de mais de uma perspectiva. Portanto, juntas, levantamos questionamentos e nos apropriamos deles para desdobrá-los ao invés de buscar soluções definitivas”, analisa a diretora, recentemente premiada com o APTR de Melhor Direção por ‘Em Nome da Mãe’ (2022) e ‘Nastácia’ (2019), que também venceu o Prêmio Shell de Teatro.

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O convite a diretora foi feito pelo produtor Felipe Valle, também idealizador do projeto, após testemunhar, indiretamente, um episódio de violência doméstica em que não conseguiu intervir e teve a denúncia recusada pela polícia. O sentimento de impotência o levou intuitivamente a pensar em ‘Dom Casmurro’ e, ao reler o livro, com os olhos de agora, percebeu toda a violência contida naquele clássico:

“Somente em uma segunda leitura consegui entender que era preciso olhar para aquela história com outros olhos e isso só seria possível com esta equipe de criação majoritariamente feminina. Eu trabalhei este livro em sala de aula por anos e hoje consigo perceber como é necessário analisá-lo por outro prisma, tentar, de alguma forma, entender essa história do ponto de vista da Capitu e como isso se relaciona com a realidade de hoje, ainda em 2023”, conta o produtor.

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