Estado planeja lançar ações da Cedae na Bolsa de Valores

Presidente da companhia afirma que um inventário com 1.600 imóveis da estatal, que estão vazios, também está sendo criado para futuras vendas

Foto: Reprodução/Internet

Uma nova fonte de receita pode ser gerada para a empresa de saneamento Cedae, pois, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pretende lançar ações da estatal na Bolsa de Valores de São Paulo em 2024. Além disso, também está previsto a criação de um inventário de todos os 1.600 imóveis da companhia e selecionar os 52 primeiros que já foram incluídos num fundo imobiliário, criado no fim de dezembro e gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A ideia é começar a ter rentabilidade com esse patrimônio no segundo semestre deste ano.

O presidente da Cedae, Leonardo Soares, explica que a expectativa com o fundo imobiliário é que, em mais um mês, o BNDES consiga detalhar qual a destinação dos primeiros imóveis escolhidos. Entre eles, há um na Rua Mena Barreto 70, em Botafogo, hoje usado como depósito de bens inservíveis de pequeno porte que serão levados a leilão. Outro é um prédio vazio na Rua de Santana, 235, no Centro, e também há na lista um terreno de uma antiga elevatória, na Rua Equador, 76, no Santo Cristo. Todos os imóveis lidam, atualmente, com a falta de uso.

“Inventariamos todos os nossos imóveis (exceto os cedidos pelo estado para concessionárias, para que operem os serviços de saneamento), em um levantamento que levou um ano. Agora, estamos trabalhando na formalização de 100% deles. Estimo ter cerca de 500 aportados no fundo. É o BNDES, como administrador imobiliário, que vai avaliar corretamente, sob o ponto de vista econômico-financeiro, o que é melhor fazer com cada um deles: se alugar, arrendar, vender ou dar como garantia”, explica Soares.

O presidente da companhia acrescenta que não há uma estimativa de quanto é possível auferir com esses bens e que ainda cita soluções alternativas que poderiam ser dadas para aproveitar o patrimônio da empresa.

“Há, por exemplo, um terreno que temos no Mourisco (Botafogo), que é uma praça sob a qual passa uma adutora, que podemos alugar para feiras. E elevatórias, onde poderia ser colocada propaganda. Temos cenários que estão sendo levantados, para que, uma vez enxergados, possamos traçar estratégias para persegui-los. Nós, como cotistas únicos do fundo, vamos receber os frutos consequentes disso”, conclui Leonardo.

Imóveis

Os 52 primeiros imóveis aptos a integrar o fundo imobiliário somam mais de 214 mil metros quadrados de área. Desse total, 24 estão no município do Rio, em bairros como Maracanã, Gávea, Tijuca, Penha e Alto da Boa Vista. Dos outros 28, seis ficam em São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo, na Baixada, têm dois cada.

Ao fundo, deverão ser acrescidos outros imóveis, fruto de desmembramentos em terrenos parcialmente cedidos às concessionárias para operarem o saneamento. É o caso de um terreno em Deodoro, onde funciona uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), em que quatro quintos dele deverão ser incorporados ao patrimônio da Cedae para que possam tornar-se rentáveis.

Bolsa de Valores

Leonardo Soares, presidente da Cedae, afirma que foi feito um ensaio sobre o preço da empresa, considerando ações e o Ebitda (indicador financeiro muito usado para avaliação na Bolsa de Valores) de outras empresas de saneamento e as condições especiais de contratos de longo prazo diferenciados celebrados com as concessionárias dos quatro blocos. Chegou-se, hoje, a um valor de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões para a companhia.

“A nossa ideia é fazermos os ajustes necessários, uma remodelagem, para que o governador, se assim o desejar, possa lançar ações na Bolsa, a preço maiores do que seriam se isso acontecesse hoje. Quanto mais valorizada a empresa, mais ela vai lucrar, mais ela vai ter possibilidade de investir, de reverter isso em benefício da população, no caso de o estado ser o sócio majoritário. Acredito que no fim de 2024, a Cedae já esteja valendo entre R$ 16 bilhões e R$ 20 bilhões”, prevê o presidente.

A Cedae é uma empresa de economia mista, em que 99,9% das ações são do governo do estado. A princípio, a intenção é fazer o lançamento de papéis no mercado nacional, o que não impede que haja investidores internacionais interessados. São os estudos que vão dizer qual o melhor caminho a seguir. O estado poderá, por exemplo, ser acionista majoritário (com um pouco mais de 50% das ações, como acontece com a Sabesp, do governo paulista) ou até vender a maioria das ações, desde que mantenha a presidência e o poder decisório no conselho de acionistas.

Para fazer um bom IPO (oferta pública inicial), alguns ajustes serão necessários, como obter uma certificação internacional, entre outras, como explica o diretor financeiro da Cedae, Antônio Carlos dos Santos: “Preciso diminuir o custo Cedae, porque a visão nossa hoje é o lucro. Trata-se de uma empresa de capital aberto. Nosso principal objetivo é a prestação de serviço, mas temos também que pensar na lucratividade, porque a companhia precisa remunerar os seus investidores, entre eles o governo do estado. Este vai ser um ano difícil em relação a gastos”.

Demissão Voluntária

Uma das medidas a serem implementadas deverá ser o lançamento de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A intenção é enxugar o quadro de pessoal, de cerca de 3.200 funcionários (servidores e contratados), em 25%. O diretor financeiro ainda diz que contratos serão revisados. “A gente tem que estar com uma empresa com uma contabilidade redonda e com todos os fornecedores em dia”, acrescenta Santos.

O diretor estima em 40% a necessidade de redução de custos. Os principais são os com energia, de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, e os com produtos químicos, de R$ 970 milhões anuais.

Fonte: CEDAE

Adequar o passivo (de R$ 1,7 bilhão) à realidade será outra iniciativa: seja renegociando créditos devidos, seja retirando dos demonstrativos o que não tem como ser recebido. Tentar equacionar dívidas trabalhistas (somam cerca de R$ 200 milhões) é mais uma medida a ser adotada.

Oferecer serviços nos quais tem expertise às empresas de saneamento é outra iniciativa — prevista em lei desde que usando a mão de obra da Cedae — que será intensificada.

A Cedae fecha o balanço de 2021 no fim de março. Santos antecipa que, do orçamento de R$ 3,2 bilhões, deve encerrar o ano passado com lucro de R$ 390 milhões. A empresa está com um caixa de R$ 2,5 bilhões, aplicados, e R$ 2 bilhões em financiamentos com a Caixa, a grande maioria para executar as obras do Guandu 2.

Informações são do Jornal Extra.

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