Everton Gomes: Betinho, o símbolo da cidadania que nos inspira e nos move

Referência no combate às injustiças sociais, Betinho alertou a todos nós sobre a necessidade urgente de se combater a fome

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Cozinha Comunitária (Foto: Prefeitura do Rio/Divulgação)

Tenho acompanhado a repercussão da série “No fio da navalha”, que conta a trajetória do sociólogo Herbert de Souza (1935-1997), o nosso inesquecível Betinho. Referência no combate às injustiças sociais, Betinho alertou a todos nós sobre a necessidade urgente de se combater a fome – um flagelo que, até hoje, atinge milhões de brasileiros. “Quem tem fome, tem pressa”, costumava dizer o nosso querido ativista dos direitos humanos.

Inspirados no exemplo do idealizador da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, não temos medido esforços na Secretaria Municipal de Trabalho e Renda do Rio para ampliar o programa Prato Feito Carioca. Já são 19 cozinhas comunitárias que distribuem, todos os dias, refeições gratuitas para quem mais precisa dentro do programa da Prefeitura do Rio. Agora, nessa semana que antecede o Natal, inauguramos duas novas cozinhas, ambas na Zona Oeste do Rio: uma no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, e outra em Cosmos. Esta última está localizada em um dos 20 bairros com menor IDH da cidade, critério fundamental para a nossa intervenção. Hoje, são 280 beneficiários em cada uma das cozinhas que, todos os dias, buscam alimento para si e para suas famílias. Desde o princípio da iniciativa, importante dizer, já servimos 2,7 milhões de refeições balanceadas e supervisionadas por nutricionistas em instituições referenciadas espalhadas por toda a cidade

Conversando com os beneficiários, ouço relatos comoventes e, ao mesmo tempo, estimulantes. Histórias como a de Rute Souza, de 72 anos, beneficiária da cozinha no Terreirão, que trabalhava como professora primária e, hoje, depende do recebimento do BPC para sustentar a ela e ao marido. “Me ajudou muito, e ajuda a muita gente, não só a mim. Agora, já não preciso mais fazer tantas compras”, disse Rute, no último dia 20. A exemplo dela, Eliane de Fátima, de 52 anos, também nos inspira com sua história. Beneficiária do programa em Cosmos, ela está com o marido, pedreiro, sem poder trabalhar por conta do diabetes. Graças às refeições da Cozinha Comunitária Carioca, o casal e o neto de 16 anos têm comida à mesa. “Agora, meu neto já pode voltar a estudar, para cursar o Ensino Médio”, explicou.

O neto de Eliane, que deseja conjugar a escola com um curso profissionalizante, é justamente o desfecho que desejamos para a situação de vulnerabilidade dos beneficiários das 19 Cozinhas Comunitárias Cariocas. É um programa em que damos o peixe, mas também procuramos ensinar a pescar. E como? Com o Trabalha Rio, oferecemos a esses milhares de cariocas participação em processos seletivos de empresas. E, para aqueles há muito tempo sem trabalho formal, cursos de qualificação profissional pelo Rio +Cursos. Queremos todos com autonomia, êxito no trabalho e a dignidade e a proteção que a CLT e a Previdência Social garantem. Isso é a verdadeira emancipação. Inspirados no exemplo de Betinho, de dar a mão ao próximo, socorrendo-o nos momentos de vulnerabilidade, queremos com essas iniciativas abrir portas para àqueles que mais precisam. É isso que nos move e continuará nos movendo em 2024.

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1 COMENTÁRIO

  1. Toda ajuda é necessária, mas vamos com calma. Esse papel sempre foi das pessoas comuns, associações, igrejas, grupos religiosos. Antes de Betinho, milhares de pessoas contribuíram, dedicaram suas vidas em auxílio aos mais pobres e miseráveis. Seria uma injustiça esquecer das pessoas que sempre ajudaram os mais pobres neste país, mas sem marketing, sem grife. Betinho apenas deu um “verniz”, ganhando assim notoriedade. Diga-se de passagem, que esse tipo de “ação social” sempre foi criticada historicamente pela esquerda, dizia ser um paliativo inútil que não resolveria o problema do mais pobre. E não resolve mesmo, a clientela só aumenta. A multiplicação desses bandejões, restaurantes populares, entregas de marmitas e café da manhã é bem-vinda pra quem tem fome, mas antes de ser comemorado, é um sintoma de vulnerabilidade, de dependência e de miserabilidade no estado e no município. Uma lástima!

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