Ferro-velho ilegal ocupa imóvel do Governo do Estado no Centro e tem ‘seguranças’ policiais civis

O ferro-velho teve a luz e água cortadas, e teria duas filiais: na Frei Caneca e na Central. A presença de policiais civis fazendo a segurança do estabelecimento pode indicar a atuação de milícias no local.

Grande operação da Prefeitura fecha Ferro Velho que funcionava em imóvel do Governo do Estado, na Rua da Constituição, 25. (Prédio Azul, do lado direito do prédio com o toldo verde)

Quem passa pelas imediações da esquina da rua da Constituição com a rua Regente Feijó fica meio chocado com o movimento de moradores em situação de rua e viciados carregando ferros, metais, pedaços de bronze, e sacos e mais sacos de detritos metálicos. Mas chocado ainda fica quem passa pela região e vê as imensas caçambas de ferro colocadas pelos invasores que administravam um ferro-velho ilegal na Rua da Constituição, número 25, praticamente em frente à sede da Subprefeitura do Centro Histórico, que fica no número 34. As caçambas, imensas, ocupam simplesmente um trecho inteiro da rua Regente Feijó (foto). As duas ficam no meio da rua, e não deixam espaço para carros passarem. Suspeita-se do envolvimento de milicianos.

O prédio da rua da Constituição 25 pertence a ninguém menos que ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, e se encontra invadido há anos. O estabelecimento funcionava ilegalmente. No térreo, estava estabelecido o ferro-velho irregular, e na parte de cima, existe uma espécie de cortiço, que, segundo moradores da região, abrigaria até traficantes de drogas. Hoje, uma grande operação da Prefeitura do Rio de Janeiro foi ao local, acompanhada de equipes da Águas do Rio e da Light. A operação, de grande porte, contou com a presença do Secretário Municipal de Planejamento Urbano Washington Fajardo e do Secretário Municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale. A inspeção teria encerrado as atividades do ferro-velho, que teve seu fornecimento de energia cortado, pois não estava regular. Coube à COMLURB fazer a limpeza da loja térrea. Não se tem notícia de que o Governo do Estado tenha recuperado a posse da loja invadida.

O DIÁRIO DO RIO esteve lá e verificou com moradores que a região havia se tornado também ponto de venda de drogas, com consumo constante de tóxico bem na esquina e junto às caçambas, assim como na porta da loja. Uma moradora da região que pediu para não ser identificada disse que o segundo andar do prédio 25 do Governo do Estado seria “moradia de traficantes“. Ela disse também que as caçambas que ficam a céu aberto eram utilizadas para depósito do material que é legalizado, como latas, garrafas PET e materiais catados do lixo. Ainda segundo ela, os casarões invadidos na região seriam utilizados para receptar o material dos roubos e furtos, como pedaços de monumentos, grades, tampas de bueiro, hidrômetros, e fios de cobre. Estes itens ficariam armazenados nos imóveis invadidos, até que possam ser retirados, à noite ou em feriados.

O imóvel 25 da rua da Constituição está invadido pelo ferro-velho, que teria mais duas “filiais”. Uma na Frei Caneca e outra junto à Central. A parte de cima do imóvel seria ocupada por “moradia e esconderijo” de traficantes, segundo moradores, que denunciam a venda e consumo de drogas no local, e na esquina da Regente Feijó.

Uma incursão da reportagem no local pôde levantar muito acerca do modus operandi dos criminosos. Descobrimos que o ferro-velho que funcionava até hoje no prédio do Governo Estadual tinha até seguranças. Segundo o catador de lixo que se identificou como Júnior, o local seria guardado por policiais civis “fazendo bicos”, atuando diariamente no local. O rapaz explicou que o estabelecimento irregular teria até “filiais” na Frei Caneca (foto abaixo) e junto à Central, perfazendo um total de 3 pontos receptadores constantes de material furtado; os três estabelecimentos se juntariam para custear as imensas caçambas. Júnior disse que um outro imóvel invadido na Visconde do Rio Branco, 19 – este pertencente ao Rio Previdência, segundo levantamos – também seria utilizado pelos criminosos como depósito de material furtado e base para o cometimento de outros crimes. Tentamos nos aproximar da “filial” da Frei Caneca, mas nossa reportagem foi abordada por “seguranças” que informaram que seria “proibido” tirar fotos no local. Segundo um atendente de um bar localizado nas proximidades, seria de propriedade de um “casal” de milicianos.

Também ali na Frei Caneca, esquina com a rua Moncorvo Filho – a mesma da Faculdade de Direito da UFRJ – mais caçambas imensas ocupam, absurdamente, o logradouro público, servindo de depósito para toneladas e mais toneladas de “detritos metálicos”, que ninguém sabe exatamente como são negociados. A sistemática parece ser a mesma: parte do que é comprado pelo ‘comerciante’ vai para a calçada pública, dentro das caçambas: latinhas, garrafas PET e etc. E parte vai para a parte de dentro dos casarões. Qual será a diferença entre o que fica fora e o que é armazenado lá dentro?

A foto, que tiramos via Google Street View, em virtude de termos sido proibidos de fotografar o local por “seguranças”, mostra exatamente o que vimos ‘in loco’: Imensas caçambas jogadas no meio da rua, cercadas de caminhões e moradores de rua carregando sacos e mais sacos de lixo, e ‘burrinhos sem rabo’ carregando metais. Estivemos no local em 31/01/2022 e encontramos exatamente o que se vê nesta foto do Google datada de agosto de 2021.

Na madrugada desta terça (01/02), estivemos em campo até agora (2:06 da manhã). Encontramos os criminosos em polvorosa. Mais de 40 pessoas com carrinhos e mais carrinhos de “lixo” se aproximaram do ex ferro-velho da Constituição 25, e encontraram o ‘estabelecimento’ fechado, finalmente. Alguns deles carregavam o que pareciam ser toldos de lojas comerciais, daqueles de enrolar. Verificando que o crime parou de ser cometido no local, passaram a se dirigir à Praça Tiradentes com todo o material que lá seria depositado. Não conseguimos nos aproximar para ver o número do prédio em que acabaram jogando todo o material, mas vamos seguir monitorando.

Segundo especialistas em segurança, a presença de policiais civis fazendo a segurança do ferro-velho irregular, em imóvel público invadido e ocupado também por outras atividades ilícitas pode significar a atuação de milícia no local. A atividade de receptação de materiais roubados seria uma renda acessória para milicianos atuando no Centro do Rio.

Visando mitigar todo este imbróglio, o Vereador Dr. João Ricardo (PSC) trabalha num projeto para proibir a existência de ferros-velhos em regiões que não sejam eminentemente industriais. Todavia, tendo em vista que o estabelecimento alvo desta reportagem sequer possuía legalmente o imóvel que utilizava – era mais uma invasão criminosa – parece cada vez mais longe a solução deste problema. Por ser um imóvel invadido, o negócio sequer possuía alvará de localização da Prefeitura, e comercializava ilegalmente, sem recolher qualquer tipo de imposto, a partir de um prédio que na verdade é propriedade do Governo Estadual, que parece não ter ainda capacidade de gerir corretamente seu portfólio imobiliário.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Antes de culpar seja policiais civis ou milicianos de atuarem na região, temos que culpar a prefeitura e o estado pela falta de fiscalização. O que esses agentes fazem durante um ano de trabalho? Há anos estes estabelecimentos irregulares, antro de criminosos e insalubridade, funcionam.

  2. Engraçado como vejo o diário do Rio arrebentando os ferros velho em matérias toda semana,agora vai na favela e faz matéria,vai na Lapa e faz matéria procura denunciar onde estão vendendo drogas lá também,vai lá fazer matéria dentro do jacaré, manguinhos,Mandela, arará, mangueira,barreira do Vasco, Tuiuti,vai lá denunciar também,ou só fazem por que é no centro da cidade.

  3. O Rio e uma cidade largada de tudo , mais tem jeito de mudar e só nossas autoridades e governo fazer o que tem que ser feito . E deixar de olhar só para carnaval e outras coisas mais .

  4. O Rio é um estado movido pelas mazelas de um povo acostumado com coisas erradas, é preciso muito mais que isso pra devolvê-lo ao cidadão, mas já pode ser um começo.

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