#ForaDosTrilhos: Mulheres que sofreram assédio em estações e trens encontram dificuldade para denunciar

A terceira matéria da série fala sobre assédios que acontecem, inclusive, no vagão feminino

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Estação de trem de Quintino, subúrbio do Rio de Janeiro | Foto: Rafa Pereira - Diário do Rio

As denúncias de assédios em trens e estações da SuperVia são frequentes. É sobre isso que vai tratar a terceira matéria da série #ForaDosTrilhos, do DIÁRIO DO RIO.

Em julho do ano passado, uma denúncia de assédio em um trem da SuperVia foi notícia em todo o Rio de Janeiro. Larissa Almeida relatou em suas redes sociais que um homem sentou à sua frente e começou a se masturbar. Em seguida, ela gritou em busca de ajuda e passou a filmar a ocorrência. Tudo aconteceu dentro de um vagão do ramal Japeri.

Nós passamos por isso todos os dias e ontem eu resolvi não me calar”, disse a vítima no dia do crime. Após o relato de Larissa nas redes sociais, outras mulheres comentaram falando que já passaram por situações parecidas. Inclusive com o mesmo assediador. Todavia, é muito comum não denunciarem por medo ou falta de mecanismos mais práticos que facilitem denunciar. No dia em que tudo ocorreu, um policial viu a situação no trem e levou o homem até a 63ªDP. O caso foi registrado como importunação sexual.

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Reprodução redes sociais

Contudo, alguns casos não viram notícia. Um deles aconteceu com a professora Ana Paula Furtado. Ela entrou no vagão feminino, no horário reservado às mulheres, e muitos homens presentes no trem ficaram olhando para ela, intimidando.

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“Eu fiz a linha toda, de Santa Cruz até a Central. Era uma sexta-feira à noite e quando cheguei na Estação Maracanã só tinha eu e mais três homens, dentro do trem, no vagão feminino. Foi a sensação de terror, porque fica a clareza de que se quisessem fazer algo comigo ali, fariam. Porque não tinha mais ninguém para ajudar”, disse ela.

Em outro horário, pela manhã, também no período reservado somente às mulheres, Ana também viu muitos homens no vagão feminino. Ela registrou a situação no vídeo que você pode ver abaixo.

Segundo os guardas da SuperVia ouvidos pelo DIÁRIO DO RIO, a fiscalização em relação ao vagão feminino só acontece na Central ou em Deodoro, pois não há seguranças o suficiente para olhar todas as estações e trens.

“Acho que tinha que ter mais segurança nas estações e mais informações para sabermos para quem ligar em caso de assédio. Quase não tem avisos nos trens e estações para sabermos o que fazer em caso de assédio ou de outros crimes”, afirma a professora Ana.

A SuperVia informou ao DIÁRIO DO RIO que “lamenta e repudia casos de desrespeito às mulheres. Como se trata de uma questão sobre comportamento, a concessionária veicula avisos sonoros e realiza, constantemente, campanhas de conscientização para orientar e ampliar a boa convivência dentro dos trens”

Além disso, disse que: “Os telefones para denúncias ficam localizados dentro das composições e nos quadros informativos das estações. Em situações de assédio, os funcionários devem acionar a Polícia Militar, ação que, por vezes, culmina em detenções ou prisões. Os agentes de segurança da SuperVia não têm poder de polícia, não andam armados e a função deles tem como principal objetivo informar, orientar e garantir o bem-estar e a integridade dos passageiros”

A próxima matéria da série ForaDosTrilhos vai falar sobre incidentes que terminaram na morte de pessoas em trens e estações do Rio de Janeiro.

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