Fórum de Soluções do Porto Logístico debate melhorias e necessidades do setor

Evento, que aconteceu na última sexta-feira, contou com a participação de importantes nomes do mercado logístico e apoiadores da região

Foto: Genaro Braga

O Porto do Rio é uma região de enorme potencial para desenvolvimento econômico, que impacta diretamente no PIB da cidade, mas que ainda precisa percorrer um longo caminho para alcançar o progresso necessário. Visando discutir as melhorias que o setor do porto logístico ainda necessita, foi realizado na última sexta-feira (16/12) o I Fórum de Soluções do Porto Logístico. O evento, realizado no Novotel Porto Atlântico, contou com a participação de importantes nomes do mercado logístico e apoiadores da região.

O evento foi realizado pelo Clube Empreendedor Brasil em parceria com a Triunfo Logística e tem apoio de entidades e empresas como SINDOPERJ, FECOMERCIO, SINDAERJ, Sérgio Castro Imóveis e GoTo.

Dividido em 5 mesas com os temas: Integração Porto Cidade, Economia do Porto Logístico, Atração de Novos Investimentos, Integração de Modais no Circuito Logístico e Internacionalização e Benefícios Fiscais, foram debatidas soluções e possíveis melhorias que o setor precisa.

Presente no evento, Daniel Lamassa, subsecretário de Óleo, Gás e Energia na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do Rio de Janeiro participou de uma das mesas, que discutia a economia do porto logístico, em especial em relação ao mercado de energia e de óleo e gás.

Quero deixar claro que o estado do Rio de Janeiro está em Regime de Recuperação Fiscal. Ou seja, a gente não pode ter muita criatividade para dar benefícios, senão a gente fere o Regime e o Estado quebra. Uma coisa que eu posso dizer é que já está sendo repensada a nova Riolog, mas existem problemas que não são fáceis de resolver, principalmente com isso do regime de recuperação fiscal”, disse.

Apesar disso, ele destacou que algumas ações já estão sendo feitas e/ou pensadas, como maneiras de incentivar a capacitação e o desenvolvimento do setor: “outro ponto que nós estamos fazendo é que existem cerca de 15 distritos industriais, não estou certo do número, mas com o Pacto RJ vão ser criados mais quase 20 distritos industriais no Estado. Então, esses distritos industriais vão precisar de peças, vão precisar de mão de obra e principalmente do Gás Natural. […] Na parte de capacitação, já estamos para assinar um memorando de entendimento junto ao Sindistal, temos também projetos junto ao Sebrae e outras associações para levar capacitação aos municípios do estado”.

Já na mesa que discutia a atração de novos investimentos para a região, o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários Mário Povia falou sobre como o trabalho do governo do Estado, em parceria com a iniciativa privada, pode ajudar o setor: “do lado da provisão de infraestrutura, é criar condições para viabilização de negócios. Do lado da prestação de serviços, prestar um serviço de excelência. E aí eu queria realçar os bons parceiros que nós temos no setor de infraestrutura e no setor portuário. É fundamental essa atuação do governo com os demais stakeholders, e eu sou testemunha dessa agenda que o governo do estado tem buscado fazer, ouvindo todos os envolvidos e buscando mapear e entender como o poder público estadual pode atuar em conjunto para desenvolver novos negócios e atrair mercados para o Rio de Janeiro”.

Povia destacou ainda a limpeza da Baía de Guanabara, na qual estão sendo retiradas embarcações abandonadas: “um trabalho difícil, mas que está sendo bem trabalhado transversalmente, porque envolve muitos órgãos e muitas autoridades, mas está sendo desenhado para deixar a Baía de Guanabara em condições operacionais mais favoráveis”.

Foto: Genaro Braga

O secretário citou ainda que o Rio é muito competitivo no mercado de óleo e gás e na prestação de serviços do mercado offshore, e que na Baía de Guanabara, Angra dos Reis e Itaguaí há uma série de atividades possíveis de se desenvolver, seja com transbordo, seja com geração de energia. Ele abordou ainda sobre o acesso através de transporte terrestre:

Um ponto que eu acabei não falando ainda, mas é importante: os acessos terrestres. Melhorar os acessos terrestres, sobretudo no porto do Rio, com uma ligação direta da Avenida Portuária, mas também citar a grande facilidade de acesso que existe do ponto de vista terrestre do porto Itaguaí, com o Arco Metropolitano”, finalizou.

Jean Paulo Castro e Silva, que é diretor de Negócios e Sustentabilidade da Cia DOCAS do Rio de Janeiro, se mostrou otimista com o setor.

A gente vê boas perspectivas de novos investimentos, tanto do poder público quanto da iniciativa privada. O Rio de Janeiro é uma base importante de apoio à operação offshore, então a Petrobras, que já tem operações no nosso porto, e a Triunfo, por exemplo, têm previstos novos investimentos visualizando oportunidades. A própria Petrobras apresentou estudos para fazer um arrendamento de longo prazo com a gente, hoje a Petrobras opera no porto com um contrato de transição e com base nesses estudos tem uma perspectiva boa de investimentos”, disse.

Jean ainda finalizou dizendo que há uma boa perspectiva para os próximos anos: “nos próximos 2 anos há a oportunidade do porto do Rio ser totalmente arrendado com esses estudos que já estão em fase de aperfeiçoamento”, finalizou.

Apesar das tentativas de contato com a Prefeitura do Rio para saber sobre as ações planejadas para a região do porto, não conseguimos retorno. A atuação municipal também foi discutida no fórum, quando o diretor presidente na Logística Brasil, André de Seixas, falou sobre a falta de ação da prefeitura em favor do setor: “não há nada da prefeitura do Rio que venha em benefício do porto. É vergonhoso falar isso, mas é verdade […] o porto não dá voto… se desse voto, estaria todo mundo aqui. Político vem aqui e fala “vou fazer”, mas não faz. A relação porto x cidade praticamente nem existe”.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Não sei se estou lendo em mandarim ou em português. Quem primeiro alavancou o projeto de ressignificação da região portuária foi a prefeitura. Se esse evento aconteceu onde aconteceu foi porque a prefeitura criou as condições para isso. Onde está a omissão da prefeitura? Existe inclusive um órgão municipal para gerir e incentivar a ocupação e o desenvolvimento dessa região que se chama CDURP. Agora, se a intenção é ser do contra, ou ser ignorante em relação aos fatos, aí é outra conversa..

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