Diretor: M. Night Shyamalan (Sexto Sentido, A vila, Corpo Fechado, Dama na água)
Elenco: James McAvoy; Anya Taylor-Joy; Betty Buckley

Gosta de suspense? Então pega a pipoca e vem comigo!

Sexto sentido, aclamado filme do diretor e roteirista M. Night Shyamalan, é o meu longa de suspense preferido. Assim, na cara e na coragem, sem fazer concessão a outros (tantos) bons que tem por aí.

O filme pode ter diversas falhas técnicas, o que não é o caso de Sexto Sentido, mas se causar impacto no público já é o suficiente para gerar burburinho e consequentemente, bilheteria. E Sexto Sentido causou esse impacto em mim.

Com a missão de resgatar o impacto de suas obras anteriores como Corpo Fechado e A vila e fazer o público e crítica esquecerem fracassos como A dama na água e Fim dos tempos, Shyamalan ressuscita com categoria para trazer às telonas o suspense que ela merece.

Fragmentado conta a história de Kevin (James McAvoy), um rapaz que sofre do transtorno dissociativo de identidade e convive com 23 personalidades no seu interior. Para concretizar um plano obscuro, ele sequestra três meninas e as trancafiam em um cativeiro.

Para além da luta pela liberdade e sobrevivência, a história vai descortinando a vida e a essência dos personagens principais, Kevin e Casey (Anya Taylor-Joy – ‘A Bruxa’), uma das adolescentes raptadas.
Percebe-se a química entre McAvoy e Anya na cena em que Casey tenta dialogar com uma das personalidades de Kevin, a criança Hedwig de 9 anos.

Nesse instante ficamos alerta para as maravilhosas cenas que a dupla encenará adiante, cada um com seu devido brilho individual. A menina, destaque no Festival Sundance pelo filme A Bruxa, parece se sair bem nos papéis em que precisa interpretar alguém com problemas.

A sequência de flashs dos momentos da vida da personagem impacta e suscita a curiosidade do telespectador, porém são suas cenas de desespero mudo que prendem o fôlego e a atenção, embora seja desnecessária a hipersexualidade da personagem em cenas triviais como a que está dormindo (note que o corpo da menina é quase de criança, mas os seios ficam em evidência em várias tomadas).

A atmosfera do filme é toda densa marcada pelos tons escuros e ambientes sufocantes, tampouco o consultório da Dra Fletcher (Buckley) ameniza o clima de tensão, pelo contrário, o corrobora. E por falar na médica, um dos questionamentos é: como alguém aparentemente tão brilhante comete erros crassos no tratamento do paciente?

Por sorte, não foi do interesse de Shyamalan entrar no assunto do transtorno de forma profunda. Isso lhe evitou lacunas e perguntas embaraçosas, já que ter cenas mais trashs fazem parte do trabalho do diretor (embora eu desejasse que nesse filme o assunto fosse abordado de forma mais inteligente).

Entretanto, apesar de Fragmentado ter arrecadado mais de R$78 milhões de dólares apenas em duas semanas em cartaz e mais de R$135 milhões de dólares de janeiro pra cá, não chegou ao Brasil com muito alarde. Fica o apelo dessa simpática colunista para que prestigiem esse bom retorno de Shyamalan.

Ele merece.

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