Funcionários do Metrô Rio fazem curso de combate ao assédio das mulheres no transporte público

A iniciativa é resultado do programa Empoderadas, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a concessionária

Governo do Estado faz trabalho de conscientização de funcionários do Metrô sobre violência contra a mulher / Divulgação

Um levantamento realizado pelo Instituto Patrícia Galvão verificou que 97% das mulheres entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio nos transportes públicos. Com base em tal realidade, o Programa Empoderadas, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, estabeleceu uma parceria com o Metrô Rio para a capacitação dos funcionários para lidar com situações de violência contra a mulher. O treinamento com os homens da instituição aconteceu, nesta quinta-feira (15), e durou quase três horas.

A fundadora e coordenadora do Empoderadas, Erica Paes, destacou o ineditismo do curso de capacitação dos funcionários do Metrô. Ela disse ainda que a ação é voltada para combate à violência e não aos homens. Segundo Erica Paes, o objetivo da ação é “ transformar esses funcionários em ferramentas de acolhimento para essas mulheres”.

 “Esse é um trabalho inédito com homens. Nós não somos contra os homens, e sim contra a violência. Nesta parceria com o Metrô Rio nós ensinamos ferramentas para que os homens saibam como reagir para atender a uma possível vítima de violência. No metrô existe o botão de emergência e a equipe está recebendo treinamento para conduzir esse agressor até os policiais militares que vão encaminhar essa pessoa para uma delegacia da mulher. Nosso objetivo é transformar esses funcionários em ferramentas de acolhimento para essas mulheres. E ensinar como podem intervir de uma forma segura em casos de violência. Esses ensinamentos servem para vida dentro e fora do Metrô”, esclareceu Erica Paes.

Synthio Roubert, professor do programa, confessou que já foi um agressor. Ele disse que a sua mudança de comportamento ocorreu depois que ele começou a estudar as violências que as mulheres sofrem no cotidiano. Hoje, Synthio trabalha no programa mostrando aos homens como se dá essa agressão.

“Eu muitas vezes cometia uma violência psicológica ou moral com a minha ex-mulher. Quando comecei a estudar, liguei e contei que estava no Empoderadas. E que eu precisava pedir desculpas. Essa ferramenta que a Érica me deu foi fundamental”, relatou o professor.

Um dos funcionários do Metrô contou que desconhecia o que era violência moral, antes do encontro. Ele disse que já discriminou uma colega por ser a única mulher em um quadro funcional formado apenas por homens. Mas agora se vê no obrigação de coibir tais atitudes.

“Eu trabalho com serviço braçal. No primeiro dia que recebemos uma colega mulher, nós falamos que ela teria um serviço mais mole que o nosso. E ela acabou nos ajudando em áreas que nem imaginávamos. Confesso que eu não sabia o que era uma violência moral. Agora me sinto na obrigação de impedir que casos como esse aconteçam de novo, se eu puder evitar, vou cortar logo o assunto”, relatou um dos homens que participaram da palestra.

Empoderadas

Com atuação em todo o Estado do Rio, o programa Empoderadas trabalha pela garantia dos direitos da mulher e no combate à violência por meio dos sinais que a antecedem. Através do programa, as mulheres aprendem técnicas esportivas de proteção pessoal.

O Empoderadas e o Metrô são parceiros há 4 anos. Em um primeiro momento, o treinamento era voltado para as funcionárias da concessionária, com o objetivo de acolhimento da vítima e busca de ajuda policial quando necessário. Desta vez, a iniciativa foi direcionada aos homens que trabalham nas estações.

As informações são da rádio Tupi.

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