Fundado em 1887, Bar Luiz tem falência decretada pela Justiça

Icônico estabelecimento no Centro do Rio especializado na cozinha alemã, Bar Luiz viveu momentos de dificuldade até falir

Um dos símbolos da boemia mais antigos e tradicionais do Rio de Janeiro recebeu uma péssima notícia nesta semana. O Bar Luiz, famoso por – ao menos no passado – servir o melhor da típica culinária alemã na Rua da Carioca, no Centro do Rio, teve a sua falência finalmente decretada pela Justiça, após anos de penúria.

O juiz Alexandre de Carvalho Mesquita, da 1ª Vara Empresarial da Capital, decretou a falência do Bar Luiz e da empresa Culinária Alemã Bar e Restaurante Eireli. A informação preliminar é do jornalista Ancelmo Gois.

É sabido que desde que anos atrás o estabelecimento deixou de servir Chopp da Brahma para servir com exclusividade o produto da cervejaria mexicana Sol, iniciou-se um processo gradual de degradação e queda na sua clientela.

O imóvel em que funcionava o Bar Luiz é de propriedade do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Procura de investidor na pandemia

O estabelecimento, que foi fundado em 1887, já vinha mau das pernas, passando por muitas dificuldades durante a pandemia da Covid-19. Os proprietários disseram que chegaram a procurar um sócio investidor para fazer a casa reabrir e comemorar 135 anos, em 2022, mas não obtiveram êxito.

No mês de dezembro de 2011, o prefeito Eduardo Paes assinou o Decreto de Cadastro dos Bares Tradicionais, conferindo a onze botequins, dentre eles o Bar Luiz, o status de Patrimônio Cultural da Cidade.

A medida da Justiça torna mais difícil a reabertura do bar. Segundo especialistas consultados pelo Diário, a marca ”Bar Luiz” passa a integrar uma massa falida, e poderia ser leiloada pela justiça a algum interessado, ou mesmo poderia ser entregue a um credor interessado.

Recentemente, o Bar Capitu alugou uma loja na Rua da Carioca, prevista pra abrir até janeiro e trazer se volta o entretenimento à região.

Advertisement

17 COMENTÁRIOS

  1. não conheço o Rio, mas creio que a falência destes comércios seja muito mais em decorrência das mudanças que se apresentam na vida das cidades: a internet. tá cada dia mais fácil comprar por ela, a competição está acirrada, e o fato de servir “comida alemã” não seja mais uma novidade novidadeira.

    a pandemia acelerou um processo que já vinha se apresentando. vejam a telemedicina, estudo online, conferências etc. eu mesmo deixei de ir no “mercadinho” ou bar, com um quiosque de autosserviço no meu condomínio, com os preços praticamente iguais.

    compro medicamentos pelos apps com descontos de 10 a 30%; produtos para casa, como limpeza, bem mais baratos em maior quantidade: shopee e amazom que o digam.

    acho que o comércio está mudando seu perfil. será viável manter um ponto fisico hoje em dia, 24/7?

    se a culpa fosse da pandemia, porque todos os comercios não faliram?

    acho que uma resposta passa pelo que postei aqui.

    • Seu texto é totalmente correto. Empresas e empreendimentos de grande porte já quase não existem mais. O perfil de consumo mudou. Poucas são as pessoas que sentam-se à mesa de um restaurante tradicional. Os fastfoods e os deliveries dominaram este espaço. Grandes redes como Extra, Americanas, Casa & Vídeo já se adaptam à essa nova realidade trocando suas “mega-lojas” por pontos de venda eletrônicos e pequenas lojas de rua apenas para manter a marca “visível”.

      O mal do brasileiro é olhar para o micro querendo sempre apontar um culpado (de preferência que seja do lado oposto às suas convicções políticas) sem analisar o macro e as tendências de mercado. Enquanto tivermos a mania de “remediar” ao invés de “prevenir”, continuaremos vendo comércios fechando e o povo buscando um “bode expiatório” para culpar.

    • Ze Paulo,
      Circule pelo Centro do Rio ( Rua Gonçalves Dias, Rua da Quitanda, Rua da Carioca, Graça Aranha, etc.) Vai ver um monte de portas fechadas, onde tradicionalmente, funcionavam restaurantes tradicionais. O Centro do Rio virou um deserto.

  2. Meu tio trabalhou no bar Luiz por duas oportunidades a 1ª na década de 80 a 2ª na de 90 ele tem até hoje uns pratos guardados de lembrança mora no pé da serra da Ibiapaba ceará ele vai ficar triste quando souber.

  3. Triste e lamentável o comentário de Carlos Crispim que usa uma matéria como essa, já imbuída de sua própria tristeza, como alvo de comentários político-partidários odiosos, desrespeitosos e completamente desprovidos de razão. Chegam a ser levianas suas palavras.

    Então vamos lá….

    Trabalho no Centro (R Sete de Setembro, entre outras) desde 1993 e o trânsito caótico existe naquela região “desde que o mundo é mundo”, não foi por intervenção de político A ou B. Houve, sim, um transtorno gigantesco com a implantação do VLT e uma piora acentuada nas condições do tráfego de carros e pessoas nesse período, mas, uma vez instalado, o tal “trenzinho” beneficiou milhares de outras pessoas (inclusive eu) com mobilidade, facilidade de acesso às ruas internas do Centro, melhora considerável no trânsito com a extinção de pontos e linhas de ônibus internas e, consequentemente, o êxodo de automóveis particulares, uma vez que temos linhas de VLT que ligam o Centro aos principais pontos de concentração de pessoas (rodoviáriaS, aeroporto, Central…) e interligam suas ruas internas e diversos pontos turísticos.

    O fluxo de cidadãos ANDANDO nas ruas do Centro aumentou (essa era uma das razões das mudanças em sentidos de algumas vias e interdição de outras ao fluxo de veículos) e, consequentemente, o número de pessoas visualizando vitrines, comprando comida, água e etc… Os camelôs irregulares foram retirados das ruas principais dando maior chance ao comércio legal e, claro, gerando mais vendas, mais impostos, mais recursos aos cofres públicos e ao contribuinte, sem contar uma maior fluidez também para caminhar pelas ruas sem tropeçar em barracas, ou tendo que andar no asfalto por conta de calçadas bloqueadas pelos ambulantes.

    Diferente do que escreveu o caro Crispim, o fluxo de transeuntes nas ruas continuou sendo o mesmo. Ninguém deixou de trabalhar no Centro por conta do VLT. Ninguém deixou de andar nas ruas, almoçar em restaurantes ou frequentar happy hours nos bares por conta do VLT. Quem acabou com o Centro do RJ foi a PANDEMIA e o discurso do “Fica em Casa”. Não só o Rio, mas O MUNDO parou! Bares famosos como o Bar do Luis, fecharam as portas por falta de público e não foi só no Centro. Passamos a viver e trabalhar em Home Office e muitas empresas adotaram essa metodologia em definitivo por diminuir acentuadamente seu custo operacional (minha empresa possuia dois andares de um prédio e hoje funciona em meio). Muitas empresas fecharam ou faliram, por conseguinte, reduzindo drasticamente o fluxo de pessoas nas ruas. Não foi o prefeito, atual (e nem o anterior) o responsável por isso.

    Vamos pôr a mão na consciência, analisar friamente os FATOS e tomar decisões/opiniões, desprovidos de sentimentos políticos. Vamos pensar mais como cidadãos, pensar mais no coletivo e menos no “clubismo partidário”. Vamos ser mais racionais e lógicos e menos sentimentalistas quando o assunto assim necessitar.

  4. Problema do Rio de Janeiro é o seguinte: o carioca ele não tem quem votar a gente porque o Marcelo freixo sempre tá no páreo e o Marcelo fez ele odiado não precisa esclarecer os motivos e a gente tá sempre voltando ou no Crivella o Eduardo Paes no Wilson para não votar no Marcelo freixo eu quero saber quando vai aparecer um candidato no Rio de Janeiro que o povo goste e vote com vontade mesmo e esse candidato corresponda às expectativas

  5. Faço minhas as palavras do leitor Carlos Crispim! E mais, Eduardo Paes sempre foi “coerente” em largar o Centro antigo do Rio à própria sorte. Talvez ele tenha alguma aversão obsessiva àquela região, que engloba o Corredor Cultural, por não ter sido ele que o criou (sic). Assim como odeia os servidores municipais da Saúde e os condenou à extinção privilegiando o péssimo serviço das OASs!

  6. Além de lamentar profundamente a falência do “Bar Luis”, lamento o assassinato da Língua Portuguesa por quem escreveu a matéria.
    “O estabelecimento, que foi fundado em 1887, já vinha maU das pernas…”

  7. E foi o Paespalho o responsável direto pela falência de milhares de lojas no centro do Rio, foram 8 anos de ruas esburacadas para colocar esse maldito VLT, acabaram com os pontos finais de ônibus, por que queriam transormar o centro num imenso botequim a céu aberto, já que o Paespalho achava que a vocação do carioca é encher a cara e ficar sentado no meio da rua olhando o trenzinho passar. A Rua da Carioca, que tinha um comércio maravilhoso, todos fecharam as portas. Praça Tiradentes, onde floresciam os sebos, todos fecharam, hoje alguém vai lá e está um deserto, estreitaram as ruas, só passa um carro por vez, aumentaram a praça, que parece um Maracanã, pra ninguém andar. Rua Visconde Rio Branco e Constituição, hoje são desertos. Mas o trenzinho continua passando, piuííííííííííí.

    • Quanta besteira odiosa e partidarista…

      As lojas fecharam pela ausência de pessoas nas ruas devido à pandemia, a enorme quantidade de empresas que fechou nesse período e a nova cultura pós-pandemia do Home Office e não por conta do VLT. Já havia uma grande qtde de lojas fechadas na Carioca bem antes disso. Lojas de artigos de caça/pesca (raras em qualquer lugar), instrumentos musicais e algumas lanchonetes. Todos sofreram ação do esvaziamento das ruas na pandemia, aliado a novos hábitos de consumo como compras pela internet.

      Os sebos já não existem mais, não por conta do VLT, mas pelo empobrecimento cultural da população (principalmente os mais novos) que dispensam a prática da leitura útil pelo mundinho fútil de Facebook e Instagram, e os poucos que ainda a mantém, o fazem através de Kindles, Celulares e Tablets onde reúnem praticidade e volume em uma única ferramenta.

      Seja mais racionalmente analítico e não odiosamente político.

    • A descrição de “um imenso botequim a céu aberto” é perfeita, irretocável, Carlos. Especialmente nos últimos dias onde a midia TV está se esforçando para mostrar que o Rio é um festa, podemos cunhar o adjetivo: Rio, cidade dos cachaceiros. Piuiiii.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui