Foto Cleomir Tavares / Diario do Rio

O Museu Nacional, que teve seu prédio e parte de seu acervo destruídos por um incêndio em 2018, pode ser transformado em um centro turístico dedicado à história da Monarquia brasileira e da família imperial que governou o Brasil até a proclamação da República, em 1889.

O principal defensor da iniciativa na Esplanada é Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores. Ele realizou reuniões sobre o tema e destacou auxiliares para acompanhar o processo de reconstrução do museu com o objetivo de realizar a mudança e abrigar no local a memória histórica brasileira. O Rio de Janeiro, poucos sabem, foi a única cidade fora da Europa a ser capital de um Império Europeu e tem uma rica história, principalmente após a chegada ao país do príncipe regente Dom João VI e sua mãe, a Rainha Dona Maria I, que escaparam das tropas napoleônicas fugindo para nosso país, em 1808.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério do Turismo têm participado de articulações junto ao MEC, Ministério da Educação. O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança, do PSL, descendente da família real brasileira, também é um dos impulsionadores e apoiadores da idéia. “No mundo inteiro, os museus monárquicos atraem milhões de turistas do mundo todo, todos os anos. E uma monarquia européia sediada nos trópicos é um pitch incrível”, afirma Claudio Castro, presidente da Associação dos Embaixadores de Turismo do Rio, a ABEMTUR-RJ.

A proposta do grupo é que o palácio, antiga residência dos monarcas Pedro I e II, seja reconfigurado para abrigar um centro dedicado ao Brasil imperial. O novo formato teria um enorme potencial turístico, segundo especialistas. Além de garantir um restauro real do imóvel, deixando-o com a aparência que tinha quando era conhecido como o Paço de São Cristóvão. O projeto de restauro que foi divulgado anteriormente não contemplava um restauro efetivo e sim um modelo de adaptação das ruínas a um museu mais moderno, com passarelas em ferro e não com a recomposição do palácio ao seu estado original. Algo como o Parque das Ruínas em Santa Teresa, ou o famoso hotel Sofitel Santa Clara, em Cartagena, na Colômbia.

Com a reconfiguração, o que restou do acervo científico do museu, que envolve pesquisas nas áreas como antropologia social, arqueologia, zoologia e botânica, seria destinado a um anexo da propriedade.

O cientista político e historiador Christian Lynch, em seu Twitter, defendeu a mudança e destacou que o palácio sempre foi modesto, tanto que “a república preferiu se abrir em lugares mais luxuosos ou palacianos, como o Catete”. Ele ressalta que é “um exagero achar possível restaurar o lugar de modo a transforma-lo no que nunca foi”.

O bom senso recomenda fazer como o Louvre: restaurar certos apartamentos como palácio imperial. Para isso, além da restauração propriamente dita, é preciso recuperar o mobiliário original do paço, que está parte no Museu Mariano Procópio, e em Petrópolis, sem depena-los. Penso aqui nas alas frontais do paço, como a sala do trono, a sala dos embaixadores, a capela, o quarto dos imperadores, o gabinete, a biblioteca, etc“, explicou.

Lynch diz ainda que, como o restante do palácio é imenso, os outros 70% podem ter interiores modernos e comportar o Museu Nacional, ou seja, o Museu de História Natural do Brasil.

A incompatibilidade entre Museu Histórico do Império e Museu de História Natural é uma invenção ideológica. A maior parte do palácio nunca teve interesse arquitetônico ou histórico. Pode-se ter o Museu Imperial na frente e o Museu de História Natural no meio e atrás“, afirmou.

Foto: Reprodução/Twitter

6 COMENTÁRIOS

  1. Achei ridículo, monarquia é o *******, vai ter parte dos escravos? Deixe o museu com a ciência, retirar pra colocar monarquia que NINGUÉM LIGA, vão ser chacota, fica por lá por Petrópolis mesmo, deixar a ciência pra colocar monarca é ****.

  2. A matéria aqui apresentada, só confirma o que sem muita pesquisa é fácil de concluir: – em nosso país, a monarquia nunca acabou de fato. A bem da verdade, os nossos “pseudorepublicanos” tomaram de assalto o Poder político do país, apenas com o único intuito de trazer da família Real, para si e suas famílias, todas as suas posses e tradições que as distinguiam na sociedade. O regime monárquico do nosso país foi “decorado” forçosamente de republicano, acolhendo mulheres de “famílias reais” em detrimento da sua única e legítima família Real. A exemplo, posso citar o gosto e apego dia nossos “republicanos” pelos palácios da época e os que mandaram erguer posteriormente, como também das distinções sociais.

  3. Espetacular! Até que enfim alguém dando a devida atenção e valor para esse período que foi um dos mais importante para o Brasil. Na verdade, fez o Brasil ser essa terra gigante e digna de alguns títulos que hoje não temos mais, devido o golpe republicano. Pra falar a verdade, essa reforma do jeito que estava projetada, era como terminar de destruir o que resistiu ao incêndio que até hoje está mal explicado.

  4. A ideia desta transformação, não é de “toda’ absurda, principalmente se pensarmos que a “nossa” classe monárquica, poderia arcar com os custos desta obra, e também ajudar na manutenção do “antigo” museu lá estabelecido. A repartição de espaços para as duas propostas, soa inteligente e ‘oportuna”, conquanto que não seja feita as custas do erário . O dito “novo” museu poderia tornar-se uma entidade independente e autônoma, sustentando-se com ingressos pagos e diferenciados em preços, para, turistas nacionais, estrangeiros , estudante, pesquisadores e etc….

  5. Não sou monarquista. Não gosto da ideia de restaurá-la, que um grupo gostaria. Acho absurdo e inconstitucional a forma de tratamento dado, frequentemente, por aos descendentes daquela família real, pela Imprensa e pelos integrantes do movimento monarquista.
    Mas simpatizo com o fato de que a memória do Brasil Império devesse ser resgatado para melhor utilização nos espaços daquele tempo.
    Contudo, temo que aquele grupo tenha esse e na verdade outro objetivo, camuflado. O de despertar sentimento de resgate do passado, não limitado à memória, mas para capturar o maior número de mentes e corações, a fim de tentarem reestabelecer a monarquia, em algum momento, com ruptura abrupta da ordem Constitucional…

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