Trecho da Avenida Rio Branco, na região central do Rio de Janeiro - Foto Cleomir Tavares/Diario do Rio

Não tem qualificação melhor que estratégico para o Programa Reviver Centro, lançado pela Prefeitura do Rio, sob a gestão do Prefeito Eduardo Paes (PSD) e coordenado pelo secretário de Planejamento Urbano, Washington Fajardo. É uma iniciativa importante não apenas por coincidir com um momento difícil, no qual a região foi severamente afetada pela pandemia da Covid-19, mas por uma série de outras razões, entre as quais a adoção de mecanismos para a ampliação da oferta de moradias, aproveitando dezenas de imóveis esvaziados, alguns deles de grande porte.

 Há décadas, o Centro do Rio é basicamente área para trabalhar, não para morar. Fica praticamente deserto após o fechamento das atividades comerciais e de serviços em geral. A pandemia, que afetou duramente essas atividades, deslocando esse eixo para o trabalho remoto ou para bairros periféricos, impôs um redimensionamento da importância da região e e ele está chegando agora com o Reviver Centro. E um dos aspectos relevantes da proposta leva em conta a excelente infraestrutura disponível, com amplo sistema de transportes públicos, que inclui ônibus, trem, metrô, barcas e VLT.

 A área de abrangência do Reviver Centro está compreendida na região onde ocorrem – agora em menor intensidade – intensos deslocamentos da população de casa para o trabalho e vice-versa. Dois dos três maiores movimentos do país em números de pessoas, se compararmos dados de todas as regiões metropolitanas, só superados por São Paulo e seus bairros limítrofes. Isso torna impossível desassociar qualquer análise de planejamento urbano de uma interseção com a mobilidade dos cidadãos.

Por exemplo, ao analisarmos alguns dados do Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (PDTU), tanto no transporte coletivo quanto no individual, a concentração sobre a região central é bastante evidente, inclusive sobre os aspectos de viagens oriundas da Região Metropolitana, seja da Baixada Fluminense ou Leste Metropolitano, região integrada pelos municípios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Outro dado importante é que a região central mais a Zona Norte, que são contínuas, contam com a maior cobertura de transporte público de massa. Olhando-se no mapa, fica fácil verificar que um transeunte/usuário, percorrerá apenas, no máximo, dois quilômetros entre uma estação e outra, de trem ou de metrô, independente do seu ponto de partida. Sabendo-se que uma pessoa leva, em média, 20 minutos para caminhar 2km, temos um aspecto relevante a considerar, porque foca na microacessibilidade, que é a facilidade do usuário de acessar o sistema de transporte coletivo que o leve ao seu destino.

Além disso, o Centro do Rio tem atrações turísticas, importantes para ajudar no programa Reviver. Há inúmeros lugares e edifícios de relevância histórica nacional, porque a cidade foi a capital do Brasil por 197 anos, sendo palco de movimentos culturais, artísticos, arquitetônicos, urbanísticos e políticos que a tornam particularmente atraente. Combinando-se o movimento turístico com o aumento da oferta de moradias proposto pela Prefeitura, teremos uma garantia para sobrevivência não apenas daquela região, mas também de qualquer outra área urbana, pois a mistura de usos residencial e comercial, significa movimento, essencial para permitir que todas as classes econômicas tenham oportunidades de trabalho e renda. Além disso, contribuirá para a sensação de segurança dos cidadãos, devido à ocupação dos espaços públicos. É iniciativa a ser implementada com vigor, até porque servirá de exemplo e estímulo para que outras cidades sigam a mesma estratégia de planejamento urbano pois é evidente a importância do Reviver Centro não apenas para o município, mas também as duas dezenas de outras cidades que constituem a Região Metropolitana.

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