Henrique Korman: Lições de Pessach para o Rio

Colunista do DIÁRIO DO RIO traça um paralelo entre a tradicional festa judaica e o Rio de Janeiro

Vista aérea do bairro do Flamengo e do Centro do Rio- Foto: Rafa Pereira/Diário do Rio

Hoje à noite inicia-se Pessach, a festa judaica que celebra a libertação dos judeus da escravidão do Egito – que durou mais de 300 anos. Uma comemoração anual que dura mais de 3 mil anos, para relembrar as dificuldades enfrentadas por esse povo naquele momento e, sobretudo, para enaltecer a importância do valor da liberdade.

Toda comemoração de Pessach segue o mesmo ritual. Alimentos, rezas e reflexões. A rotina de pessach tem um valor em si, como forma de preservar a tradição e os valores dos judeus, sendo parte indissociável da nossa história. Relembrar esse passado – com os mesmos costumes – é a melhor maneira de compreender de onde viemos e o que buscamos como comunidade.

Refletir sobre o valor de Pessach para o judaísmo traz aprendizados importantes para a construção do Estado do Rio de Janeiro. Um Estado antes pujante, que carrega na história o simbolismo de ter sido por anos a Capital Federal.

O ERJ, apesar de ter um passado glorioso, enfrenta dificuldades cotidianas para se construir como um Estado. Possui dívidas de mais de 170 bilhões com a União e uma crise fiscal sem precedentes em que, ano após ano, estoura o teto definido para gastos com pessoal.

Há sim caminhos na mesa para amenizar essa situação, como o Plano de Recuperação Fiscal que está em andamento, já com o parecer favorável do Tesouro Nacional. Ademais, o PIB do Estado cresceu 4,1% em 2021 – sobretudo por conta dos recursos provenientes do leilão de concessões da CEDAE. Mas, para que o Rio retome o seu passado de desenvolvimento e protagonismo, é preciso que mais seja feito.

Acredito que seja fundamental, no desenvolvimento desse caminho, refletir sobre a história do Estado do Rio e os valores que caracterizam esse local. Para que, assim, seja possível construir um planejamento estratégico acerca dos caminhos que podem guiar o Rio para um desenvolvimento econômico e social.

Valorizar, dessa forma, as características naturais desse Estado, como as áreas verdes, a extensa faixa de mar e o potencial turístico. Enaltecer a cultura, como parte crucial para a identidade não só do Rio, mas nacional. E repetir esse processo, ano após ano, como forma de relembrar o que nos une e o que fez com que o Estado seja formado – assim como acontece em Pessach.

Em resumo, o principal valor de Pessach é a liberdade. Mas, não é a liberdade como um valor para se fazer o que quiser, mas um princípio para se criar uma vida com sentido, com valores autênticos e propósitos firmes.

Que, enfim, o Rio aprenda essa lição e construa um caminho de liberdade, com autonomia e protagonismo a partir do que o caracteriza e do que almeja como Estado.

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