Herança ancestral africana no Rio de Janeiro, Afoxés e Blocos Afro tornam-se patrimônio cultural imaterial

Decisão foi publicada às vésperas do Dia da Consciência Negra e é o primeiro registro desta natureza realizado pelo Inepac

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Foto: Divulgação

Os Afoxés e Blocos Afro foram declarados patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro. Este é o primeiro registro deste tipo realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e marca uo Dia da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira (20/11). A decisão foi publicada em Diário Oficial na última quinta-feira (16/11).

De acordo com a diretora do Inepac, Ana Cristina Carvalho, o bem imaterial é tratado como registro e não como tombamento. O reconhecimento foi feito após três anos de estudos e acompanhamento do dia a dia e das tradições de grupos de sete diferentes municípios: São Gonçalo, Belford Roxo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Niterói e na própria capital do RJ. Com isso, os Afoxés e Blocos Afro tornam-se os primeiros bens desta natureza, em âmbito estadual, a serem protegidos por lei.

A convenção para salvaguarda do patrimônio imaterial contempla práticas, representações, expressões, saberes e fazeres de comunidades, grupos ou até indivíduos. Esta decisão exalta a resistência da cultura afro-brasileira, essencial para a construção da identidade do Rio de Janeiro e do cidadão fluminense“, explica Ana Cristina.

No estado, a prática dos Afoxés é datada da década de 50, enquanto os Blocos Afro, da década de 80. Essas formas de expressão constituem um dos mais ricos acervos simbólicos da nacionalidade brasileira, em especial do povo do Rio de Janeiro. Elas costumam acompanhar celebrações tradicionais como o Carnaval e outras datas festivas do calendário religioso, além de comemorações que valorizam a identidade da pessoa negra, como o dia 20 de novembro.

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Os Afoxés são cortejos de rua que saem, principalmente, durante o Carnaval. É acompanhado por cantos e instrumentos de percussão, incluindo atabaques, agogôs e xequerês. Suas cores e símbolos possuem significados específicos relacionados com preceitos religiosos ligados às religiões de origem africana. Apesar de se apresentarem, na maioria das vezes, no carnaval de rua, os grupos de Afoxé do Estado do Rio de Janeiro também se fazem presentes em datas festivas do calendário religioso, como nas celebrações de entrega dos presentes à Iemanjá ou em festas e cerimônias privadas.

Já os Blocos Afro são grupos carnavalescos com viés de promoção e valorização da cultura e da pessoa negra, promovendo sua história, fortalecendo a identidade da comunidade e trabalhando sua autoestima. Apesar de ser um bloco de carnaval, que se apresenta em cortejo pelos logradouros públicos, também realiza apresentações diversas em atividades celebrativas da cultura e da beleza negra. Buscam participar de atividades culturais com viés identitário e memorial, como aqueles vinculados à data do 20 de Novembro (Dia da Consciência Negra). É acompanhado por cantos e instrumentos de percussão, incluindo surdos, taróis e repiques. Suas cores e símbolos possuem significados específicos relacionados com uma ideia de África e de reafricanização.

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