Nesta sexta-feira, recebemos a notícia da venda da Rede Belmond, proprietária do Copacabana Palace. Mais um capítulo na história deste hotel que marca a cidade do Rio de Janeiro.

Copacabana Palace em 1923

Construído entre 1919 e 1923, o Copacabana Palace foi erguido a pedido do então presidente Epitácio Pessoa (1919-1922), que desejava que a cidade do Rio de Janeiro – capital do Brasil na época – tivesse um grande hotel turístico.

Avenida Atlântica, em frente ao Palace, década de 1930

A intenção era um projeto que ficasse para os anos seguintes, mas o foco inicial para o Hotel era ajudar a hospedar o grande número de visitantes esperados para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, um evento de dimensões internacionais, realizado na esplanada do Castelo, em 1922.

O empresário Octávio Guinle chamou uma grande equipe para erguer seu hotel, que foi o primeiro grande edifício de Copacabana, cercado apenas por pequenas casas e mansões.

“Para liderar a equipe que construiu o Palace foram chamados o arquiteto francês Joseph Gire e o engenheiro César Melo e Cunha. Gire se inspirou em dois famosos hotéis da Riviera Francesa: o Negresco, em Nice, e o Carlton, em Cannes. César impôs o mármore de Carrara e cristais da Boêmia. Foi um projeto marcante para época, pois essa região da Zona Sul da cidade ainda era pouco habitada. O Copacabana Palace mudou a estrutura social do bairro de Copacabana” conta o historiador Maurício Santos.

Hotel Carlton, em Cannes

Contudo, os planos de inaugurar o Palace a tempo da Exposição do Centenário não deram certo. A importação de material acabou atrasando a obra, que só ficou pronta no dia 13 de agosto de 1923.

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fachada do Palace

Esse atraso gerou uma polêmica. A área onde o hotel se encontra foi liberada por Epitácio Pessoa quando o mesmo era presidente. Epitácio queria o hotel pronto antes de 1922 (por conta da Exposição do Centenário) e em troca liberou que se fizesse um cassino no Palace.

Como não ficou pronto a tempo da Exposição do Centenário, o presidente Artur Bernardes (1922-1926) tentou caçar o funcionalmente do cassino do Copacabana Palace. Mas ele perdeu na Justiça e essa área do Hotel ajudou a deixar o prédio ainda mais conhecido.

Copacabana Palace cercado apenas por pequenas casas e mansões

Após a Segunda Guerra Mundial, o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil. O cassino foi transformado em uma casa de espetáculos. Nessa mesma época, o Hotel passou por uma ampla reforma liderada pelo arquiteto Wladimir Alves de Sousa.

As décadas seguintes não foram de tanto glamour. A transferência da capital federal para Brasília, em 1960, e a construção de hotéis mais modernos na Zona Sul da cidade, deixaram as coisas mais complicadas no Palace.

A demolição do Hotel chegou a ser cogitada em 1985. Entretanto, o Copacabana Palace tornou-se patrimônio histórico, sendo tombado nas esferas federais (IPHAN), estadual (INEPAC) e municipal (SEDREPAHC).

Jorginho Guinle com Rita Hayworth

Quatro anos mais tarde, em 1989, a família Guinle, representada por José Eduardo Guinle, vendeu o Copacabana Palace ao grupo Orient-Express Hotels, que reabilitou o hotel, modernizando as antigas instalações sem descaracterizá-las.

“Dezenas de hóspedes famosos passaram pelo hotel nesses anos, de Carmen Miranda a Mick Jagger, de Ava Gardner à Princesa Diana. Também passaram pelo Copa nomes como Santos Dumont, Edith Piaf, Orson Welles, Walt Disney, Nat King Cole, Eisenhower, Charles de Gaulle, Clark Gable, Evita Perón, Rita Hayworth, Brigitte Bardot, o Barão de Rotschild, Rei George VI (pai da Rainha Elisabeth II), Thomas Mann, Marlene Dietrich, Jayne Mansfield, Anita Ekberg, Zsa Zsa Gabor, Kim Novac, Nelson Rockfeller, Rudolf Nureyev, Gina Lollobrigida, os reis Juan Carlos e Sofía da Espanha, Roman Polanski, Gisele Bündchen e tantos outros. O lendário playboy Jorginho Guinle, sobrinho de Octávio, exercia as funções de anfitrião e relações públicas do hotel no exterior” destaca Leonardo Ladeira na Coluna do Patrimônio histórico, do site Rio e Cultura.

Janis Joplin

Muitas histórias marcam a memória do Copacabana Palace. Entre elas estão Ella Fitzgerald e Louis Armstrong cantando nos salões do hotel, Janis Joplin nadando pelada na piscina, Rod Stewart destruindo parcialmente uma das suítes presidenciais ao fazer do espaço um campo de futebol, entre outras. Haja espaço para hospedar tantas lembranças.

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