História do Palácio Guanabara

História do Palácio Guanabara

4 de outubro de 2015 0 Por Felipe Lucena
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Palácio Guanabara por Halley Pacheco de Oliveira

Prédios que são utilizados como sedes oficiais de governos costumam ser cercados de história. No Rio de Janeiro não é diferente. O Palácio Guanabara, importantíssimo no presente de todos os cariocas, abriga um passado muito rico.

Palácio Laranjeiras po Delgadodeandrade

Para início de conversa, cabe um esclarecimento: Palácio Guanabara e Palácio Laranjeiras são locais diferentes. O Palácio Guanabara (Rua Pinheiro Machado) é a sede oficial do governo do Rio de Janeiro. Já o Palácio Laranjeiras (Rua Paulo Cesar Andrade, 407) é a residência oficial do governador do Rio de Janeiro.


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De estilo neoclássico, o Palácio Guanabara começou a ser construído em 1853 pelo comerciante português José Machado Coelho. Nessa época, a Rua Pinheiro Machado se chamava Rua da Guanabara. O Palácio, depois de pronto, foi residência particular até 1860.

José Maria Jacinto Rebelo

Cinco anos mais tarde, o Palácio Guanabara passou a ser uma construção ligada ao poder político do Rio de Janeiro e do Brasil. Em 1865, tornou-se a residência da Princesa Isabel e seu esposo, o Conde d’Eu. Reformado pelo arquiteto José Maria Jacinto Rebelo, o prédio passou a ser chamado de Paço Isabel ou Palácio Isabel.

Princesa Isabel e Conde D´Eu no Palácio Guanabara

O Palácio Guanabara continuou sendo posse de príncipes até a proclamação da república, em 1889. A partir desse momento, passou a ser patrimônio da União. O que gerou incomodo na família real. Até hoje, descendentes de dom Pedro I e o Estado brigam na justiça pela histórica construção.

LENDAS

Segundo uma lenda, o Palácio Guanabara é amaldiçoado. Um dos escravos que trabalhou na primeira reforma da casa durante a monarquia teria sido torturado por um feitor e, antes de morrer, lançou uma maldição: ‘Nenhum morador da mansão da Rua Guanabara terá tranquilidade enquanto lá viver’, segundo relata o livro O Rio Pitoresco, do historiador Sebastião Castrou. Verdade ou não, é difícil confirmar.

No entanto, para os supersticiosos, diversos fatos históricos comprovam a lenda. A Princesa Isabel, primeira governante a ocupar o Palácio, foi expulsa do lugar após a proclamação da República em 1889. Orsina da Fonseca, esposa do Marechal Hermes da Fonseca, depois de o marido tomar posse e se mudar para a mansão, morreu. Em 1920, o rei Alberto da Bélgica acidentou-se e morreu após ter-se hospedado um mês no Palácio. O presidente Washington Luiz foi deposto, em 1930. Na década de 50, o Guanabara tornou-se sede da prefeitura. Oito prefeitos não concluíram o seu mandato. Em 1960, o Palácio virou sede do governo estadual” escreveu a guia de turismo Vanessa López no site Respire Turismo.

Palácio Guanabara quando residência presidencial

O Palácio da Guanabara foi utilizado pelo presidente Getúlio Vargas como residência oficial durante o Estado Novo – 1937 a 1945. Em 1938, o prédio foi atacado durante o Putsch da Ação Integralista Brasileira. Seria mais uma consequência da tal maldição?

Palácio Guanabara nos anos 60, arquivo O Globo

A partir de 1946, passou a sediar a Prefeitura do Distrito Federal até 1960, ano da criação do Estado da Guanabara, quando passou a ser sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro – função que tem até os dias atuais.

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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