Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart é referência em recuperação de bebês prematuros

Com 53 leitos de UTI neonatal, a unidade de São João de Meriti, é a primeira da rede estadual totalmente especializada em gestação de médio e alto risco

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Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart se destaca pelo atendimento humanizado a gestantes, mães e bebês / Rafael Wallace

O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem investido nos cuidados maternos para evitar o nascimento de bebês prematuros na rede de saúde fluminense. Ainda assim, entre 10% e 11% das crianças nascem antes da 37ª semana de gestação na rede estadual, que adotada práticas humanizadas e não-farmacológicas para aumentar as chances de sobrevivência das crianças. Por isso, na campanha Novembro Roxo, voltada para os cuidados com prematuros, o Governo do Estado adotou o lema: “Pequenas ações, GRANDE IMPACTO: contato pele a pele imediato para todos os bebês, em todos os lugares.”

O Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart é um grande exemplo de dedicação e sucesso no atendimento de mães e prematuros. Com a maior UTI neonatal da rede pública e privada – conta com 53 leitos – a unidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, é a primeira da rede estadual totalmente especializada em gestação de médio e alto risco. Somente em 2023, foram realizados 3.378 partos cirúrgicos e vaginais, além de 41.518 consultas encaminhadas pelo Sistema Estadual de Regulação (SER).

Entre as técnicas usadas pelo hospital está o método Canguru, que permite ao bebê ficar junto aos pais nos primeiros momentos de vida por pelo menos uma hora. A medida contribui para diminuir o tempo de recuperação e internação do bebê, além de auxiliar na redução do estresse e das infecções. As crianças atendidas também têm uma melhor amamentação.

“Os bebês prematuros são pacientes delicados e precisam ser olhados de forma individualizada. Quando nasce um bebê prematuro, toda a estrutura familiar é afetada, e é necessário um atendimento direcionado aos pais também. Dentro de uma UTI neonatal, há os cuidados necessários que devem ser cumpridos por toda equipe. Mesmo após a alta hospitalar, os bebês prematuros ainda precisam de atendimento com diversos especialistas e aqui, no Hospital da Mulher, nós realizamos esse acompanhamento. A maioria dos prematuros continuam sendo atendidos por cerca de dois anos”, explicou a coordenadora de maternidades da SES-RJ, a pediatra neonatologista Roberta Serra.

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A pequena Maitê está na UTI do Heloneida Studart há quase dois meses. A mãe da criança, Débora de Almeida, de 44 anos, acompanha, diariamente, a recuperação da filha. Débora é uma das hóspedes da Casa da Mãe, residência destinada às puérperas com bebês internados e que residem a mais de 50 km de distância da unidade. A Casa da Mãe conta com cinco quartos, 15 camas, copa, cozinha, sala e banheiros.

“Cheguei aqui com um quadro de pressão alta grave e já fiquei internada direto. Após alguns dias, minha menina nasceu. Fui muito bem atendida, desde a minha entrada aqui na unidade. Agradeço aos médicos, às enfermeiras, aos técnicos e, em especial, ao atendimento de assistência social e psicológico, pois é muito importante para nós que temos um filho prematuro e enfrentamos os dias na UTI acompanhando nossos bebês”, contou a mãe de Maitê.

Os prematuros também recebem todo o carinho nas incubadoras. O polvinho de crochê, com seus tentáculos, simula a proteção do cordão umbilical. Na hora de dormir, a iluminação é reduzida e intervenções são evitadas pela equipe multidisciplinar. As crianças são ainda embaladas por uma rede, que fica no interior da incubadora, para reproduzir movimento no útero materno. O movimento é complementado por clássicos de Mozart, que favorecem a neuroplasticidade do cérebro. Na hora do banho: ofurô, que aquece e acalma o bebê.

Crianças prematuras precisam ter a amamentação estimulada. Uma das técnicas usadas é a colostroterapia, na qual a boquinha do bebê é molhada com o colostro, leite dos primeiros dias – muito rico em anticorpos. O hospital possui ainda o serviço de Banco de Leite Humano (BLH) para mães que não conseguem amamentar. Depois da alta hospital, o acompanhamento continua por meio de uma equipe formada por especialistas como neuropediatra, oftalmologista, cardiologistas, entre outros.

O Brasil ocupa a terceira posição do ranking mundial, apesar dos avanços. Anualmente nascem no País, em média, 340 mil bebês prematuros. Entre as principais causas do nascimento antecipado estão a ruptura prematura da bolsa, pré-eclâmpsia, infecções uterinas, fertilização in vitro, hipertensão crônica, entre outros fatores. Com o avanço dos tratamentos até mesmo crianças que nascem com menos de 400 gramas sobrevivem e têm um desenvolvimento normal.

A superintendente de Unidades Próprias e Pré-Hospitalares da SES-RJ, a obstetra Penélope Saldanha, alertou sobre a importância do acompanhamento pré-natal para a salvaguarda da saúde da mãe e do bebê.

“É importante que o pré-natal seja realizado ainda no primeiro trimestre da gestação para poder identificar precocemente os fatores que podem levar a ocorrência de uma prematuridade. Lembrando que um parto antecipado pode acontecer espontaneamente ou por conta de indicações ou complicações tanto maternas quanto fetais. Ainda durante o pré-natal é essencial identificar infecções e cuidar da saúde odontológica. Além disso, temos o exame de ultrassonografia e os cuidados para as mulheres que são hipertensas e diabéticas”, disse a médica.

Maternidades recebem investimento do Governo do Estado

Maternidades que também contam atendimento humanizado: Hospital Estadual da Mãe (HMãe), em Mesquita; Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL), em Niterói; e Hospital Estadual Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema. As três unidades são hospitais de “portas abertas”, ou seja, aceitam pacientes que deram entrada pela emergência e contam com UTIs neonatais.

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