Hospital Souza Aguiar fica com emergência lotada após uso indevido de produto estético

Mais de 100 pessoas deram entrada na unidade, no Centro do Rio, com queimaduras nas córneas devido ao contato de pomada modeladora para cabelos com os olhos

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Fachada do Hospital Municipal Souza Aguiar - Foto: Cleomir Tavares/Diário do Rio

Na última segunda-feira (25/12) e também na terça (26/12), mais de 100 pessoas deram entrada na emergência oftalmológica do Hospital Municipal Souza Aguiar, na região central do Rio de Janeiro, com queimaduras nas córneas devido ao contato de pomada modeladora para cabelos com os olhos.

Foram pessoas que fizeram tranças ou outros penteados fixados com o produto para passar o dia de Natal e, ao molharem os cabelos, a água com o ingrediente químico escorreu para a vista. A lesão na córnea pode causar irritação e inchaço nos olhos, visão turva e até cegueira temporária, além de causar bastante dor.

A Vigilância em Saúde e o Instituto de Vigilância Sanitária do Rio (Ivisa-Rio), órgãos da Secretaria Municipal de Saúde, já iniciaram uma apuração epidemiológica para identificar quais as marcas dos produtos usados pelos pacientes e em quais estabelecimentos os penteados foram feitos ou os produtos adquiridos.

Algumas marcas dessas pomadas estão com a comercialização e uso suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em todo o Brasil, justamente por conterem insumos em sua composição que são considerados nocivos à saúde, como os que causam a intoxicação ocular.

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Normalmente, a emergência oftalmológica do Souza Aguiar atende por dia cerca de 70 pacientes. Apenas na segunda-feira e no dia seguinte, até as 16h, foram 83 e 94 atendimentos, respectivamente, a maioria devido a lesões na córnea causadas pelo contato com a pomada modeladora de cabelos.

Havia crianças, adolescentes, mulheres e homens adultos, todos com o relato de terem feito o penteado para o Natal e, ao lavarem os cabelos, mergulharem na praia ou piscina, começaram a sentir a ardência nos olhos, que foi piorando nas horas seguintes. Os principais sintomas são coceira nos olhos, vermelhidão, irritação, ardência, inchaço. Nos casos mais graves, a visão fica turva e o paciente não consegue enxergar.

”A maioria dos pacientes apresenta uma conjuntivite ou ceratite química causadas pelo contato com a pomada. E, quanto maior a quantidade do produto que escorre para os olhos, mais grave pode ser a lesão. Alguns estão chegando com muito inchaço nos olhos e sem conseguir enxergar, tendo que ser guiados por acompanhantes. São quadros considerados bem graves – diz a diretora do Hospital Souza Aguiar, Paula Travassos, revelando sua preocupação para o próximo fim de semana: – Se a situação já está assim por causa do Natal, pode ficar pior para o Réveillon, pois sabemos que muitas pessoas terminam a noite mergulhando no mar. E ainda temos previsão de chuva para a tarde do dia 31. Quem estiver usado essas pomadas e se molhar, também correrá o risco da água com o produto químico escorrer para os olhos”, adverte Paula Travassos.

O Ivisa-Rio orienta que as pessoas adquiram e utilizem apenas produtos regularizados junto à Anvisa. A consulta dos produtos que constam como regularizados pode ser feita neste link.

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