Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, na Rua Uruguaiana - Foto: Raphael Fernandes/Diário do Rio

Situada no número 77 da movimentada Rua Uruguaiana, na região central do Rio de Janeiro, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos foi reaberta ao público na última sexta-feira (06/08).

Seguindo todos os protocolos de combate à Covid-19, o referido templo religioso ficou meses fechado também devido ao precário estado de conservação em que se encontrava. Para viabilizar a reabertura, doações custearam obras emergenciais na edificação. Vale lembrar que a igreja e seu acervo são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, com a inscrição em 2 Livros do Tombo: o Histórico e o das Belas Artes.

Em dezembro de 2020, a Arquidiocese do Rio de Janeiro ganhou na Justiça o direito de assumir a gestão da igreja, que estava sob responsabilidade da Irmandade dos Devotos de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos.

As intervenções custeadas pelos fiéis contemplaram revisão das instalações elétricas, serviços de limpeza e equipamentos de combate a incêndio, entre outros. Atualmente, está sendo elaborado um projeto executivo para uma recuperação mais ampla da igreja, visando a segurança do imóvel. Após a finalização, o documento será analisado pelo Iphan e, caso aprovado, a ArqRio arrecadará recursos para realizar a obra.

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A missa que marcou a reabertura do templo foi conduzida pelo cardeal Dom Orani João Tempesta. ”Esta é a mais antiga catedral do Rio de Janeiro ainda de pé. Uma parte da história da nossa cidade, do nosso povo e do movimento negro está sendo entregue à comunidade”, celebrou ele.

”Este templo é um dos testemunhos mais representativos da luta por igualdade sob a égide da cristantade. Nós temos o sonho de restaurar esta edificação e de reconstituir todo o seu legado e beleza. Merecemos realizar este sonho pela nossa cidade, nosso país e por esta igreja, que é palco da longa trajetória pela liberdade de todos”, ressaltou, por sua vez, o superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Olav Schrader.

Público compareceu à reabertura da igreja em cerimônia que celebrou o resgate da memória – Foto: Daniela Reis

História

Em 1708, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito recebeu o terreno onde está situada a igreja na então Rua da Vala (atual Rua Uruguaiana). De 1737 a 1808, o local sediou a catedral da cidade. Neste período, batizou o Padre José Maurício, homem negro que atuou como regente da Capela Real e se consagrou como um dos maiores compositores de música erudita do Brasil.

Ali também foram realizadas diversas sessões do Senado da Câmara às vésperas da Independência. Em 1822, foi redigida no local a representação popular que culminou no icônico ”Dia do Fico”. Além disso, no templo repousam os restos mortais do Mestre Valentim, escultor, arquiteto e artista cuja obra deixou um legado singular para a arte brasileira.

Ademais, no século XIX, a igreja foi um dos mais importantes cenários do movimento abolicionista, congregando figuras como José do Patrocínio, Luiz Gama, entre outros. Já em 1967, um incêndio comprometeu a decoração barroca do interior da edificação, não tendo sido recomposta desde então.

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