Iguá deixa orla da Barra sem água e hotéis da praia temem não conseguir atender os turistas

Hotelaria da Barra da Tijuca está desesperada com a falta de água na orla do bairro justo durante o período mais turístico da alta temporada. Só um único hotel já teve que comprar mais de 80 caminhões-pipa de 20.000 litros cada um, e haveria chance de ficar sem água no réveillon

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Orla da Barra da Tijuca / Foto: Riotur

80 carros-pipa de vinte mil litros cada um é o número estratosférico de caminhões de água que o luxuoso Hotel Royalty Barra, com 17 andares avarandados debruçados sobre a Avenida do Pepê, na Barra da Tijuca e uma farta área de lazer, já comprou até agora por conta de um problema com o fornecimento da concessionária Iguá a toda a região da Avenida do Pepê, que perdura desde o dia 7/12 na região. Nos dias 9 e 10 de dezembro, praticamente toda a Barra ficou sem água. Após uma alegada “manutenção do sistema” naquela data, e uma melhora no fornecimento da Barra em Geral, na região do Pepê a coisa só tem piorado, dia a dia, apesar das promessas da empresa responsável pela água e esgoto. O hotel fica na altura da rua Olegário Maciel, e está lotado.

Já o tradicional Hotel Tropical, na mesma microrregião, já pagou 50 carros-pipa, em meio a promessas dos representantes da Iguá: “entendemos a criticidade da situação e estamos com o time trabalhando para que a normalidade seja restituída“, disse a atendente, de forma lacônica, a um dos diretores do Hotel, que está lotado e corre o risco de não ter água para todos os turistas que, neste momento de réveillon, lotam qualquer cidade turística do mundo, que dirá o Rio de Janeiro. Para piorar, praticamente todo o atendimento é dado online, como se todos os consumidores tivessem as mesmas necessidades e preocupações, diferentemente da Águas do Rio, concessionária que atende o Centro e a Zona Sul e que conta com canais de atendimento para grandes consumidores.

A diretora do Hotel Royalty, Soledad Espansandin, cita um acontecimento que parece sair de uma anedota ou comedy club: a Iguá mandou para o Hotel de quase 20.000m2 e 300 quartos, um dos maiores da Barra, uma ajudinha: 3 – isso, três – caminhões de água. “O fornecedor de produto ou serviço, diz o Código do Consumidor, responde independentemente de culpa pelas falhas e danos”, diz Soledad, revoltada com os pagamentos de valores abusivos que chegaram até R$ 3.500,00 por caminhão de 20.000 litros. Segundo ela, tendo em vista a gravidade do problema, a demanda aumentou e as empresas que vendem água foram aumentando o valor base, para lucrar mais com a falha no fornecimento pela concessionária. Segundo ela, ainda, os hotéis vão buscar ressarcimento junto à Iguá, mas a maior preocupação é não deixar de atender os turistas que por vezes, estão tendo sua primeira experiência turística na Barra da Tijuca e no Rio, e podem não querer voltar se forem obrigados a tomar banho apenas no mar.

Para Wagner Victer, ex-presidente da CEDAE, a situação é preocupante e inesperada. “É extremamente preocupante a falta de água na Barra na gestão da nova concessionária Iguá, pois quando fizemos o novo sistema de abastecimento para a região, ainda em minha gestão, demos novos troncos, reservatórios, elevatórias e até com um Centro de Controle Operacional local com válvulas acionadas à distância.” Victer destacou na época a atuação da Câmara Comunitária da Barra e da ADEMI, e diz que quando estas obras foram terminadas, “os problemas cessaram e a Barra se tornou um dos melhores bairros em abastecimento do Rio, e se estranha muito voltar a acontecer este tipo de coisa”. Já o ex-secretário municipal de Turismo do Rio, Bruno Kazuhiro, vai além: “Infelizmente é uma história que se repete a cada verão: a falta de infraestrutura turística, que se manifesta de diferentes formas, prejudicando ainda mais um setor onde temos enorme potencial desperdiçado. Esse caso demonstra isso. Uma falta de água pode gerar uma experiência negativa para o turista que, por conta disso, pode não querer retornar à cidade, fazendo com que o Rio perca receitas e empregos”.

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O DIÁRIO DO RIO procurou a concessionária Iguá, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. O espaço segue aberto para as justificativas da empresa e sua versão dos fatos.

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6 COMENTÁRIOS

  1. A elite brasileira adora uma privatização, que na verdade e uma doação do patrimônio público para ” alguns amigos” , sejam eles nacionais ou estrangeiros, por isso estou ” extremamente preocupado ” com a falta de água na Barra. Quando privatizar o serviço será melhor e muito mais barato, esqueceram ?

  2. Essa Igua dá muito problema. A Agência de fiscalização tem que atuar. Até rever essa privatização. E quem ganha são os donos de caminhões pipa.

    • É isso. Vc paga o custo real que é baixo, o lucro que vai para os administradores e políticos e o supervisor lucro que vai para os acionistas.

      Paga 3x e recebe 50% só serviço.

      O consumidor é O T Á R I O.

  3. Veja São Paulo como é um sistema de água privatizado. Vocês somos nós amanhã.

    – Ah mas nunca acabou água ou teve problema antes?

    Sim, esporadicamente e não sempre. E quando acontecia isso era logo resolvido.

    A lógica do lucro não funciona para o que é essencial. Há coisas que não se deve privatizar.

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