Jackson: E a Secretaria de Turismo do Rio?

Para Jackson Vasconcelos, quem no crachá da Prefeitura, estiver identificado como "Secretário de Turismo", precisa ser reconhecido desse modo no mundo todo

Foto: Rafael Catarcione/Riotur

Assim como acontece com os ministros, que são auxiliares do Presidente da República, acontece com os secretários de estado,que são auxiliares dos governadores e com os secretários municipais, auxiliares dos prefeitos. No entanto, a prática política no Brasil faz com que os ministros e secretários estaduais e municipais tenham outras funções, uma delas,  fazer a interface dos chefes do Poder Executivo com os respectivos poderes legislativos. Outra função é servir como agrado, como reconhecimento pela cordialidade dos agentes políticos com os chefes do executivo.

Sabe-se que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não precisa mais de auxiliares. Não é possível que ainda precise, após dois mandatos como presidente da república na estrada da vida política. Então, Luiz Inácio nomeia ministros para ter uma relação calma com o poder legislativo e para agradar velhos companheiros. Sendo muitos, há necessidade de se ter um número grande de ministérios. Sabe-se que o Prefeito Eduardo Paes, de igual modo, não precisa de auxiliares, Ele está na prefeitura do Rio como secretário e prefeito desde sempre. Eduardo  conhece a máquina por dentro, por fora, pelo avesso e pelo direito. Mas, diferente do que acontece com Lula, Eduardo Paes não precisa nomear secretários para ter uma relação confortável com a Câmara Municipal. Ele sempre contou com a boa vontade da Câmara Municipal. Coisa de simpatia. Resta, portanto, no modelo, o agrado aos companheiros de longa data.

Os escolhidos pelo Prefeito Eduardo Paes para as secretarias municipais, portanto, cumprem o papel de agradar os companheiros e como a lei brasileira autoriza que os eleitos para o poder legislativo, em qualquer nível, exerçam funções no executivo, em qualquer nível, sem perda dos mandatos, Eduardo Paes convoca secretários para que o legislativo convoque os suplentes, aqueles que o povo, no voto, rejeitou. Está tudo na conta do jogo político.

A Secretaria Municipal de Turismo da Cidade do Rio de Janeiro é, em essência, a representação da vocação econômica da cidade e portanto, poderia merecer do Prefeito a escolha de alguém que preenchesse a vaga não só com o objetivo de agradar aos companheiros, pagar uma conta assumida com um suplente ou mesmo para ser um auxílio ao prefeito. Deveria ser alguém que o mundo todo reconhecesse com autoridade e valor na área, pois sendo o turismo a vocação do Rio, é desse modo que a Cidade é vista pelas pessoas do mundo todo.

Quem, no crachá da Prefeitura, estiver identificado como “Secretário de Turismo”, precisa ser reconhecido desse modo no mundo todo. Eduardo Paes poderia, então, abrir uma exceção nas regras que adota para nomear secretários. Colocar no turismo alguém que saiba dar à função o valor que a atividade tem na relação da cidade com o resto do mundo.

Formado em Ciências Econômicas na Universidade Católica de Brasília e Ciência Política na UNB, fez carreira com dezenas de cases de campanhas eleitorais majoritárias e proporcionais. É autor de, entre outros, “Que raios de eleição é essa”, Bíblia do marketing político.
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8 COMENTÁRIOS

    • Ao contrário de Belém e Buenos Aires, os armazéns do Porto do Rio são feios e sem valor histórico-arquitetônico.

      Poderiam investir em um terminal moderno que colocasse o Rio no Século 21 e trouxesse conforto aos visitantes, como por exemplo os terminais da Royal Caribbean e da NCL no Porto de Miami. Seria mais harmônico com o Museu do Amanhã, o MAR e o RB1.

    • Em relação ao VLT, este precisaria ser mais integrado ao resto da cidade, tal como na impressionante rede do Metro do Porto, Portugal, cidade ridiculamente menor, mais apertada e com população menor que o RIO.

      A próxima expansão do VLT deveria ser São Cristóvão; a expansão seguinte deveria ser na região do Catumbi.

      O ideal seria conjungar o VLT turístico com o uso diário do carioca comum que vai ao trabalho. O turista gosta de ver essa mistura, e acredito que ainda perece dessa promoção do VLT como atrativo no Porto.

    • Também é importante promover o Rio de Janeiro turístico tal como uma cidade 24hrs que nunca dorme.

      Só que aí requer muito dinheiro e segurança pública. Não digo que cada bairro deva ter sua Rua Dias Ferreira, porém é interessante que haja movimento na rua até mais tarde com lojas, restaurantes e bares acessos e iluminados.

      Imagine o turismo carioca no Centro tal qual a Baixa de Lisboa em uma noite de verão que comece umas 19:00 horas. Seria interessante, mas concordo com o Jackson, precisa ter alguém que entenda de turismo e tenha estudado sobre o assunto.

    • O marketing também deve ser promovido de forma PROFISSIONAL, conforme a Renata comentou mais abaixo:

      – o Peru tem um logo simples, sem slogan nem texto, e que passa muita informação, busquem “Peru logo turismo” no Google. Qualquer lojinha de souvenir de Lima ou Cuzco tem refrências a esse logo.

      – New York tem há muitos anos (desde 1977) aquelas camisas I <3 NY, uma campanha bem tosca para ser sincero, que, porém, por insistência ou então forçaram durante muito tempo, a marca se popularizou inclusive fora do país.

      – no Natal de 2019 eu retornava ao Rio de Miami. No caminho do aeroporto de Miami, eu vi um outdoor enorme naquela highway I-75 promovendo o novo voo non-stop da Azul até Belo Horizonte!!! No outdoor tinha um triângulo vermelho, uma foto de um parque e um café com pão de queijo. Com todo o respeito aos mineiros, mas BH é bem menos turística do que outras cidades menores de Minas. Mas por algum motivo essa campanha tosca despertava a curiosidade e o interesse dos motoristas que ali passavam.

      – o Rio de Janeiro deveria promover mais a bandeira do Estado, apesar da vergonha que temos da violência, mas eu sempre penso nos: pernambucanos, que levam a bandeira colorida deles para cima e para baixo; nos mineiros que amam aquele triângulo vermelho não sei o pq; nos paulistas, que se acham superiores e tb promovem o vermelho, preto e branco (procurem no Google por "Supla bandeira São Paulo"); e dos gaúchos, que promovem sua terra, com adesivos verde, amarelo e vermelho nos carros, inclusive naquela cerveja Polar, horrível.

      – criatividade é importante, mas a comunicação visual tem que ser mais profissional.

      – promover o Rio de Janeiro DO INVERNO também. Qualquer coisa que mantenha o interesse no RJ friozinho.

  1. Se o prefeito adota, como outros administradores, O padrão de um rosto para a fachada e uma conta corrente para crédito de salários e vantagens ficando para o segundo em comando a gestão efetiva e técnica mostra como a gestão pública é comprometida. Como citado, não só no turismo mas em todas as áreas, esses auxiliares deveriam ser captados no que de melhor esteja disponível no mercado para atender a sociedade, conciliando investimento e retorno a ser obtido.

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