Jackson: João do Novo ou de Novo o João?

Jackson Vasconcelos fala sobre a queda de braço no Partido Novo entre João Amoedo e aliados, que escolheu Lula, e o grupo que segue com Bolsonaro

Causou frisson o anúncio que João Amoedo fez de voto no Lula, mas se ele declarasse voto no Presidente Jair Bolsonaro, causaria polêmica, voltaria a ocupar espaço na mídia e seria ele lembrado pelos adversários que tem no Partido Novo? Certamente, não. Ele só conseguiria, quem sabe, no máximo, ouvir de seus adversários um pequeno “viu?”. Sim, porque João pediu o impeachment do Presidente e, depois disso, só recebeu pancada no partido. Afinal, Jair Bolsonaro foi fundamental para a eleição dos deputados federais, estaduais e do próprio e único governador do partido em 2018. 

Fico à vontade para, ao tentar entender o voto do João Amoedo, dizer que ele tomou uma decisão de oportunidade de exposição. Mas, João Amoedo correria o risco de ser vinculado ao pensamento do PT, assim sendo, João, homem rico de dinheiro e inteligência, encontrou logo um argumento para o voto. Ele afirma que não pensa como Lula, nem como Bolsonaro e vai mais longe para dizer que não gosta de nenhum deles. Ao escolher Lula, diz Amoedo, ele optou pela liberdade de fazer oposição, porque se Jair Bolsonaro vencer, acabará com a democracia. 

Contudo, exatamente pela inteligência que tem, João Amoedo sabe que a democracia não está em risco pelo fato de Jair Bolsonaro ser o presidente, nem estará se Lula conseguir voltar para lá. A democracia brasileira não está consolidada, se sabe, porque ainda nos falta segurança jurídica e há bastante gente na população que não encontra vínculo entre a liberdade e a felicidade pessoal. 

João Amoedo decidiu votar no Lula, seus companheiros de partido, no Bolsonaro. Agora aguardemos para ver quem vencerá essa queda de braço no partido Novo, já que o ambiente por lá não anda nada bom. O Novo é uma experiência que poderia vingar a favor da boa política. 

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

Formado em Ciências Econômicas na Universidade Católica de Brasília e Ciência Política na UNB, fez carreira com dezenas de cases de campanhas eleitorais majoritárias e proporcionais. É autor de, entre outros, “Que raios de eleição é essa”, Bíblia do marketing político.
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4 COMENTÁRIOS

  1. Quem é João Amoedo? É “dono” de partido e foi candidato a presidência. Qual a importância? Nenhuma. Quantos donos de partido já foram candidatos até a presidente: Eymael, Fidelix, Bivar, Eneas…e o resultado. O melhor foi a Marinarvore com seus 20 milhões de votos que teceram a Rede, hoje o despachante de processos do PT no STF. Quantos votos Marina teria hoje? Talvez o mesmo do candidato Padre. Amoedo teve 2,5 milhões quando tentou ser presidente custeando a campanha, hoje seu candidato a presidente teve 10 x menos votos que seu candidato a governador, o Paulo Ganime que sem apoio e $$$ do partido alavancou na unha 600 mil votos dos cariocas que viram nele mudança e ética. Qual a maior qualidade do Amoedo? Ele é rico! Ai vamos encontrar interesses. Nosso talvez futuro presidente agora curte vinhos de R$ 10 mil presenteados por empresários e marmitas da Casa do Porco e outros espaços gastronómicos de SP. Quem conhece o que é bom sabe que “paladar não desce degrau” e o clube de empresários que declaram estar com ele gosta mais de dinheiro do que de povo. Deve explique a convicção democrática do líder no partido Novo que desde o início demonstrava um projeto para determinado nicho da população.

    • Em tempo: Não cito o nome do candidato do PT por conta das decisões legais pipocando para impedir certas opiniões e dados históricos sobre este candidato. Para o outro, a opinião é livre.

  2. Provavelmente o Sr. João Amoedo procurou um jeito de ser lembrado qua existe. Há risco para democracia há!. Quem não conhece história deve palpitar menos. Hitler era cabo do exercito austríaco, foi eleito pelo voto, o que aconteceu? Deu golpe mexendo com sentimento alemão. Deu no que deu! Não precisamos contar sobre isso. Mussolini foi soldado do exercito italiano, também foi eleito pelo voto. Implantou o fascismo. Terminou executado e pendurado de cabeça para baixo, depois de se promover a Marechal do Império Italiano. O comportamento do atual mandatário ao longo de sua carreira militar, parlamentar e de sua postura com expressões típicas do nazifascismo é um alto risco para democracia e o coloca no mesmo patamar dos perigosos eleitos e não eleitos como Stálin e Kim Jong-un para citar apenas esses.

  3. Na minha opinião, de apoiador convicto e eleitor do Partido Novo, acho que o mais correto seria o Novo ficar isento, pois, se a maioria dos brasileiros escolheu 2 péssimos candidatos para o segundo turno, qualquer um que seja eleito dará trabalho para os não encantados manterem o incapaz dentro dos limites para não afundar ainda mais nosso sofrido país. Que o Novo apoie as propostas boas e combata com vigor as ruins, pois nenhum presidente, até hoje, fez somente lambanças…mesmo os piores, SEMPRE fazem alguma coisa de útil para o país…mesmo que as vezes sejam poucas coisas.

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