Jackson Vasconcelos: Eduardo Paes periga perder

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre a pesquisa Prefab com intenções de voto para a Prefeitura em 2024 que será divulgada nesta sexta (24/11)

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Eduardo Paes
Eduardo Paes - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Amanhã, a Prefab divulgará o resultado da pesquisa que foi para as ruas do Rio de Janeiro durante a semana, com a intenção de votos para a Prefeitura. Antes da Prefab, o instituto Paraná Pesquisas chegou à imprensa, mas com incongruências que inviabilizam a análise. O DIÁRIO DO RIO já apontou algumas delas, as mais importantes. Otoni de Paula e Pedro Duarte não entraram na cartela, apesar de declaradamente, serem candidatos. No caso do vereador Pedro Duarte, o erro é maior, pois a candidatura não está mais só na voz do candidato, mas já é um projeto do partido, que ontem, num evento marcado com quase 30 dias de antecedência, comunicou o fato.

O evento aconteceu na ABI, no Centro da Cidade, onde compareceram mais de 700 pessoas. Um bom número, considerando-se o fato de o partido não financiar a presença de cabos eleitorais nem de claques. Certamente, a frequência teria sido maior se o medo, quase pavor que se percebia nas faces não existisse.

Eu fui e voltei de metrô. Poucas vezes vou ao centro da cidade. Transitar por lá é perigoso. No caminho entre a estação da Cinelândia e o local do evento, senti insegurança e desconforto. A cidade está escura, não tem policiamento e às 19 horas, horário em que atravessei da Cinelândia ao prédio da ABI, via-se os viciados e mendigos acomodam-se para dormir. A escuridão passa a sensação de sujeira. Na minha volta até a estação do metrô, vi uma moça urinando em frente ao prédio da Biblioteca Nacional. Os bancos da praça já estavam tomados pelos mendigos. O cheiro de entorpecente é forte. No evento, o vereador Pedro Duarte falou sobre a falta de ordem na cidade. Um flanco na campanha do prefeito.

Deltan Dallagnol foi a estrela do evento. Ele fez um sermão contra a corrupção. Abriu com as palavras de ordem ”fora, Lula”, que o auditório completou por ação própria, e, imediatamente, com ”fora, Eduardo Paes”. Por ser batista, Deltan terminou o sermão com um apelo para a conversão dos presentes à causa do Novo, ao estilo do que fazem os pastores da igreja dele. Se presente na campanha do Pedro Duarte, Deltan pode ser mais uma pedra no sapato do Eduardo Paes, pela vinculação direta do prefeito com Lula e, no passado recente, com Sérgio Cabral. O povo ainda não digeriu a impunidade chancelada pela Justiça Brasileira, tema que no Rio de Janeiro, oferece um paralelo com a falta de segurança pública.

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Devagar os candidatos à prefeitura começam a assumir posição e cada um que entra no cenário tira um pouco o conforto do Eduardo Paes, que por hora segue meio sozinho, quase absoluto, por isso, ainda favorito. Ele por enquanto tem os votos dos apaixonados por ele, dos indiferentes e até dos que não gostariam de tê-lo, mas que se vêem obrigados a seguir com ele pela falta de alternativa.

Sabe-se que Eduardo Paes venceu a eleição em 2020, sem propor coisa alguma a não ser tirar Crivella da Prefeitura. E, mesmo assim, para vencer, foi ao segundo turno. Campanhas e eleições são campos minados.

Dick Morris, esse sim um estrategista que merece o título, e tendo sido a razão do sucesso do Bill Clinton na primeira campanha para a Presidência dos Estados Unidos, uma disputa dificílima com um presidente na campanha pela reeleição, alerta: ”Qualquer pessoa que queira fazer carreira na política tem de compreender que outros vieram antes, e que um estudo da história pode evitar muita dor de cabeça no caminho”.

Eduardo subestima e descuida. Quando ele menos esperar pode ser atropelado, como foi em 2018. Sim. 2018 foi uma eleição excepcional? Nem tanto. Muitas foram, por motivos diferentes. E por falar sobre a eleição no Rio, amanhã, sexta-feira, a Prefab apresentará o resultado da pesquisa feita durante a semana. Não sei ainda o resultado, mas com certeza, ela não tem os erros da Paraná Pesquisas.

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Formado em Ciências Econômicas na Universidade Católica de Brasília e Ciência Política na UNB, fez carreira com dezenas de cases de campanhas eleitorais majoritárias e proporcionais. É autor de, entre outros, “Que raios de eleição é essa”, Bíblia do marketing político.
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9 COMENTÁRIOS

  1. O texto de tão enviesado mais parece de um militante, e não de cientista político. O articulista jogou para a platéia seu desejo sem se importar com a realidade dos fatos, a de que Eduardo Paes não tem corrente à altura. A atual administração, ao contrário da anterior do Crivella, é bem avaliada. Logo, o carioca vai votar pela continuidade. Assim, tudo indicada que a eleição de 2024 será um passeio do atual prefeito.

  2. Querendo ou não, o VLT ajudou muito na degradação do Centro, por mais que não aceitem. Na Cinelândia por exemplo, quando havia aquele movimento de tráfego, existia mais vida.

  3. Os moradores de rua estão cada vez mais violentos, antes não era assim. Em Botafogo te seguem perturbando agressivamente. Já fui ameaçado com faca ese ano.

  4. Problema do Eduardo é que a história tanto o credencia a um dos grandes administradores da cidade como também a um dos que pior cuidam da cidade. Tempo de governo, ações e execuções determinam isso. Só que uma pessoa com o narcisismo a flor da pele vai jogar a história no lixo e admirar como é hoje. É pior que viver de passado como hoje sofremos com a administração federal. E o que agrava isso é ter muito tocador de bumbo que o incensa e ele acredita que é a ultima coca do verão. Quando essa turma deixar de acreditar, ele é que vai para o lixo. Mas ainda acredito em boas pessoas e ações. E a vinda do Deltan em apoio ao pré candidato no Novo mostra primeiro que temos gente que acredita no que é bom. E precisamos de mais gente boa. Ah, lembrem-se de que o Ganime fez uma excelente campanha sem gastar nada, somente seu capital e história pessoais.

  5. Voto em quem eu conheço. Os desconhecidos e políticos de quinto escalão, quando no poder executivo só fizeram besteira.

    Portanto, Paes para manter a cidade minimamente funcionando. Ao menos é carioca de verdade.

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