Por Silvana Vargas

Armando Nogueira Apesar de nascido em Xapuri (Acre), Armando Nogueira brilhou como jornalista da imprensa esportiva entre nós. Contrariando a idéia plana de que  aos iniciantes era reservado o assunto do futebol na prática jornalística, bem cedo,ainda  anos 50 ,deu show de bola e de lirismo nas inúmeras crônicas que escreveu no Diário Carioca . E continuou vida afora nos muitos livros que publicou. Percebeu que fazer se adquire ou se aprende. E concordando com Noel Rosa acreditou que improvisar com a bola nos pés “ não se aprende na escola”. Então exercitou como ninguém a destreza de retratar o mundo dos jogadores, juízes e cartolas sem confundir futebol com ufanismo.

 

Armando Nogueira foi da geração de Nelson Rodrigues,João Saldanha, só  para citar alguns.Verdadeiros craques da palavra que davam ao futebol um enfoque de pureza chapliniana tal meninos peladeiros envolvidos no mundo da bola.

Com ele entendemos que a vida é futebol. Futebol que é jogo. Jogo de vida e paixão. Imensa metáfora que nos aproxima da tragicidade heróica de seus personagens. Assim,só para citar  como exemplo,  se Pelé não fosse gente teria nascido bola .

 

Ontem, Armando deu um drible na doença que o consumia desde 2007 e foi buscar inspiração nas estrelas. Foi buscar resposta para indagações feitas em algumas de suas crônicas. Certa vez escreveu ” E as palavras eu que vivo delas,onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo…”

Boa viagem, inesquecível Armando Nogueira.

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