Light rasga a lei e quer colocar relógios de luz na fachada de imóveis tombados

A medida é ilegal e impõe uma série de procedimentos agressivos à preservação da história da cidade, já que para instalar os medidores é preciso furar paredes, colocar braçadeiras de ferro, canos de borracha ou plástico preto

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Demonstrando total desapreço pela cultura, pela beleza e pelo Centro Histórico, a Light quer obrigar todos os imóveis históricos do Centro a instalar relógios de luz de forma externa na fachada . A situação preocupa comerciantes e choca especialistas em bens culturais. Foto: Grupos de Whatsapp

Comerciantes da Rua da Carioca e suas adjacências, no Centro do Rio de Janeiro, passaram, no início do ano, por uma série de arbitrariedades perpetradas pelos funcionários da concessionária Light S/A. Imóveis centenários e, por vezes, bicentenários – muitos tombados ou preservados pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) – foram comunicados que a empresa faria “modificações no fornecimento de energia.” Só que estas modificações são ilegais.

Sob alegação de modernização, a concessionária determinou que os comerciantes instalassem os seus relógios de luz – os famosos “medidores”- na parte externa das unidades, produzindo modificações inaceitáveis e proibidas em fachadas tombadas. A medida impõe uma série de procedimentos agressivos à preservação da história da cidade, já que para instalar os medidores é preciso furar paredes, colocar braçadeiras de ferro, canos de borracha ou plástico preto, além de colocar das horrendas caixas de acrílico.

As fachadas dos imóveis da Rua da Carioca, repletas de pedras de cantaria, portões de ferro fundido, ornatos, cariátides e outros detalhes de grande pureza arquitetônica; não combinam com o que a concessionária Light S/A pretende realizar em nome de uma suposta modernização.

Além de desrespeitosa à História e à Cultura, a Light age, mais uma vez, ilegalmente:

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Resolução Normativa nº 414/2010
Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL

Art. 82 – É vedada à distribuidora a instalação de medição externa em locais onde houver patrimônio histórico, cultural e artístico objeto de tombamento pelo Poder Público Federal, Estadual ou Municipal, definidos em lei específica, exceto quando houver autorização explícita dos respectivos órgãos”

A Prefeitura do Rio Janeiro já está tomando medidas cabíveis, que incluem a imposição de multas à concessionária, para deter as ações arbitrárias e desrespeitosas contra os proprietários das unidade e à história do Rio de Janeiro. ”Nós não vamos autorizar essa maluquice nos nossos imóveis e nos imóveis de nossos clientes. É ilegal e nós não vamos permitir. Usaremos a norma do artigo 82”. disse ao Diário o Diretor da administradora de imóveis Sergio Castro, Wilton Alves, que gerencia mais de 1000 prédios tombados na região.

O presidente do Polo Gastronômico e Cultural da Praça XV, Renan Ferreira, reforçou que as ações da Light têm um caráter arbitrário e ilegal, uma vez que as fachadas dos imóveis, que estão sendo modificados, são tombados por entidades de defesa do patrimônio histórico.

“A fim de esclarecer algumas dúvidas em relação a light estar efetuando a retirada dos relógios de energia de dentro dos imóveis tombados da região da Praça XV. A região é tombada pelo IPhan e eles não possuem autorização para fazer nenhuma modificação tanto internamente como externamente”. Disse Renan Ferreira ao DIÁRIO DO RIO.

Fontes do DIÁRIO no Iphan, garantem que as medidas tomadas pela Light estão também em desacordo com as regulações preconizadas pela entidade e podem gerar multas injustas para os proprietários e para a própria concessionária. Segundo as regras de tombamento e preservação patrimonial, ruas como a Travessa do Comércio, jamais poderiam receber tal intervenção.

Para resguardar a memória do Rio, o Iphan pode responder à consulta coletiva realizada por associação coletiva ou polo de comerciantes sobre o assunto, além de dar todas as orientações aos proprietários dos imóveis sobre como manter as fachadas das unidades em conformidade com a lei. A comunicação com a entidade deve ser feita através do envio de um ofício.

Cabe à equipe técnica da Light ter bom senso e cumprir a lei, que impede modificações em fachadas de imóveis tombados. A Rua do Lavradio e a Rua da Carioca, por exemplo, são tombadas pelo INEPAC. O comércio da Lavradio, por sua vez, foi tombado como Patrimônio Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

A cidade de Nova Iorque é a metrópole mais retratada pelo cinema no mundo. Para o nova-iorquino preservar os locais históricos da cidade é uma necessidade vital para a construção de uma memória coletiva. Como um cineasta vai gravar um filme de época no Centro Histórico do Rio, com centenas de horrorosos relógios de plástico e seus conduítes imensos pretos de borracha caindo pela fachada? Onde está o respeito pela história e pela cultura?

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10 COMENTÁRIOS

  1. Concordo com os outros comentários acima, entretanto pagamos a energia dos edifícios públicos das favelas e agora pelo jeito TB dos edifícios tombados….pq este tipo de solicitação de relógio pra fora é quando tem furto de energia elétrica..sem mais nada a declarar!

  2. A Light na baixada faz o que. Quer Pq o Rio seria diferente. Coloca tira . E vc ainda escuta da atende assim. N adianta reclamar. N da em nada.pq no rio seria diferente kkk
    Quem manda é light e pronto

  3. Tanto a Light como a Enel não trabalham em prestar bons serviços, principalmente na área técnica.
    Já existiu um projeto de montar um braço da Aneel aqui no RJ, e que não foi implantado por falta de interesse do Estado que ficaria na gerencia da AGENERSA.
    A fiscalizaçao descentralizada teria respostas ao usuario mais rapida.

  4. a light faz o que quer hoje em dia,Light tem a proteção da polícia e o povo não tem,algo deve estar acontecendo por debaixo dos panos,o povo nem sair pra trabalhar não pode por falta de segurança pública e a light tem segurança e dispositivos para trabalharem com segurança,na vdd é o fim dos tempos mesmo.

  5. Justiça é uma palavra bonita feita pra enganar pobre e colocar o mesmo na cadeia. Todos sabem que as multas que não são impostas a pobres , não são pagas. E escancarado existe 2 constituições no Brasil as dos Ricos e CEPs nobres e a lei para pobres e CEPs baixa renda. Vai da multa na light como faz com madeireiros que nunca pagam . E só o cala boca na mídia, PF , STJ da multa e tal . Aí eles não pagam , pagam o escritório de advocacia do ministro e nada é pago. Vai bloquear os bens igual ao da Adriano Alcelmo, que sacou 1.5 milhões no banco. A criminalidade tomou conta das autoridades. #acriminalidadetomoucontadasautoridades

  6. Se tivéssemos empresas concorrentes em todas as áreas em que há monopólio estatal, o Brasil seria outro.Claro que sem reforma de nosso judiciário cabide de empregos e benesses também nada disso funcionaria.

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