Litoral do Rio abriga uma espécie rara de perereca que espalha flores por onde passa

Os pesquisadores envolvidos na descoberta acreditam que este pode ser o primeiro caso de anfíbio polinizador do mundo

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Foto: Divulgação / Carlos Henrique de Oliveira Nogueira

Um anfíbio que só existe nas restingas da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro, de Paraty a Rio das Ostras, causou comoção e se tornou assunto de artigo científico na Food Webs, na renomada Revista Science e na web. A espécie foi descoberta em 1959, por Eugenio Izecksohn, um dos maiores especialistas em répteis e anfíbios do Brasil, quando as restingas ainda cobriam parte mais considerável do litoral. Agora, com a redução de seu habitat, a pequena perereca corre o risco de extinção.

O biólogo responsável pelo estudo, Carlos Henrique de Oliveira Nogueira, redescobriu a perereca em restingas das Praias de Búzios, enquanto pesquisava para o seu mestrado sobre anfíbios na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Ele e um colega monitoravam outras espécies, quando lhe chamou atenção um exemplar de xenohyla truncata em inusitado comportamento.

A espécie conhecida no exterior como “sapinho-arborícola-de-Izecksohn” e no Brasil de “perereca-comedora-frutos” não apresentava hábitos muito comuns para um integrante do grupo dos anuros, que engloba pererecas, rãs e sapos que são essencialmente carnívoros e se alimentam de insetos.

Ela apresenta um comportamento jamais visto antes: bebe néctar, se alimenta de flores e salta o equivalente a até 20 vezes a sua altura. Por essas razões pode ser o primeiro caso de um anfíbio polinizador do mundo. Pois, ao sugar néctar, o pólen se gruda em suas costas úmidas. E ao pular de flor em flor em busca de mais néctar, espalha pólen por onde passa.

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A fim de incluir definitivamente a perereca no seleto grupo dos polinizadores, a espécie precisará a ser alvo de mais estudos. Mas a descoberta por si só já chamou a atenção dos especialistas devido ao fato de que polinizadores são extremamente importantes para o meio ambiente.

“Essa descoberta mostra o quanto ainda sabemos pouco sobre nossa biodiversidade, destruímos o que não conhecemos. Até regiões superpovoadas nos reservam surpresas” disse o biólogo.

Nogueira supõe que a perereca passou tanto tempo despercebida por ter hábitos noturno e um esconderijo estratégico. Ela vive no interior de bromélias, lá no fundo, onde está sempre úmido e escuro. Vital para os anfíbios, que respiram pela pele e precisam mantê-la sempre fresca e úmida o tempo todo.

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