Marcela Lordy anuncia previsão de estreia de “O Livro dos Prazeres” para 2º semestre de 2022

Informação foi revelada ao DIÁRIO DO RIO durante entrevista no primeiro Festival de Cinema de Vassouras no Vale do Café, onde o filme abriu a primeira noite da mostra competitiva

O primeiro dia da mostra competitiva de longa-metragem do Festival de Cinema de Vassouras começou com o debate sentimental sobre as nuances do filme “O Livro dos Prazeres” de Marcela Lordy. Nesta segunda-feira (23), a diretora marcou presença no evento ao lado das atrizes Simone Spoladore e Martha Norwill, e do maestro da obra, Edson Secco

O filme é uma adaptação do livro da escritora Clarice Lispector. Desde a estreia do filme em festivais ao redor do mundo, em 2020, Lordy vivencia a alegria de promover seu primeiro longa-metragem de ficção. Acompanhe a entrevista completa nos próximos parágrafos. 

Marcela Lordy, como é a experiência de exibir seu primeiro longa-metragem de ficção?

Eu já tinha feito um longa-metragem documental e também um telefilme para a TV Cultura de 52 minutos, que a protagonista era a Simone Spoladore também. A gente se reencontrou dez anos depois nesse meu primeiro longa de ficção, que demorou exatos dez anos entre eu ter a ideia, captar, desenvolver os diversos tratamentos de roteiro. A Josefina Trota, que é co-roteista foi muito importante nesse processo, porque realmente o livro é um fluxo de pensamento, e eu fui tecendo e aprendendo o que é ser diretora. Escrever e depois dirigir foi um processo bem bonito e de muita aprendizagem, como diz o próprio livro. 

O que representa a personagem da Lori, personagem principal do livro?

O nome dela é Lorilei, o nome de uma sereia. A sereia tem essa coisa da voz, do canto, que seduz e depois mata. Ela sempre matava os amores dentro de si. É um aprendizado de amar também, de se doar e entender que o outro é um espelho. Como conectar as pessoas em outro lugar, não só fisicamente. Quando eu li o livro (da Clarice Lispector), há muito tempo, eu tinha acabado de me separar e estava me sentindo muito perdida. Parece que as pessoas são diferentes, é claro que tem um lado romântico, mas esse livro também é a quebra do amor romântico. Ela mostra como é importante você não depositar toda a sua felicidade no amor romântico, mas sobre você estar inteiro com você. 

O filme já participou de diversos festivais, como Cannes e Argentina. Como é para você esse reconhecimento não só dentro mas fora do Brasil?

Foi curioso porque o filme ficou pronto junto com a pandemia, e eu fui assistir o filme pela primeira vez na Holanda, com um público holandês, e fiquei pensando ‘será que eles vão entender alguma coisa?’. Ele tem um universo muito específico, mas é uma co-produção argentina. Ele é internacional, e tem toda essa questão da personagem feminina contemporânea, que termina de uma forma feliz. A gente tem uma distribuidora em Berlim, que vendeu no ano passado no mercado de Cannes e foi para o Japão, Bélgica, Argentina, onde ganhamos melhor atriz e menção de melhor longa-metragem, e claro, por aqui no Brasil, no Festival do Rio e agora no Festival de Cinema de Vassouras. 

Qual é a previsão de estreia de “O Livro dos Prazeres”?

A gente pretende lançar agora no segundo semestre. Seguramos justamente por conta dessa questão da pandemia, de não ficar a vontade numa sala de cinema sem máscara, e até hoje não fico à vontade. Mas a gente teve essa trégua da pandemia e estamos animados para lançar em setembro. 

Em relação aos filmes de arte e filmes independentes, você acha que é uma produção solitária quando colocados em comparação aos blockbusters? 

Todo processo criativo passa por um momento muito solitário, mas também de muito prazer, porque no cinema a gente consegue ter muita liberdade. É um prazer que nós temos em poucos lugares. Tenho tido algumas experiências no teatro, e sinto que tem essa pureza da criação, muito diferente do mundo das séries, da televisão e do mundo mais comercial, que é muito legal também. O atual governo conseguiu desmontar toda a estrutura de editais para fazer cinema, e é um momento em que poucas pessoas conseguiram fazer seu primeiro filme. Eu sinto que eu fiz, e fecharam a porta nas minhas costas, e onde estão meus colegas que também queriam fazer isso? É muito importante que consigamos retomar esse espaço, pois é um processo solitário, mas também muito lindo. 

Você mencionou que tem experimentado o teatro, quais são os projetos e o que você tem preparado para o futuro?

Curiosamente, um casal muito legal, a atriz Flávia Couto e o Pedro Guilherme tinham um projeto muito legal sobre Anaïs Nin, que seria lançado e começou a pandemia. Eles resolveram montar o espetáculo dentro de casa, se filmando. Quando eu assisti aquilo, já um ano e meio depois do início da pandemia, eu pensei ‘gente, que liberdade e que bonito o teatro se apropriar do cinema, em uma linguagem muito mais fluida’. Eles filmavam com iPad e dois celulares, e eu lá um ano e meio trancada. O set de cinema acaba tendo 70, 80 pessoas. E depois de um tempo eles ganharam um edital Aldir Blanc para registrar, pois eles faziam online e acabava, então me convidaram para ser provocadora cinematográfica. Fomos para um espaço físico, que era um teatro, e se tornou um filme super legal de uma hora, e que está bombando. E eu me senti na faculdade de cinema, fazendo uma produção experimental, e de muito prazer. Agora, uma colega também me convidou para dirigir uma peça dela, fiz a leitura e fizemos já uma parte do ensaio. Eu sou uma contadora de histórias, e contar histórias é sempre um prazer.  

Festival de Cinema de Vassouras 
O primeiro Festival de Cinema de Vassouras foi idealizado pelos irmãos Bruno Saglia e Jane Saglia. O Vale do Café já recebeu cerca de duas mil pessoas nos dois primeiros dias de evento e tem programação até 29 de maio, no Centro de Convenções General Severino Sombra, no centro da cidade. Além de Marcela Lordy e parte do elenco de “O Livro dos Prazeres”, já passaram pelo tapete vermelho o casal Thaila Ayala e Renato Góes, os atores Carlos Veraza e Humberto Martins, que foram homenageados. 

Jornalista, produtora e apresentadora do podcast cineaspectos. Como amante do cinema, ficou imersa em roteiros fantásticos, conheceu a beleza dos filmes de máfia e os incompreendidos dramas europeus. Sara adora desbravar a singularidade do cinema brasileiro, e acompanha de perto os principais festivais e mostras ao redor do mundo.
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