Imagem meramente ilustrativa de vacina sendo aplicada - Foto: Getty Images

Na manhã desta terça-feira (29/06), um apresentador do ”SporTV”, em consonância com comentaristas, criticou o que chama de ”sommelier de vacinas”, o cara que escolhe a vacina que quer tomar. E, com coro unânime, desfila uma série de clichês, entre elas a surrada ”vacina boa é vacina no braço”. O outro complementa: ”Tem gente que diz que vai tomar vacina só para viajar”. E mais um finaliza: ”Quando me perguntam que vacina eu tomei eu nem respondo”. Pronto. Agora, vivendo um momento em que ninguém, no mundo inteiro, sabe absolutamente nada sobre os desdobramentos da Covid e onde vamos parar com o conjunto de ações sugerido pela OMS, entre eles a vacina, ainda temos que aguentar a crítica rasa dos ”sommeliers de patrulhamento”.

É perfeitamente natural que as pessoas, em pânico com o nível de desinformação planetária sobre o vírus que nos acua em casa, tentem buscar mais informações sobre a vacina que vão injetar em seu corpo ou de sua família. Não é questão de ser sommelier. É uma decisão de responsabilidade e de vida. E não é um zé qualquer que pode, do alto de sua arrogância global, dizer como você tem que reagir à vacinação ou que escolha você fez.

Há, desproporcionalmente, no jornalismo brasileiro, uma artilharia de informação que defende as vacinas, o que é, obviamente, a única saída científica para o momento em que vivemos, mas que ignora os relatos de milhares de pessoas que nesse momento sofrem, não com reações, mas com colateralidades, muitas vezes fatais. Há casos de infartos de miocárdio, inflamações no coração, coágulos no corpo. Evidente que os números são baixos diante do número de vacinados. Mas ora: assim como as mortes, não são números. São pessoas.

Perto da gente há casos de gente que toma a vacina e é internado com problemas outros. E não se trata aqui de criar pânico ou soar negacionista, longe disso. Somos todos reféns das declarações absolutamente desastrosas do presidente Jair Bolsonaro, que efetivamente empurrou-nos para o abismo. Mas é do jornalismo a obrigação de falar sobre o que está acontecendo além dos postos de vacinação. Não é o caso de ficar fazendo piadinha, criticando os outros por se informarem e desejarem uma ou outra vacina. Esse é o jornalismo babaca, que acha que pode julgar comportamentos, como se fossem, eles próprios, os jornalistas, exemplos divinos lançados na Terra para opinar sobre sua vida.

Estamos muito longe de uma solução para a Covid-19, que está em mutação e pode, segundo os próprios cientistas, virar outros vírus, com outros nomes e codinomes. Estamos ainda no começo do problema, que está longe de terminar.

Por isso, em vez de ficar postando fotinha com frases ”modinha” como ”Viva o Sus”, ”Viva a Ciência” e passar o dia tacando pedra e lixo verbal numa população amedrontada, faça um favor à sociedade: apure, olhe em volta além do umbigo e entenda que, só porque você é um jornalista da ”Globo”, um influenciador, um artista, não tens a verdade absoluta correndo no seu sangue nobre e ”coletivo”.

Já não basta sofrermos com o patrulhamento ideológico, para um lado ou para o outro. Agora temos que aturar também opiniões escroques sobre querermos escolher a vacina que vai para o nosso corpo. Lembre-se dessa palhaçada quando for escolher entre Tylenol e Novalgina, Ola e Jontex, Cataflam e Azitromicina.

3 COMENTÁRIOS

  1. E o que dizer desta afirmação:”o presidente Jair Bolsonaro, que efetivamente empurrou-nos para o abismo.” Que abismo? Foi ele que decidiu o que se fez, ou deixou de fazer, nos estados e municípios?
    Pois é, as divindades, quando obnubiladas pela ideologia e/ou ódio pelo presidente, se bastam umas às outras.
    Inté!

  2. Um texto desnecessário, puro ódio e rancor por parte do autor com o outro veículo de mídia. Mais estimula desinformação do que outra coisa. Lamentável ser publicado.

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