Foto: Pedro França/Agência Senado

Na manhã desta segunda-feira, 24/5, o tom subiu contra o movimento de motos promovido pelo presidente Jair Bolsonaro. E partiu de dentro do alto comando dos militares – ou um de seus maiores representantes, o General Hamilton Mourão. Mais comedido, mais sensato, de bom trato pessoal e mais próximo de um estadista de direita, Mourão foi escanteado por Bolsonaro desde o primeiro dia de seu governo. As diferenças de pensamento entre ambos são abissais. E muito por isso essa declaração de Mourão nesta segunda, personificada no ex-ministro Eduardo Pazzuello, soou ainda mais emblemática. Uma espécie de esporro com classe:

O Pazuello já entrou em contato com o comandante informando ali, colocando a cabeça dele no cutelo, entendendo que ele cometeu um erro. É provável que seja punido. É uma questão interna do Exército. Ele também pode pedir transferência para reserva e aí atenuar o problema“.

Mourão já engoliu muito sapo calado. Não é convidado para quase nenhum evento do presidente. E algumas vezes é desconvidado. Bolsonaro, por seu perfil autoritário, não consegue conviver com um vice com cérebro – e principalmente com opinião.

A questão agora é: o que fará Mourão em 2022, já que nas internas é descartado como vice de Bolsonaro? A resposta pode ser uma candidatura ao governo do estado, ao senado ou até a deputado federal. Uma coisa que não há mais dúvida é que Mourão vem pelo estado do Rio de Janeiro. Nascido em Porto Alegre (RS), mas com casa no Rio e com ligações profundas com a capital carioca, Mourão analisa um mergulho no escuro – uma candidatura ao governo do estado ou ao senado podem demandar negociações não republicanas, o que Mourão descarta. E daí a possibilidade de virar candidato a deputado federal, sob todos os aspectos uma candidatura estelar, que elevaria a estatura de seu partido, o PRTB.

Com experiência internacional, colhida como militar, e à frente do Conselho da Amazônia Legal, Mourão, por estar intelectualmente e pessoalmente acima de Bolsonaro, vai naturalmente se transformar num virtual inimigo do presidente, mesmo sem declarar guerra. Não será surpresa se Bolsonaro pedir que não votem em seu vice para nada, tachando-o de traidor, algo que acontece com todos os ex-bolsonaristas. Por isso, para não receber uma gongada dos militantes do presidente, o melhor caminho é mesmo Mourão voltar a Brasília como um dos deputados federais mais votados. A candidatura proporcional tem telhado de vidro menor.

Entre Mourão e Bolsonaro, não há absolutamente nada em comum. No próprio instagram de Mourão, criado em 31 de julho de 2019, há apenas 3 imagens ao lado do presidente. Mourão não faz questão de esconder. Ele é uma pessoa diferente de Bolsonaro. Mourão seria a direita brasileira  que as forças militares gostariam de ver como representante: mais alinhado com o lema “Ordem e Progresso”. Na visão dos militares, fosse Mourão o presidente da república, os brasileiros já estariam vacinados, obedeceria aos princípios internacionais sanitários de distanciamento social e uso de máscara e álcool gel e jamais, em hipótese nenhuma, dispararia palavrões a quem quer que seja, a citar repórteres ou governadores ou prefeitos.

O representante da verdadeira direita brasileira é discreto e silencioso sobre seus propósitos. Não bate boca com o presidente, mas ao mesmo tempo emite suas opiniões quando enxerga que precisa se contrapor ao presidente, mas sem citá-lo. Ao mesmo tempo, apoia Bolsonaro publicamente, quando entende que precisa fazê-lo, especialmente de forma institucional.

O fato é que, para o Brasil, a prosperar o impeachment de Bolsonaro, o que vai depender do gerenciamento da pandemia nos próximos meses, Hamilton Mourão seria o presidente perfeito para consertar a combalida imagem da tresloucada e fanática direita brasileira. Uma direita nova, que acaba de sair do armário e que já perdeu seus propósitos ao virar apenas uma célula podre e vazia antiesquerdista, sem capacidade de enxergar a realidade à frente.


Enquanto o general Hamilton Mourão segue sua estrada de asfalto consistente, o governador do estado do Rio, Claudio Castro, persegue sua vitória em 2022 por WO, com acordos político-partidários que fatiam toda a sua gestão. Sua entrada no PL enterra as possíveis candidaturas de Jorge Miranda (Mesquita) e André Português (Miguel Pereira) – e outras já estão com a pá na cova. Castro ainda não aprendeu com a história recente da política fluminense, que mostra que nem toda vitória eleitoral é uma vitória política.

8 COMENTÁRIOS

  1. Matéria escrita por um esquerdóide cujo único objetivo não é alçar o Mourão mas lançar desavenças.
    Mourão, desde após a posse, deu indícios de ser traíra. Seria cooptado a saciar os prazeres da velha mídia de imediato como já deixou transparecer.
    Enfim, o objetivo do autor da matéria é o de criar atrito entre os próximos para que se destruam.

  2. Na lista da cova o insistente Freixo: Irmão de Sandra Sapatão é assessor de deputada do PSOL
    Antônio Carlos Gabriel, o Rumba, integra gabinete do PSOL de deputada estadual/Alerj Dani Monteiro. Sandra é apontada como uma das lideranças do tráfico no Jacarezinho.

    O flamenguista Mourão e, 2022 para o Senado ou Deputado Federal pelo Rio.

    E siga o fio.

    • Muito melhor (diria muito menos pior)
      Mais capacitado (concordo)
      Mas de toda forma não tem nenhum espírito democrata. Logo, tão perigoso quanto. E até lembra um pouquinho o Hugo Chávez…

  3. O Impeachment deveria atingir a chapa formada pelos dois nas eleições de 2018…

    Todos sabem que choveu disparos maciços financiada por pessoas físicas e jurídicas e muitos desses serviços partindo do estrangeiro.
    Aquela tentativa de derrubar o servidor do TSE partiu mesmo de um único jovem em Portugal (hein?) Quem está por trás (???)

  4. Excelente reportagem! Eu particularmente gostaria que ele viesse candidato a Presidência, mas acredito que não virá. Sendo assim, acredito que o Rio de Janeiro merecia um Governador do Gabarito do General Mourão, mas sabemos que ele não fará, jamais, as alianças espúrias que o atual Governador vem fazendo para alcançar a “reeleição”.

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