Foto de Andrea Piacquadio no Pexels

O celebrado escritor moçambicano Mia Couto dizia que “o silêncio não é a ausência da fala. É o dizer-se tudo sem nenhuma palavra”. Testemunhamos um momento único na política fluminense: o silêncio dos nada inocentes. Um momento em que o PT fluminense, personalizado em Washington Quaquá, quer porque quer que Lula se sente no colo do governador Claudio Castro. Sobre isso, o governador não emite nenhuma palavra. Parece até que ele gosta da ideia.

Na cabeça de Castro, é possível ter Bolsonaro e Lula juntos em seu palanque em dias distintos? Não sabemos. Ele não fala! E o que Bolsonaro pensa disso? Sabendo que Castro também quer o abraço de Lula seguirá com ele? Castro tem o costume de só falar obviedades em seu governo claudicante. Ele só ainda não se tocou que “quem tudo quer tudo perde”.

O desespero e atropelo de dirigentes de esquerda e direita tentando empurrar o presidente da Alerj, André Ceciliano, para uma candidatura ao Senado, interpondo o que Lula e Gleisi têm em mente, tira do compasso e do equilíbrio os personagens de 2022. É cada vez mais forte a possibilidade de Ceciliano ser o candidato a governador dos sonhos de Lula – e não dos de Castro.

O assunto passa ao largo dos debates oficiais do PT. Mas a nova conjuntura do PT, de elevar a estatura do chumbado partido, com candidatos fortes nas majoritárias de estados importantes, propicia um novo modelo político.

O silêncio de Castro sobre Lula é evidente. Desde que assumiu o governo do estado do Rio de Janeiro,  Castro jamais fez nenhuma menção contra o ex-presidente. É silêncio total.  O que os Bolsonaro acham disso? Castro fica se balançando entre um e outro. Nem defende veementemente Bolsonaro, nem ataca Lula. Escolheu o muro. E olha que esse muro é baixo…

O silêncio conveniente é uma especialidade do governador para não ficar mal com ninguém. Castro silenciou sobre as ofensas gratuitas de seu secretário de governo, Rodrigo Bacellar, à primeira-dama de Campos. E agora também silencia diante do ataque do vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, à jornalista Berenice Seara, com quem trabalhei no “Globo”. Disse Quaquá, em seu instagram:

Quem disse, Berenice? Que meu eleitor liga para essas notinhas? Tá ficando feio receber dinheiro que uns Lindinhos conseguem somar para me atacar todo dia… jabá tem limite, não é todo dia… rs rs. Eu sei que botox custa caro”.

No mesmo dia, Quaquá já tinha lançado essa outra nota:

Tem candidato do PT a deputado pagando notinha contra mim no Extra, com medo da votação que posso ter… Mas essas notinhas não servem nem pra embrulhar peixe 3 dias depois”.

No instagram de Quaquá aparece, garboso, o governador Claudio Castro, elogiando o vice-presidente nacional do PT. Por muito menos, o presidente Jair Bolsonaro deixou aliados a pé. O que Bolsonaro tem a dizer? Certamente muito mais do que o silêncio de Castro tem a dizer.

Temos aí um fim de semana inteiro para que Castro troque o silêncio por algum tipo de atitude. Bolsonaristas e petistas esperam. Mas principalmente quem é atacado por seus aliados sem que Castro emita um só som.

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

2 COMENTÁRIOS

  1. Nem Ciciliano nem castro os dois são fracos e não trabalham pelo estado só querem estatus e serem chamados de sua excelencia . Nãp contem com meu voto.

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