Cesar Maia é o cara. Em sondagens feitas pela LabPop em algumas cidades do interior, o ex-prefeito do Rio e hoje vereador embola a disputa ao governo do estado do Rio e 2022. Ao que parece, o recall da eleição ao senado e um vazio no corredor do centro fazem com que Maia se torne uma peça importante do tabuleiro. Em algumas regiões, Maia assume o primeiro lugar; noutras se reveza com o governador Claudio Castro (PL) em segundo, com Marcelo Freixo (PSB) em primeiro. A questão é: Maia representa uma lacuna numa eleição em que a estratégia de Castro é vencer por WO, mesmo a bordo de uma comunicação patética.

O arco amplo de alianças de Castro remete a estratégias recentes de Sergio Cabral, ancorando medalhões da política e tratorando o estado com anúncios de obras. Entretanto, alguns prefeitos já começam a se soltar do governador. Em algumas cidades da Baixada e do Norte Fluminense há conflitos e algum desprezo. Nos bastidores, prefeitos seguem em busca de um plano B a Castro. E esse poderia ser Maia.

Lá em cima, do lado canhoto, há uma percepção do astro rei da esquerda, Lula, de que o PT precisa de um nome forte para a candidatura ao governo do estado. Esse nome poderia ser Andre Ceciliano (PT), hoje pré-candidato ao senado ainda não oficialmente. O presidente da Alerj ainda é uma incógnita no processo.

Jair Bolsonaro também  não se pronunciou sobre o tema. Mas há muita gente em volta que considera a possibilidade de o presidente lançar um candidato ao governo do Rio absolutamente novo, deixando Claudio Castro no oceano a ver navios. Bolsonaro tem em mente que lançar caras novas pelo Brasil contribuiria para sua imagem de renovação do país. E a politização do governo Claudio Castro seria algo indesejável para a campanha de Bolsonaro.

Portanto, nesse momento, dois personagens da política carioca são preponderantes para o que poderemos encontrar em 2022: Cesar Maia e Eduardo Paes (PSD). O casamento dos dois, de fato e de raiz, afinal um é filho político do outro, pode ser a grande novidade dessa eleição. O ajuntamento da porção eleitoral de um com a do outro pode quebrar a magia de Castro e tornar poderosa e certeira uma aliança diante de Marcelo Freixo, hoje buscando um campo mais moderado. Entre um recém-moderado, e dois moderados de carteirinha, imagina-se o resultado. A entrada de um Ceciliano via Lula também enfraqueceria Freixo.

Cesar Maia segue como um balão de ensaio. Foi três vezes candidato ao senado, sendo a última, em 2018, tida como vitória certa. Mas acabou sendo atropelado por Arolde de Oliveira (PSD), que pegou a correnteza bolsonarista e se elegeu junto com Flávio Bolsonaro. Sua possível candidatura ao governo do estado do Rio é forte e desejada. Mas, para decolar, precisa de padrinho. E esse padrinho pode ser seu ex-afilhado político. Estamos com a lupa à mão.

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