Marques: O Ódio Que Acomete o Jornalismo Criou o Terrorismo

Para Mario Marques nunca antes na história do Brasil houve tanto ódio, revanchismo e vingança contra uma parte do povo

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Quem defende vandalismo? Quem defende quebradeira? Quem defende dilapidação de patrimônio? Que eu saiba, ninguém. Talvez um Guilherme Boulos – e obviamente os black blocks. Não agora, claro… agora eles são da paz. Mas daí a classificar de “terroristas” os manifestantes do último dia 8/1 não dá. Mesmo. E é só voltar um pouco no tempo. Entre 2013 e 2014, black blocks destruíram patrimônio público e privado, mataram um cinegrafista (da Band), invadiram a Câmara Municipal do Rio, entre dezenas de outros atentados. Sabe que veículo jornalístico os tachou de “terroristas”? Nenhum. Não é o que eu acho. Eu fui checar. Nenhum. Nenhum.

Se há terrorismo no vandalismo do dia 8/1, como podemos classificar os atentados de 11 de setembro? Se Caetano Veloso é gênio, como chamar Mozart? Se Neymar é craque, o que foi Pelé? Saber classificar fatos, atos, pessoas é uma responsabilidade do jornalismo com a história.

O jornalismo brasileiro, aquele que décadas atrás ditava os rumos de uma eleição, está agora em fúria em velocidade máxima, botando todo seu ódio contra o presidente Bolsonaro e seus eleitores para fora. A comemoração efusiva e asquerosa de jornalistas da TV Globo diante do anúncio da vitória de Lula na eleição presidencial foi o primeiro sinal da ignição da vingança contra o desprezo e o tratamento dado pelo ex-presidente aos jornalistas. “Escroto!”, gritou a jornalista da Globo no vídeo vazado. A gestão Bolsonaro ignorou jantares com fontes da Globo e genéricos, baixou o orçamento da Vênus Platinada e tratou, é preciso registrar, como cachorros os jornalistas da emissora, em coletivas, na porta do Palácio ou em agendas.

Jornalista vira jornalista não só pelo suposto dom: jornalistas são vaidosos, deslumbrados. Quando são humilhados usam a profissão para se vingar, nas entrelinhas ou nas manchetes. É impossível, portanto, assistir à GloboNews e esperar isenção. Foi lá que a comentarista Natuza Nery, ao ver a manifestação, disse ao vivo, em tom fascista, espumando ódio: “Tem que prender, tem que fichar essas pessoas”. Ódio endereçado a velhinhos e crianças que nem entraram nos prédios. Natuza e colegas são ninguém sem fontes. É aquele jornalismo de WhatsApp. Sua jornada de 2019 até o fim de 2022 foi dar opinião sobre qualquer coisa, sempre rebaixando as pessoas a “extremistas”, “extrema direita”, “radicais”, apenas por essas pessoas exigirem que o STF e o TSE mostrassem transparência no pleito eleitoral.

Jornalismo raso.

Não é fácil trabalhar nas Organizações Globo – e eu estive lá por quase 8 anos. O carreirismo, a busca pelo poder, pela luz mais brilhante, por agradar ao chefe, beira à loucura. Então ninguém ousa sair da cartilha de esquerda. Sob pena de ser perseguido ou demitido. Ser jornalista na GloboNews e na Globo é, diferentemente do que muitos pensam, difícil. É uma vida triste, um dia a dia de competição e tensão.

O jornalismo, em tese, deveria ser a voz da audiência, ouvir as pessoas, dar espaço para vozes dissonantes. Mas você jamais verá isso na Vênus. Lá você testemunhará a xaropada do André Trigueiro, a militância da Míriam Leitão e o fascismo pelo poder da Natuza Nery. Você jamais encontrará alguém disposto a debater ideias diferentes. Visões distintas.

Por isso milhares de pessoas ficaram confinadas num ginásio sem comida e sem mínimas condições de higiene, uma cena digna das piores ditaduras globais. E você não viu uma só voz da GloboNews denunciar isso ou no mínimo questionar. Óbvio: se esse tipo de coisa tivesse acontecido no governo Bolsonaro, as manchetes seriam algo como: “Está instalada oficialmente a ditadura no Brasil”. Mas não é: agora os jornamilitantes estão todos de amor e paixão com a volta do Lula, um ladrão condenado em várias instâncias, com dezenas de delações, solto pelo STF numa canetada e posto na presidência pelo TSE numa eleição que até hoje não sabemos o que está certo e o que está errado.

Nem vou entrar em outra celeuma. Aquela que chama as pessoas de golpistas sem haver nenhum golpe. O único golpe dado até agora, de novo, foi tirar Lula de dentro da cadeia e transformá-lo em candidato. O resto é só birrinha.

O papo agora é namorar o Lula. As Organizações Globo precisam de dinheiro, os jornamilitantes precisam de afagos.

E aí sobra para você, que saiu de casa revoltado com a impunidade, com a falta de respostas e, quando foi ligar a TV, descobriu que estava sendo chamado de terrorista.

Quando o terror, na verdade, estava piscando na sua TV.

Há tempo para dosar esse ódio? Sim.

Porque jornalismo com uma narrativa só não é jornalismo.

É ditadura.

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

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13 COMENTÁRIOS

  1. Quem quebrou as coisas deve ser punido e preso. Desejo a todo depredador o mesmo fim: cana e reparação dos danos às expensas do perpetrador. O problema é que para a várias pessoas há um duplo padrão: o cara que põe fogo em estátua, o que enche as coisas de adesivos que não saem sem produtos químicos, aquele que pixa tudo por aí, o que quebra vidraça dos bancos, faz quebra-quebra do equipamento público, o que invade prédios, o que invade fazendas – nem é chamado de vândalo caso ele lute por uma “causa bonita”.

    O jornalismo está deste jeito: o jornalista pega leve ou pega pesado de acordo com o grau de simpatia com a causa, não de acordo com a ação!! Os caras não contam com a simpatia prévia dos jornalistas, então recebem a alcunha mais indesejável além de vândalo: “terroristas”.

    Quando mataram o cinegrafista Santiago Andrade, da BAND, tiveram de anunciar de forma grave. Mas foi cheio de dedos… foi uma quebra de braço entre o corporativismo jornalista (temos de valorizar o jornalista que fora vítima) contra a falta de interesse de expor os grupos black blocs e aquela ativista esquerdista porque se puxassem o novelo suspeitava-se encontrar ligações com partidos políticos de esquerda, o que não seria conveniente.

    Sobre a frase “Está instalada oficialmente a ditadura no Brasil”, esta frase está já em vigor agora. Se não há cumprimento da lei de garantia das liberdades individuais pelo Estado, então há ditadura. A resposta ao ocorrido parece manifestamente ilegal: não há individualização das penas, houve prisões feitas por associação circunstancial (ah, você está aqui com a camisa da seleção então deve estar junto do problema, deve ser mais um deles!), prisões feitas porque o número de celular constava no perímetro…, cadê a audiência de custódia imediata que dão pros bandidos!?, houve concentração de pessoas em ginásio sem a devida alimentação e acomodação, chamaram os manifestantes de terroristas quando a lei de terrorismo não prevê o caso com o tipo legal!

    Uma pausa interessante: o Estado pôde pedir a geolocalização dos telefones às telefônicas porque esse direito foi autorizado por “motivos de saúde no coronavírus”. Agora, algo que “era pra saúde” está servindo para por gente na cadeia em casos que não tem nada a ver com a “saúde”. Quantas coisas autorizamos “por causa da saúde” que agora será usado contra o cidadão para algo que nunca pensamos?! Se um dia inventarem o “passaporte dos impostos” para controle de entrada em supermercados, cinemas, bares, por exemplo!?… Já foi autorizado o passaporte pelo povo uma vez, porque não de novo? Fica a reflexão.

    Voltando, este país parece ter um judiciário garantista que só defende bandido que comete “os crimes certos”. Existem ministros que defendem às claras o desencarceramento. Mas, pasmem, neste caso o Judiciário virou punitivista. E porque? Porque a rigor, no limite, a manifestação também questionou esse Judiciário. Virar punitivista pontualmente é discricionário e hipócrita. É algo para se refletir.

    Eu não sou contra a prisão dos manifestantes pelo quebra-quebra, mas… tem um ritual legal a ser cumprido! Só quem se provou quebrando pode ser preso, individualizando a conduta. E não me parece que está sendo individualmente responsabilizado.

    Sobre a destituição do governador por canetada monocrática de um juiz que seja, eu não sei de nenhum dispositivo que dê base para isso! Ele só pode ser destituído pela Assembleia Legislativa, por votação formal nominal. Pela via judicial, apenas com processo judicial longo e cheio de recursos, o que não o afastaria imediatamente. O que ocorreu me parece um acinte!

    O decreto de intervenção federal do Loola no DF está correto só formalmente: é previsto em lei. Lembre-se que é uma medida de exceção: como a ameaça que justificou o decreto não ocorre mais, o decreto não tem mais razão de ser. Poderes especiais só devem ser dados enquanto a situação perdura. No que prenderam os velhinhos imediatamente, não se justifica o decreto!

    A Câmara dos Deputados ao apreciar o decreto, solicitou votação nominal por cabeça. O presidente da casa ordenou votação simbólica. Não sei se isso é previsto no regimento, mas francamente isso não foi digno do momento: como algo de tal gravidade pode ser votado de maneira casual? Nominalmente, pode ser que o decreto não passasse!

    Enfim, tá um show de ilegalidades com cada lado puxando a corda. Hoje olhamos com reprovação os manifestantes que fizeram errado. Mas se a institucionalidade estatal ignora e passa em cima da Lei, ela não tem moral de exigir a Lei às pessoas. Há retroalimentação das hostilidades, vai dar margem para mais azedume, porque ninguém suporta num Estado sem lei. Especialmente os mais ricos, só que estes vão acabar dando no pé.

    Cadê a Ordem os Advogados do Brasil quando precisamos dela pra reclamar junto sobre as ilegalidades? Nesta hora dormem eternamente em berço esplêndido. Janeiro é o mês de pagar a anuidade.

    Se alguém souber a base legal de tudo o que eu levantei, favor responder.

  2. Sr. Mário Marques seu artigo está impecável. Aborda com clareza e competência a falta de isenção do jornalismo no Brasil. Esse processo se inicia nas universidades, nos cursos de Jornalismo, e prossegue nos meios de comunicação, sobretudo, na emissora onde o senhor atuou por oito anos. Entendo que isso tudo seja fruto da crise ética e moral que acomete nosso país em todos os setores de nossa sociedade, principalmente na política. Parabéns pela abordagem e pela coragem.

  3. A começar o articulista errou feito logo no primeiro parágrafo, ao indicar Black Blocks… na verdade é Black Blocs

    Ao que se apresenta do discurso parece ainda desconhecer o que seja isso, não são pessoas mas uma tática que desviada no Brasil de suas origens em que o objetivo seria para chamar a atenção para a pauta – nem que houvesse algumas “janelas quebradas” (não o vandalismo que vemos aqui)

    Talvez aquelas radicalizações que vimos aqui 2013/14, 2016 seja em parte explicada pela origem dos integrantes de grupos de manifestantes.
    Numa explicação antropológica e social. Ora de origem em comunidades vítimas de abuso policial que vislumbram nas manifestações momento de externar o ódio e violência. Outrora infiltrados…

  4. perfeito texto mesmo!! esses militantes só pensam em partido politico e nao é à toa q estao sendo boicotados pois imparcialidade passou longe… se todo terrorismo fosse quebra quebra nao teria havido mortes no 11 de setembro neh… nojo dessa gente globosta

  5. Se não existir ponto de reversão, isso não vai parar. Ou vira uma Síria, Afeganistão ou num exemplo mais recente e próximo o Peru, onde facções estão se matando. Radicalismo de ambos os lados não é aceitável, o que não pode acontecer e está bem citado no texto acima é o que se diz no padrão chulo “CAGAR REGRA”. Não é aceitável você não se prevenir de uma doença por que o presidente não queria tomar vacina…Também não é aceitável você aceitar uma política de direitos humanos por que um partido social o deseja em toda o pais…E não é aceitável jornalistas da maior empresa de mídia e suas coirmãs que fizeram um consórcio de ação para derrubar o sistema político e que há pouco tempo pregavam o justo e o correto, verdadeiras lendas e exemplos de cultura e retidão dando pitis e se comportando como a Rainha Vermelha de “Alice no País das Maravilhas” pedindo “cortem as cabeças”. A figura do influencer inunda a mente desses antes jornalistas e que agora se lambuzam no dinheiro fácil dos cliques e da monetização que nós damos a eles. Com isso eles não tem mais partido, seguem a maré e a direção do vento ou o partido de ocasião. Só que isso tem que manter uma escala e tem que ser finita. Exemplos de descontrole: 1) A revolta das tulipas no fim do século 16 na Holanda aconteceu porque acharam que flores valiam o mesmo que o ouro. 2) A crise de 1929 com o mercado de ações nos EUA quase arrebentou com o mundo porque lançavam papeis sem lastro. 3) Hoje mundo afora vivemos a deificação da informação, onde uma pessoa lança uma ideia, uma música ou notícia qualquer, ela é aceita ou manipulada para que as pessoas a tornam viral por disseminação. Isso faz com que o iluminado da vez seja patrocinado por empresa do mundo real ou virtual, um “think tank” ou uma organização que dissemine influência e defenda setores sociais e econômicos que “compra o passe” dessa pessoa colocando dinheiro na mão dela para que produza mais e gere mais acessos e resultados. Mas em parte isso não é real e vai crescendo também de forma viral. A hora em que a coletividade cair na real de que isso não vale de nada, vai gerar revolta e caos. A solução, menos afobação, mais leitura e interpretação de qualidade, vindo de pessoas confiáveis. Na dúvida, procurem o passado que já foi testado. O futuro sempre será incerto. Por fim, parabéns pelo artigo.

  6. O que terroristas fizeram em Brasilia no dia 08/01 é condenável sob qualquer ponto de vista.
    Terrorismo é e sempre será condenável.
    Há entretanto necessidade de não se colocar no mesmo saco os que depredaram de forma consciente e terrorista e os que ingenuamente não perceberam o que acontecia, achando que estavam num ato apenas de protesto.
    Prender todos é o que se chama de “castigo coletivo”……seria interessante ler o que está escrito na Convenção de Genebra.

  7. Vejamos: eu classifiquei, no livro NARCOTRAFICO, MILICIAS E TERRORISMO NO RIO DE JANEIRO, os grupos armados que dominam territórios no Rio (e no Brasil), de terroristas, pelas suas ações.
    Considerei a ação dos Black Blocs como terroristas, em especial devidi às invasões em Brasília e o assassinato do cinegrafista da Band.
    Chamei os integrantes do MST de terroristas quando invadiram terras e órgãos publicos e causaram destruição para impor sua vontade.
    Assim, AQUELES QUE EM 8/01/2023 ATENTARAM CONTRA O ESTADO DE DIREITO, DESTRUIRAM OBRAS DE ARTE E PEÇAS HISTÓRICAS, SE VANGLORIARAM DE SEUS ATOS, SÃO TERRORISTAS, ASSIM COMO OS FINANCIADORES E MENTORES INTELECTUAIS, DEVENDO SER IDENTIFICADOS, PRESOS, PROCESSADOS, JULGADOS E CONDENADOS POR TERRORISMO E CRIME DE GOLPE DE ESTADO.

  8. Uma pesquisa rápida no google
    terrorismo:
    1. modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror.
    2. emprego sistemático da violência para fins políticos, esp. a prática de atentados e destruições por grupos cujo objetivo é a desorganização da sociedade existente e a tomada do poder.
    3. ameaça do uso da violência a fim de intimidar uma população ou governo, ger. motivada por razões ideológicas ou políticas.
    4. regime de violência instituído por um governo.
    5. atitude de intolerância e de intimidação adotada pelos defensores de uma ideologia, sobretudo nos campos literário e artístico, em relação àqueles que não participam de suas convicções.

    Você quer mesmo comparar as manifestações de 2013 e 2014 com o que aconteceu em brasília?
    Você não tem nem foto no perfil é quer credibilidade?
    Não precisa concordar, mas fazer pirraça é fogo!

  9. Imagino o eco que faz na cabeça desse cidadão…

    Lembrando que foi Bolsonaro que renovou a concessão da Globo Lixo no dia 20/12, por mais 15 anos. Não foi o Lula.

    Esse paralelismo entre esquerda e direita aí só convence a base pra quem ele fala.

    Quando uma manifestação da esquerda produziu algo parecido como o que os patriotas destruidores do Brasil produziu? Em 2013?

    Pois naquele ano a presidente era a Dilma. A esquerda queria derrubar a Dilma?

    Desde quando uma manifestação que tem como objetivo o fim do Estado é democrática e pacífica em sua origem e motivação?

    Sobre chamar os “patriotas” de radicais e terroristas é um puta pleonasmo, apenas. Bolsonaristas são de EXTREMA direita.

    Todos os crimes cometidos pela massa de manobra dos militares tem crime tipificado no código penal. Concordo que terrorismo em busca de um golpe (que já foi dado em 2016) não seja a interpretação correta.

    Idosos e geriátricos foram anistiados e liberados. Os demais que ficaram estão comendo 3 vezes ao dia, tomando banho e um pouco mais que os direitos humanos prevê.

    Esse artigo militante é puro Sun Tzu. “Acuse os adversários aquilo que vc faz”.

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