Nas mesas vai estar um tipo de pessoa que me chama atenção: o cidadão contraditório que celebra o nascimento do Nazareno e rejeita sua mensagem! Para esse, quem compreende a mensagem do filho de Deus, torna-se um verdadeiro leproso. Na graduação de História, li um texto de LeGoff que explica a situação dos leprosos. Eram afastados dos centros urbanos por uma medida sanitária. O leproso tinha que sair das vilas, e ficavam pelas estradas mendigando. O leproso só podia entra na vila uma vez por semana, aos domingos, para pegar mantimentos nas igrejas. Ao leproso era dado um sino, que ele deveria badalar ao eHistória ntrar na zona urbana, para que as pessoas soubessem que um deles se aproximava. 



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Cristo, acolhia os leprosos. O livro da bíblia defini os leprosos como amaldiçoados por Deus, doença de um impuro e provocadora de medo por ser contagiosa. O leproso quando se aproximou de Jesus não pediu cura, mas sim a purificação. Ou seja, a reconciliação com a lei religiosa. O leproso recolhecia em Jesus o mesmo poder que detinham os sacerdotes dos templos. Jesus curou o leproso e de graça, enquanto nos templos eram necessários sacrifícios e pagamento para não ter cura. Jesus, o bebê pobre perseguido por Herodes, filho de mãe solteira, pai adotivo, que tem seu nascimento assistido pela ralé da sociedade, presentado por magos e astrólogos de outras religiões, refugiado, morador da periferia e que viveu ao lado dos pobres, doentes, excluídos e acolheu a prostituta! Será que na hora da ceia, entendem que estão celebrando a vida daquele que preferia os leprosos?

Jesus foi criado no “Nordeste” israelense que era Nazaré. Ser chamado Nazareno, ou de Nazaré, não era honroso. O nazareno sofria preconceito. Isso fica claro por duas vezes, quando Jesus foi desacreditado por ser de lá. Jesus viveu como carpinteiro, não era da elite. Setores da sociedade de hoje diriam que Jesus era preguiçoso e não gostava de estudar. Por isso preferiu ser “peão”. Por isso não era rico. Jesus era POBRE, e morreu POBRE. Ler Jesus é encontrar um homem que tinha compreensão do que são direitos humanos, mesmo esse termo não existindo. Entendia que todos tinham a capacidade de errar, mas também de ser perdoado. “Atire a primeira pedra aquele que não peca”. Para os dias atuais quem diz isso é  chamado de defensor de bandidos! Jesus combatia o fanatismo religioso e a elite.

Jesus não foi julgado por se rebelar contra César, mas principalmente por afrontar os doutores da lei e operar milagres em pleno sábado. Hoje seria um homem que se vimitimiza e aquele que tem solução pra tudo! Foi preso de forma injusta, sendo inocente e condenado a pena de morte, mas antes passou pela tortura e morreu de braços abertos pregados na cruz, como se mesmo após a morte, estivesse ali para acolher quem lhe buscasse com fé. Hoje, escolheriam novamente Barrabas. Para muitos seria prazeroso filmar com seus celulares a tortura, na TV, cobertura 24hs montadas em frente ao monte para verem quantas horas o homem permaneceria vivo. Jesus não teria vida fácil! O que falaria se entrasse em alguns templos e visse maquininhas, canetas milagrosas de R$ 100,00 e alguns pastores – não todos – induzindo o povo comprar o passaporte da salvação? Amor a Deus ou temor ao inferno? Afinal, o que os homens de bem fariam, se o cara resolvesse voltar? 

Jesus continua curando e ao lado dos leprosos de quem assumiu os males e a doença. Para ele, sagrado sempre será a pessoa, não os templos e as leis religiosas. Lembre-se que Jesus não quer sacrifícios. Quer que você deixe de ser insensível com a dor dos marginalizados, excluídos e e peça menos misericórdia a ele, e tenha mais dela, aos outros. Feliz Natal a todos os leprosos do novo tempo e ao homem mais subversivo que a Terra conheceu.  Aqueles que compreendem suas boas novas, estão mais perto daquele que fez de sua vida um ato político. Aos incompreensíveis, desculpem, mas vocês NÃO passariam no Mar Vermelho.

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