Aluno de 8 anos da rede pública de ensino do Rio descobre asteroide

Benjamim Dutra é aluno do ISERJ e recebeu uma medalha com aval da Nasa e do Ministério da Ciência

Benjamim Dutra nem completou nove anos de idade e já é um caçador de asteroides. Isso mesmo: caçador de asteroides. Aluno do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), da rede pública de ensino do Rio de Janeiro, Benjamim, morador de Vila Isabel, na última semana, recebeu uma medalha por ter se destacado no programa Caça Asteroides, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), após ter achado um asteroide preliminar.

Benjamim Dutra ergue a bandeira do estado do Rio de Janeiro no evento em Brasília

Junto com outros estudantes-cientistas de todo o país, Benjamim Dutra ouviu o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Alvim, agradecer aos presentes no segundo dia da 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, no dia 29/11. “O Caça Asteroides virou mania. Quem não entrou, não sabe o que está perdendo. A gente vibrou e torceu muito por vocês. Vocês conseguiram. Continuem se engajando cada vez mais e divulguem o programa. Parabéns a todos”, afirmou o ministro.

Para ir ao evento, em Brasília, após uma carta da Nasa e do convite do MCTI, a família de Benjamim precisou fazer uma vaquinha online, pois as passagens estavam muito caras. Funcionou. Conseguiram ir e voltar no mesmo dia. “Foi uma verdadeira corrente do ‘ben'”, disse Natali Araújo, a mãe do menino, que fez questão de ir para a escola no dia seguinte, orgulhoso da medalha, querendo mostrar para os amigos.

Natali Dutra inscreveu o filho no projeto Caça Asteroides entre agosto e setembro deste ano. Ela conta que fez a matrícula sem muita expectativa, achando que Benjamim passaria por uma adaptação ao programa que caça asteroides no primeiro momento, mas a surpresa positiva veio veloz. “A estrela dele brilhou”, diz Natali.

O programa Caça Asteroides consiste em um sistema de computador que emite imagens do espaço e possibilita que os jovens inscritos no projeto consigam visualizar a movimentação espacial no intuito de achar novidades, como asteroides ainda não encontrados e registrados.

A mãe é só elogios ao filho. Ela brinca: “É um grande feito para uma criança de oito anos. Na idade dele, eu comia areia”.

O asteroide descoberto por Benjamim vai ser estudado pela Nasa e após dois anos, caso o não se choque ou saia de órbita, poderá ser batizado pelo menino. Ele já pensou em um nome BEN1608. Pelas regras, a nomeação precisa levar três letras e quatro números.

Benjamim e Dr Patrick Miller, diretor IASC/NASA

O menino é do tipo muito curioso. Desde pequeninho é apaixonado por dinossauros e sabe o nome científico deles. Sempre gostou de desmontar brinquedos, mexer nas coisas, jogos e foguetes. Durante a pandemia de Covid-19, Benjamim foi alfabetizado em casa, pelos pais.

Benjamim também gosta de brincadeiras comuns de criança, como bicicleta e correr com seu cachorro Thor. “Quando estou procurando asteroides, no programa do computador, lembra um jogo. Me divirto muito”, pontua o menino cientista.

Dedicado na escola, onde costuma ajduar os colegas com mais dificuldades para aprender as matérias, Benjamin agradece pelo feito alcançado: “Eu não tenho palavras para agradecer a Deus e a todo mundo que me ajudou nessa jornada, que me apoiou e que acreditou. Minha escola, obrigado por tanto apoio, tanto carinho e dedicação. Em especial a coordenadora Joelma e Ludmilla, Diretora Leila do CAP, Diretora Giovane e vice diretor Gustavo e todos os outros professores e funcionários que estavam nessa comigo. A minha família que sempre me apoia e acredita nos meus sonhos. A todos as pessoas que não conheço, mas se dedicaram a compartilhar e chegar junto comigo”.

“Estamos explodindo de felicidade. É um incentivo. Ele estuda em escola pública. É prova de que a educação prevalece”, finaliza a mãe, Natali.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Eu torço para que essa história feliz fique como lição para a sociedade ao refletir que quando somos bem assistidos e dispomos de variados recursos podemos chegar longe. Uma pena, muitos não terem sequer a chance de estudar com qualidade em escolas com condições.

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