Antes e Depois Pier

Parece até que ninguém está percebendo, mas nossa cidade está mudando rapidamente. A reurbanização e a revitalização de diversas áreas é uma realidade, e poucas vezes viu-se o Poder Público tão determinado a realizar intervenções tão marcantes e importantes para a comunidade como agora.

Enquanto isso, o carioca, pessimista como lhe é dado ser, talvez por herança portuguesa, só fala das mazelas e problemas pelos quais uma cidade grande – qualquer uma – passou e passará. Enquanto ficamos reclamando do mau humor dos taxistas e do assalto na rua tal (ao qual normalmente se seguiu a chegada da polícia em menos de 15 minutos), estamos perdendo a beleza e a funcionalidade de tudo que está sendo feito pela cidade, e as transformações pelas quais está passando, em nome de patéticas queixas e ameaças de se mudar pra Miami.

(Aliás, a cidade governada pelo prefeito Tomás Regalado e seus 5 comissários tem menos de meio milhão de habitantes. Queria ver se dessem ao prefeito Regalado o “regalo” de dirigir uma cidade com 6,3 milhões de habitantes num país de terceiro mundo com leis completamente malucas, o que aconteceria)

Vejo as coisas pela ótica do meu ramo de trabalho. Como alguns sabem, trabalho com a locação e compra e venda de imóveis comerciais e industriais usados, ou seja, sua revenda. Ao passo em que é verdade que no mercado imobiliário, a menina dos olhos é o mercado de lançamentos, e que este mercado está mesmo “micado” neste momento, também se pode dizer que grandes negócios têm sido feitos, este ano, no mercado de imóveis comerciais fora dos lançamentos.

Já disse um sábio publicitário que em tempos de crise, uns choram enquanto os outros vendem lenços; tem sido exatamente este o panorama que observo no meu dia-a-dia. Confesso que para o mercado em que trabalho este foi um dos melhores anos que vivi, desde que comecei nele, em 1997; (Uma Nota: realmente está difícil de alugar, mas em compensação, estamos vendendo como nunca!).

Observa-se claramente que inúmeros grandes e pequenos investidores que navegaram em mar de almirante durante o “tempo das vacas gordas”, acumularam muito capital, e agora, na suposta “época das vacas magras”, estão buscando imóveis comerciais e industriais para investir, adquirindo-os de quem não soube se preparar para o inverno e de quem, assustado com as notícias de jornal, está vendendo as coisas pensando que o Brasil vai afundar no oceano atlântico.

Orientados pelo caminho das transformações conduzidas pelo Poder Público, estes investidores estão, literalmente, comprando casa pegando fogo e navio afundando. Pagando sempre à vista, e com descontos que às vezes chegam a 30% sobre o valor que se praticaria há 2 anos atrás, estas pessoas estão fazendo grandes investimentos nas áreas do Centro, da Zona Sul e até da Barra da Tijuca nas proximidades das novas estações do metrô.

Edifícios inteiros alugados a empresas particulares e públicas com contratos longos e boas garantias são a joia da coroa. Fundos familiares, “family offices”, investidores estrangeiros a longo termo, e investidores particulares de grande potencial estão comprando tudo. De quem? De herdeiros, de pessoas apavoradas, e de quem possui patrimônio mas não fez um pé de meia. É lógico que os ‘malucos’ que pediam valores absurdos, no Centro, por exemplo, agora caem na realidade, e os imóveis antigos estão vendendo facilmente a cerca de sete mil reais por metro quadrado, enquanto os imóveis “high end” têm sido comercializados por volta de onze mil por metro quadrado.

Uma outra coisa que com grande alegria tenho experimentado é orientar investidores a investir em áreas outrora abandonadas, como parte de uma estratégia de levar o investidor a comprar algo mais barato, para desenvolver no local um projeto inovador e que supra as deficiências de uma certa comunidade. Em breve – muito breve – todos lerão nos jornais sobre o grande projeto – lindo, diferente, ambicioso, culturalmente rico e, sim, PRIVADO – que estamos desenvolvendo num bairro que estava bastante abandonado: Olaria! Outros projetos como este estamos desenvolvendo também para Benfica e Ramos, coisas que trarão lucro aos investidores e reais e palpáveis benefícios à comunidade.

Tudo isso está sendo trabalhado com o mapa das realizações do Poder Público nas mãos (e na cabeça!). De mãos dadas, Poder Público e Investidores vão dar ao carioca uma cidade muito mais viva. Quando vocês acabarem de reclamar sobre o preço do omelete no quiosque onde vocês nunca tiveram sequer vontade de comer, talvez possam notar.

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