Grande quantidade de micos mortos em Magé assusta moradores

Os moradores da cidade tem encontrado macacos mortos e sem marcas de agressão ou ferimento. Algo incomum na região

Magé registra mortes de micos por causas ainda não identificadas / imagem meramente ilustrativa: Wikimedia

Os moradores do município de Magé, na Baixada Fluminense, estão assustados com a quantidade de micos mortos que apareceram na região recentemente. Os animais, segundo os moradores, não apresentam sinais de agressão ou ferimentos externos. As informações são da Band Rio e do Valor.

Médicos-veterinários especializados em vida silvestre recomendam manter o local, onde o animal morreu, isolado. Eles pedem ainda que o corpo do mico seja coberto por uma caixa ou um balde para que seja preservado.

Os profissionais recomendam às pessoas que evitem tocar nos corpos dos micos. Eles recomendam também que, em caso de contato com o animal, o indicado é se dirigir a uma unidade de saúde mais próxima para buscar atendimento e informações.

A Secretaria do Meio Ambiente de Magé foi procurada pela redação da Band Rio, mas ainda não respondeu à demanda.

O medo dos moradores de Magé é justificável, já que não é comum serem encontrados micos mortos na região. Além disso, países, como: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Israel, além de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal têm registrado o retorno de uma doença adormecida há décadas: a varíola dos macacos.

A doença foi detectada, em 1958, ao atingir colônias de macacos usados em pesquisas científicas.  A República Democrática do Congo foi primeiro país onde foi registrada a contaminação de humanos pela doença, em 1970. O contágio pela varíola dos macacos é mais comum em regiões florestais da África Central e Ocidental, onde a doença é endêmica. Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, na tradução em português), países, como Camarões, República Centro-Africana, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gabão, Libéria, Nigéria, República do Congo e Serra Leoa são mais suscetíveis ao desenvolvimento e proliferação deste tipo de doença.

A varíola dos macacos pode ser transmitida através do contato com gotículas produzidas por humanos ou animais e contato com as lesões cutâneas causadas pela doença. Objetos contaminados, como roupas e lençóis também podem ser vetores de contaminação, segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O instituto Butantan adverte às pessoas que pretendem viajar rumo a países onde a doença é endêmica, para que tomem medidas de prevenção contra o contágio. A primeira recomendação é evitar o contato com animais doentes ou mortos. Não são apenas os macacos que abrigam o vírus da varíola, roedores e marsupiais também podem transmiti-la. Além disso, o viajante deve lavar as mãos com água e sabão ou com álcool gel para evitar a exposição ao vírus; evitar contato com infectados; evitar usar objetos de pessoas contaminadas e usar máscaras e outros equipamentos de proteção individual.

O período de incubação da doença é, de aproximadamente, 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias. Por isso, os órgãos de saúde recomendam que as pessoas infectadas fiquem isoladas e em observação por 21 dias.

No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomaram algumas providências importantes, entre elas: a montagem de uma sala de situação para monitoramento da doença e a emissão de um alerta de uso de máscaras para evitar a entrada do vírus ao país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, adianta que a varíola dos macacos é uma zoonose silvestre – infecta animais e raramente os humanos. Porém, contaminações incidentais podem acontecer.

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