Niterói: Mansão na Estrada Fróes pode receber festas rave para 3 mil pessoas em área residencial

Mesmo com a obra embargada e sem sequer possuir conexão de esgoto, o espaço para megaeventos, na Mansão Maveroy, segue em construção. Vizinhos se preocupam com impacto viário e barulho

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A bucólica e residencial Estrada Fróes, na Zona Oceânica de Niterói, em foto dos anos 1970

A bucólica Estrada Leopoldo Fróes, na bela zona oceânica de Niterói, cercada por uma das mais lindas vistas do Estado do Rio de Janeiro, é residência de tradicionais famílias da ex-capital do Estado do Rio, e até mesmo de um medalhista olímpico brasileiro, Torben Grael, irmão do atual prefeito da cidade, Axel Grael (PDT). O trecho entre Icaraí e a Marina é eminentemente residencial, tem algumas das mais belas casas da cidade litorânea, e liga a praia de Icaraí à de São Francisco. Mas uma grande obra irregular tem tirado o conforto dos moradores e pode ameaçar não só o sossego de toda uma comunidade como também ao meio ambiente: a construção de um mega espaço para eventos na casa número 132, que estava abandonada há muitos anos.

O DIÁRIO DO RIO teve acesso ao contrato de locação do imóvel a Renan da Costa Ramos, que está promovendo uma grande obra no local. O contrato é não residencial, ou seja, para uso comercial da mansão, e é bastante específico: “destina-se exclusivamente à realização de eventos, aberto (sic) ao público em geral, podendo haver cobrança de ingressos e vendas de comidas e bebidas, alcóolicas ou não“. Segundo informações, as obras já foram embargadas pela Prefeitura Municipal, embora no dia de ontem (24/09), nossa equipe esteve no local e verificou que seguem, normalmente, em desprezo à autoridade municipal e ao arrepio da lei. (fotos)

As obras de construção de um mega espaço de eventos na mansão número 132 da Estrada Fróes segue, em ignorância ao embargo da Prefeitura Municipal

O que impressiona, além do desprezo pelo embargo, é a possibilidade de se vir a criar um mega espaço para eventos em uma via de mão única, estreita, com difícil fluxo e impossibilidade de estacionamento: o impacto viário será relevante, segundo especialistas. Mas o pior é que, segundo as informações, a tal mansão sequer possui conexão de esgoto com a rede local da Águas de Niterói; despeja, ilegalmente, esgoto na Baía de Guanabara. E se o dano já era real quando tinha uso residencial, imagine-se o que pode ocorrer agora, com a destinação do espaço para grandes eventos que, segundo informações obtidas no local, poderão reunir mais de 3.000 pessoas por dia.

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O imóvel não possui proteção acústica apropriada – é uma antiga mansão de aspecto decadente que já pertenceu à indústria metalúrgica Maveroy (antiga fabricante das geladeiras Kelvinator), embora o contrato de locação informe que sua atual proprietária seja a arquiteta Alessandra Gibelli – e tem como vizinha de muro uma casa residencial. Além disso, possui generosa área aberta, que, segundo seu contrato de locação, também poderá ser utilizada para os eventos, o que, logicamente, inviabiliza qualquer tipo de proteção acústica. Segundo informação de uma vizinha que preferiu não se identificar, os vizinhos estariam preparando um abaixo assinado para entregar ao Prefeito, preocupados com o caos viário, a poluição sonora e a bagunça generalizada na vizinhança.

No dia 20 de setembro, a fiscal do meio ambiente Nathalia Marques Silva esteve no local e autuou a proprietária, abrindo um processo (3460) administrativo. Silva, em nome da SMARHS intimou os donos a “realizar a ligação do imóvel à rede de esgoto da Águas de Niterói“. Sem que isso seja feito, os detritos e o esgoto originados por mais de 3.000 pessoas por dia serão lançados, in natura, na Baía de Guanabara. Um crime ambiental, segundo especialistas. O DIÁRIO conseguiu cópia da autuação (abaixo). Em 24/08/2016, o imóvel já foi multado por infringir leis ambientais, o que constou do AUTO DE INFRAÇÃO N° SUPBGEAI/00146233.

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Os vizinhos contactados pela reportagem se mostram apavorados não só com a questão do despejo de toneladas de esgoto, mensalmente, na baía para cuja limpeza se dedica há tantos anos o Governo do Estado, como também com o barulho e o caos no trânsito que se avizinham. Todos os procurados pediram para não serem citados nominalmente, pois a truculência dos operários que atuam na obra, assim como o desprezo do novo ocupante da antiga Mansão Maveroy pelas autuações da fiscalização e pelo embargo das obras pelo município tem amedrontado os que contam os dias para a transformação de um local tranquilo em um circo – ou boate a céu aberto. “Será que vai ficar por isso mesmo?“, pergunta um morador do quarteirão. Com a palavra, a prefeitura de Niterói.

Outro Lado – Dia 25/09, 14:00

Renan Ramos procurou o Diário do Rio e afirmou que os fatos narrados pela vizinhança não seriam verdadeiros e que o espaço destinar-se-á a eventos para “até 400 pessoas”. Citou que já há outros espaços para eventos na Estrada. “O intuito da locação da área do imovel  é alugar para o funcionamento de um salão de festas, para realização de cerimonias de casamentos, festas de aniversario e formaturas, para até 400 pessoas, tudo dentro do horario e limites estabelecidos por lei”. O contrato de locação afirma textualmente, porém, que a área externa do imóvel será utilizada.

Renan falou também sobre a falta de conexão de esgoto e informou que ”foi dado entrada” no procedimento, sem esclarecer sobre prazos, datas e/ou exigências realizadas, justificando apenas que antes de locá-lo, o imóvel estava abandonado, ”sem entrada ou saída” de esgoto. O empresário creditou as denúncias a um suposto ”vizinho que se acha o dono da” cidade, cujo nome não informou e negou estar realizando obras após o embargo realizado, afirmando que as fotos seriam de data anterior ao mesmo, e que só estaria indo ao imóvel para realizar reuniões.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Sugiro matéria deste jornal na parte abandonada do centro de Niterói. Como as ruas São João, marquês de caxias e adjacências. Local que contrasta o baixo.metretricio, bares tradicionais e residências cujo iptu não sai por menos de 2500 reais.Niteroi o que não falta são os negócios que funcionam na força dos apadrinhados políticos ou milicia, vergonha!

  2. Engraçado que ficam estacionados carros logo no início da Estrada Fróes, em frente ao restaurante, bem em cima da curva, atrapalhando o tráfego de veículos e podendo causar acidentes, mas ninguém fala nada …

  3. Isso é a prefeitura de Niterói. Na Alameda Jandira Froes número 42 está também uma casa de eventos chamada Casa Froes , q dependendo do evento estaciona os carros da rua , QUE É MUITO ESTREITA , impedindo totalmente o trânsito . Não estão nem aí para os cidadões . Tem um estacionamento próprio muito pequeno , o resto fica na rua . Será que tem alvará legalizado da prefeitura ????

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