No Rio, pescadores fazem manifestação pedindo mudanças na produção energética fluminense

Segundo os manifestantes, a Baía de Guanabara sofre há anos com vazamentos de óleo e outras agressões. Pescadores que trabalham na região também tiveram o seu sustento afetado, sem o devido ressarcimento

Ilhota Baía de Guanabara / Foto: Roberto Anderson

Um protesto organizado pela Rede de Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Rede Ahomar), com apoio da ONG global de campanhas pelo clima 350.org, nesta sexta-feira, (3), pescadores artesanais da Baía de Guanabara exigiram dos governos estadual e federal ações efetivas relacionadas à uma transição energética justa e popular no Brasil. A mobilização foi realizada em duas etapas.

A primeira delas aconteceu pela manhã, em frente ao prédio da Petrobras, no Centro do Rio. No local, os pescadores denunciaram os altos lucros auferidos pelas empresas de petróleo e gás em todo mundo, sem levar em consideração efeitos colaterais, como crise climática global e contaminação de ecossistemas vitais para as comunidades tradicionais.

À tarde, o bairro da Urca, na Zona Sul da cidade, foi o palco de uma nova manifestação. Agora, pedindo aos governos que invistam na implementação de energias renováveis, como a solar e a eólica, e abandono daquelas que consomem combustíveis fósseis.

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O pescador artesanal e presidente da Rede Ahomar, Alexandre Anderson, reclamou que a Baía de Guanabara ao longo do tempo foi alvo de vários desastres ambientais provocados pelas empresas do setor do petróleo que atuam na região. Além dos prejuízos ambientais, os desastres também repercutiram de forma incisiva na sobrevivência dos pescadores artesanais locais, que nunca foram devidamente ressarcidos.

“A Baía de Guanabara está invadida pelo setor do petróleo, que provoca danos aos moradores da região, com a conivência dos governos estadual e federal. Já testemunhamos pequenos, médios e grandes vazamentos de óleo nas áreas onde vivemos e nunca fomos devidamente compensados pelos danos que essa negligência provoca”, afirmou Anderson, destacando: “Está na hora de mudarmos para um sistema em que as energias renováveis tenham prioridade e as comunidades sejam respeitadas”.

A manifestação na capital fluminense integra uma ação global em prol da transição energética justa. Com o lema “Renova Já”, comunidades afetadas pela extração de petróleo, gás e carvão estão fazendo mobilizações, nos meses de novembro e dezembro, em mais de 170 cidades, em pelo menos 60 países, sob a liderança da 350.org.

No Brasil, as ações acontecem ainda no Rio Grande do Sul e no Amazonas, onde os manifestantes pedem às autoridades que reconheçam a crise climática, reduzam a emissão de gases poluentes e ouçam as comunidades locais quanto às suas necessidades energéticas.

“O mundo já está fazendo a transição do petróleo, gás e carvão, fontes que nos trouxeram à crise climática, para as energias renováveis. O Brasil tem condições para acelerar essa transição e, com isso, gerar mais empregos e proteger o meio ambiente, mas essa mudança precisa ser feita com a participação das comunidades”, explicou Renan Pereira, coordenador de campanhas da 350.org.

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1 COMENTÁRIO

  1. A geração de energia por barragens hidrelétricas, por queima de material fóssil e por fissão/fusão nuclear são processos altamente complexos e caros, controlados por pouquíssimas mega corporações, que assim formam uma espécie de cartel mundial do setor elétrico, impondo suas regras e enriquecendo seus donos privados. Além disso, são muito danosos ao meio ambiente, pois requerem mega edificações que demandam quantidades absurdas de insumos para construção civil, além de interferirem no curso de rios e de dependerem de regimes de chuvas e da exploração cara e destrutiva de recursos naturais (petróleo cru, gás natural, carvão mineral, urânio, etc). Outro fator negativo é que esta energia é quase sempre gerada bem longe dos ambientes urbanos onde é demandada, obrigando a existência de uma complexa e extensa rede de transmissões, o que encarece o serviço para o consumidor final.

    As novas tecnologias alternativas (solar, eólica, biomassa, a partir do lixo e dos gases da rede de esgoto, etc) que já são conhecidas e estão disponíveis, poderiam de certa forma descentralizar o segmento de geração de energia e simplificar sua transmissão e distribuição, pois cada casa, cada prédio, cada poste de rua, cada área urbana, cada linha férrea, cada telhado ou cobertura, cada estação de esgoto e de tratamento de lixo poderia gerar boa parte da energia que precisa, diminuindo substancialmente a necessidade de ir buscar energia lá longe no meio do nada.

    Ocorre que se assim fosse, o cartel mundial de mega corporações que domina o segmento, em especial as grandes petroleiras, seria quebrado (ou enfraquecido), e os bilionários investidores deste setor não ganhariam mais tanto dinheiro e não imporiam todas as condições. A coisa seria bem mais democrática.

    A decisão de manter a concentração do setor pelo modelo atual, ao invés de descentralizá-lo, é em grande medida política, com os lobistas atuando junto ao poder público para manter tudo como sempre foi, privilegiando os mega investidores privados. O povo comum e o meio ambiente que se danem.

    Cabe a nós exercer pressão junto ao poder público exigindo mudanças na lógica do setor elétrico, colocando o bem estar do público acima dos mesquinhos interesses privados. No caso do Brasil, isso começa pela reestatização total da Eletrobrás e uma aliança com a também 100% estatal Petrobrás. A Shell, a Equatorial Energia e outras super bactérias similares não vão propor diálogos com a sociedade civil para decidir o que é melhor e mais barato para todos. Do jeito que está é ótimo para eles. Mas só para eles.

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