Noruega comemora 100 anos da sua participação na Exposição do Centenário da Independência do Brasil na Rio Oil & Gas 2022

A 20ª edição do maior evento de óleo e gás da América Latina ocorrerá entre os dias 26 e 29 de setembro, no Rio de Janeiro

Pavilhão da Noruega (esq) e Bélgica (dir) na Exposição do Centenário, Rio, 1922. Acervo FAU-UFRJ

Em 24 de outubro de 2013, este jornal publicou uma matéria de André Delacerda sobre mistérios que rondam as pedras do Rio de Janeiro. Entre eles destacava-se a Pedra da Gávea, que algumas teorias indicam um registro da visita de povos antigos, muito antes das descobertas oficiais, entre eles fenícios ou vikings, que ali teriam esculpido alguma divindade.

Envolvidos por uma aura épica, o povo escandinavo está diretamente associado à Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega, esta última objeto central deste texto.


O Reino da Noruega é um país nórdico, situado na Europa setentrional, a oeste da península escandinava, fronteiriça à Suécia, a qual foi integrada até 1905, porém numa convivência pacífica.


Os relatórios produzidos pela ONU colocam a Noruega entre os países mais desenvolvidos do mundo, além da avaliação como a nação mais pacífica do mundo pelo Índice Global da Paz, em 2017.

Participante da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, realizada em 1922 no Rio de Janeiro, o pavilhão norueguês foi construído a convite do governo brasileiro, assinalando a relação cordial e fraterna entre os dois países.

Implantando no setor destinado às nações amigas, o edifício adotou um repertório típico da Noruega, com dois pavimentos e um torreão central. Conforme descrito pelo consulado norueguês, foi construído com materiais e trabalhadores trazidos de seu país de origem e considerado um exemplar pitoresco, recebendo uma premiação num concurso nacional de arquitetura.

Este pavilhão foi inaugurado em 09 de outubro de 1922, abrigando expositores de diversas áreas, pinturas dos artistas noruegueses e a potencialidade do mercado que contava com pescado, produtos florestais, produtos de alumínio, máquinas e destaque especial para a indústria marítima, herdeira direta dos grandes navegadores escandinavos.

Grandes empresas se fizeram representar como Andreas Jensen Hollevik, que se estabeleceu no Rio de Janeiro em 1912, intermediando o comércio de bacalhau, café e frutas ou a Aker Solutions apresentou um modelo de navio a diesel.

Como era usual nestes grandes eventos, havia premiações diversas para pavilhões, desfiles, produtos e a Noruega recebeu 31 grandes prêmios, quatro diplomas honorários e 20 medalhas de ouro, conforme documentado pelo seu consulado.


Ratificando a relação de reciprocidade entre os dois países, a Noruega também comemora o bicentenário da Independência do Brasil e os 100 anos de sua participação naquela Exposição Internacional com a realização da 20ª edição do Rio Oil & Gas, que será realizada entre os dias 26 e 29 de setembro, na zona portuária, onde os visitantes observarão um modelo reduzido em 3D da fachada do pavilhão
norueguês construído em 1922.


As relações oficiais entre Noruega e Brasil provavelmente começaram quando, no período imperial, o primeiro veleiro norueguês aportou no litoral brasileiro, em 1842. Segundo informações do consulado, o Nordstjernen (Estrela do Norte) nos apresentou a uma iguaria muito apreciada nacionalmente, principalmente em datas festivas como a Páscoa ou Ano Novo: o bacalhau. Em troca, levou o principal produto de exportação do Império: o café nacional, que se tornou uma paixão nos países nórdicos.

Lentamente, imigrantes noruegueses se estabeleciam no Brasil participando, inclusive, da fundação de cidades como Joinville, em Santa Catarina. Em 1905, quando da dissolução da união política entre Noruega e Suécia, o presidente Rodrigues Alves representou um dos primeiros países a reconhecer este novo país independente estreitando ainda mais as diplomáticas relações entre as duas nações.

Conforme informação do consulado, a história dessa longa e duradoura parceria poderá ser conhecida pelos visitantes por meio de fotografias representando diferentes épocas, que serão expostas nas janelas da réplica. Além desse marco histórico, o pavilhão norueguês na Rio Oil & Gas, que é neutro em carbono, apresentará soluções inovadoras para a indústria de energia e proporcionará diversas oportunidades de networking, por meio de palestras e outras atividades com empresas, especialistas e autoridades da Noruega e do Brasil.

A herança dessa cordial e dinâmica parceria certamente conduzirá estes países pelos caminhos da sustentabilidade e um progresso responsável, seguindo o exemplo apresentado o povo norueguês.

Carioca, arquiteto graduado pela FAU-UFRJ, professor, incluindo a FAU-UFRJ, no Departamento de História e Teoria. Autor de pesquisas e projetos de restauração e revitalização do patrimônio cultural. . Consultor, palestrante, coautor de vários livros, além de diversos artigos e entrevistas em periódicos e participação regular em congressos e seminários sobre Patrimônio Cultural e Arquitetura no Brasil.
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