Reprodução: Jornal Extra

O número atual de botos-cinzas, há décadas ameaçadas de extinção no Rio de Janeiro, é a menor registrada de todos os tempos. Na década de 1980, os mamíferos chegaram a ter uma população de 400 cetáceos, atualmente são 29, sendo apenas quatro filhotes. Só nos últimos cinco anos, 16 morreram, sete deles recém nascidos. As informações são do jornal Extra.

“Os animais até se reproduzem, mas muitos filhotes não vingam”, alerta o coordenador do Projeto Maqua e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj), José Lailson Brito Junior.

Para o pesquisador, que acompanha a vida dos botos na Baía de Guanabara desde a década de 1990, poluentes de três tipos são os que mais influenciam na taxa de mortalidade da espécie. Os conjuntos de pesticidas, o bifenilo policlorado (óleo encontrado em capacitadores e transformadores de energia), e o hidrocarboneto policíclico aromático (presente em combustíveis, petróleo bruto e carvão) que atingem o ambiente marinho através de vazamentos são os mais críticos para a biota.

No caso dos bebês, a contaminação ocorre através da amamentação. Como o boto-cinza está no topo da cadeia alimentar, possui alta concentração de contaminantes.

“Todo filhote mamífero ainda não tem o sistema imune muito bem constituído e durante a amamentação, o filhote recebe uma dose muita alta desses poluentes em um curto espaço de tempo através do leite”, explica Lailson, que também tem evidências de aborto.

A população de botos-cinza da Baía de Guanabara é considerada a mais ameaçada da costa brasileira. A preocupação aumenta ainda mais devido ao número de embarcações que fundeiam na região.

Em dezembro, O jornal O Globo mostrou que a Baía tem 15 áreas de fundeio e recebe por mês cerca de 250 navios de médio e grande portes. O problema é que, mesmo parados, os barcos mantêm os motores ligados e formam uma cortina de poluição sonora, com ruídos altíssimos debaixo d’água, prejudicando o sistema biossonar desses cetáceos.

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