O Rio de Cartola: 115 anos do gênio da música, mangueirense e tricolor

Foi no ano de 1908, no bairro do Catete, que nasceu Cartola. Na verdade, nasceu Angenor de Oliveira

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O dia 11 de novembro de 2023 marca os 115 anos de nascimento do cantor e compositor Cartola. Muito ligado ao samba, ao futebol e a cultura do Rio de Janeiro, Angenor de Oliveira – seu nome de batismo – é uma das figuras mais importantes da história de nossa cidade. 

Foi no ano de 1908, no bairro do Catete, que nasceu Cartola. Na verdade, nasceu Angenor. Passou a infância no bairro das Laranjeiras onde teve os primeiros contatos com a música e seu time do coração, o Fluminense. 

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Aprendeu violão com o pai e muito novo também entendeu que a vida é dura, um moinho, mas muitas vezes os ventos nos levam a lugares, situações e pessoas que nos dão forma e conteúdo. Com dificuldades financeiras, a família foi morar no Morro da Mangueira. O resto é história. 

Foi lá, de onde se vê a beleza de uma alvorada, que Cartola ajudou a fundar a Estação Primeira de Mangueira, uma das maiores escolas de samba do universo. 

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“Nos Carnavais, como não podiam participar dos elegantes desfiles dos brancos, tinham seus blocos para se divertirem. Familiares, tudo com muito respeito. Mas justamente  os   melhores sambistas  –  e Mangueira já era um conhecido reduto do samba – não eram bem-vindos. Eles bebiam, falavam palavrão, se metiam em brigas e por conta disso estavam barrados nos blocos carnavalescos das famílias do morro. Para resolver o problema, criaram um bloco só de homens, o Bloco dos Arengueiros, que significa fazer arengaria, algazarra, farra, bagunça. Segundo contam, saíram pela primeira vez em 1923, vestidos de mulher, arrumando briga com todos os outros blocos que encontravam. Depois de apanharem, baterem e serem presos por cinco anos, no dia 28 de abril de 1928, decidiram unir todos os blocos de Mangueira, para desfilar na Praça Onze. Reuniram-se Angenor de Oliveira (Cartola), Saturnino Gonçalves (Seu Saturnino), Abelardo da Bolinha, Carlos Moreira de Castro (Carlos Cachaça), José Gomes da Costa (Zé Espinguela), Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Seu Maçu) e Pedro Paquetá e fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Como seu primeiro presidente, elegeram o Sr. Saturnino Gonçalves. Por sugestão de Cartola, adotaram as cores verde e rosa, do Rancho do Arrepiado, de Laranjeiras, lembrança dos carnavais de sua infância. Recebeu o nome de Estação Primeira porque a primeira parada do trem, que saia da Estação de Dom Pedro para o subúrbio, onde havia samba, era Mangueira”, informa a escola de samba, que nasceu desse grande encontro. 

cartola walter firmo 1 O Rio de Cartola: 115 anos do gênio da música, mangueirense e tricolor

Para a escolha das cores da Mangueira pesou a paixão pelo Fluminense com seu verde, branco e grená. Uniu dois amores com cores próximas, juntas, quase gêmeas. Em outubro de 1969, em uma homenagem que recebeu do Tricolor, Cartola contou que, aos 11 anos de idade, morava com a família na Rua das Laranjeiras 285 e começou a torcer pelo Flu na época em que jogava peladas em um terreno perto do clube.

Em uma reportagem do jornal O Globo de 1969, Cartola disse “assisti ao início da construção do estádio das Laranjeiras. As carretas trazendo terra do morro trabalhavam o dia inteiro. Vi o local sendo todo aterrado e, quando estavam para fincar os primeiros alicerces, mudei-me para o Morro da Mangueira”.

Homenageado em diversos momentos pelo Fluminense e sua torcida (inclusive com o terceiro uniforme do ano de 2023), Cartola não era muito de ir a estádios de futebol. Gostava mesmo de acompanhar os jogos no rádio e na televisão. Ficava em silêncio quando o time perdia. “Gozo nas vitórias e choro nas derrotas“, afirmou, certa vez, o craque da música. Sua companheira, Dona Zica, e o filho Ronaldo, que torciam para o rival Flamengo, sabiam respeitar os lutos e glórias do tricolor. 

Mangueira e Fluminense foram paixões. Dona Zica foi amor. As rosas falam e Cartola sempre falou desse sentimento: o amor. Ele e a companheira de vida fizeram muitas coisas juntos. Entre tantas, o Zicartola, popular restaurante voltado à música brasileira. Já falo do bar. Antes, tenho que falar de Zica. São muitas as histórias dos dois envolvendo as músicas de Angenor. 

Dona Zica ganhou umas mudas de roseiras e as plantou no jardim tão logo chegou em casa. Tempos depois, numa manhã, ela ficou extasiada diante da quantidade de rosas desabrochadas e na hora ela chamou e perguntou ao marido: ‘Por que é que nasceu tanta rosa assim Cartola?’. Ele respondeu: ‘Não sei, Zica. As rosas não falam’. Cartola ficou com a frase na cabeça, remoendo. Quando a inspiração apareceu, a música brotou inteira”, destaca a página Letra, Música e História.  

cartola 2 2 O Rio de Cartola: 115 anos do gênio da música, mangueirense e tricolor

Cartola e Dona Zica

“Tive sim”, uma canção que fala de um amor passado, mas que não se compara com o atual, também foi feita por Cartola na convivência com sua grande companheira Zica. 

A soma do talento musical de Cartola com o gastronômico de Dona Zica deu no Zicartola. O restaurante virou reduto de grandes artistas da cultura brasileira. Aberto em 1963, o local funcionou por apenas dois anos. Por problemas financeiros acabou fechando. Todavia, os encontros sonoros que nasceram por lá estão por aí até hoje. Paulinho da Viola, ainda muito jovem, foi lançado no estabelecimento, nomes da bossa nova, como Carlos Lyra e Nara Leão eram frequentadores. 

O restaurante, que ficava no centro da cidade do Rio, serviu também de ponto de encontro para artistas que eram contra a ditadura militar, que se iniciava no Brasil daqueles tempos. 

Na foto Cartola protesta contra a proibicao do governo de realizacao de um ensaio da Mangueira na Rua Visconde de Niteroi em preparacao para o Carnaval de 1976 1 O Rio de Cartola: 115 anos do gênio da música, mangueirense e tricolor

Em 1974, Cartola protestou em frente aos carros da Polícia que impediram um ensaio da Mangueira de acontecer

Compositor de mãos cheias, já com muitas músicas circulando pelo meio artístico, Cartola lançou seu primeiro disco em 1974. O reconhecimento artístico geral, do grande público, veio tarde. O financeiro, esse nem chegou de fato. O gênio da música brasileira faleceu em 1980. Para a sorte do mundo, que se tornou menos moinho por isso, muitos trabalhos do mangueirense e tricolor ganharam destaque anos depois. 

Angenor de Oliveira passou a ser chamado de Cartola porque quando trabalhava como ajudante de pedreiro usava um chapéu para se proteger do cimento. Corram e olhem para o céu e agradeçam por termos Cartola e suas cores para nos proteger de dias pesados e cinzentos. O sol sempre nascerá para quem tem alguém como Agenor no horizonte.

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